Eficiência energética (ou se preferimos, uma gestão mais eficiente da energia consumida pelas empresas) permite tornar o tecido empresarial mais competitivo e, dessa forma, ganhar asas para a exportação.

A ideia ressalvou de forma consensual entre os diferentes intervenientes no debate online organizado pela Helexia à volta da “Energia como fator de competitividade para a exportação”.

Luís Pinho, CEO da Helexia Portugal, salienta, com base na experiência adquirida junto dos clientes cuja gestão energética tem feito, que os ganhos de energia podem variar entre 20% a 25%, levando esse aforro a um impacto no EBITDA (lucros antes de juros e impostos) das empresas de 1%/2%. “Isso é muito relevante”, destaca o responsável da Helexia.

Foto: Scott Graham/Unsplash

Eficiência energética não é só trocar umas lâmpadas por uns LED; isso é importante, mas não é só isso” – Luís Pinho (Helexia)

Contudo, de acordo com Luís Pinho, ainda há um trabalho “a ser feito para as empresas perceberem o que é o chavão eficiência energética e o que cabe lá dentro. Não é só trocar umas lâmpadas por uns LED; isso é importante, mas não é só isso”.

“O melhor kW é aquele que não é o consumido” é outra ideia defendida por Luís Pinho.

Eficiência energética: o início

“Devemos começar sempre pela questão da eficiência energética. Por vezes, discute-se se os painéis solares são eficiência energética. Na verdade, o que estamos a mudar é a fonte da energia se só fizermos isso. Eu, pessoalmente, não acho que a produção fotovoltaica seja eficiência energética por si só. Mas a verdade é que a produção fotovoltaica tem feito um trabalho de ‘evangelização’ grande que faz com que as empresas tenham já noção dos benefícios para a sua operação de ter este tipo de energia e do impacto que tem na sua pegada ecológica”, refere Luís Pinho.

“O que sentimos que falta é continuar com este trabalho de ‘evangelização’, mas do lado da eficiência energética: a gestão de energia e a poupança de energia, por exemplo através também de equipamentos industriais mais competitivos”, prossegue o responsável da Helexia.

“O trabalho tem de ser por aqui para ajudar as empresas a serem mais competitivas, mas começando por consumir menos energia: começar por perceber onde estão a consumir energia; a seguir, consumir menos energia; e depois juntar fontes de energia renovável. Aí estará a ser feita a verdadeira transição energética”, explica Luís Pinho.

Para a Helexia, “qualquer ganho que as empresas, já presentes na exportação, consigam ao nível da sua energia (menor consumo de energia e energia mais racional) terá impacto nos seus negócios”.

Foto: Shane Rounce/Unsplash

Poupança vai induzir uma maior competitividade

Segundo Luís Pinho, as medidas de eficiência energética podem permitir poupanças às empresas que vão “induzir obviamente uma maior competitividade dos seus produtos, dada a pressão de colocar produtos a preços mais baixos noutros mercados. A poupança pode ser trabalhada como forma de agregar valor aos produtos e focar num segmento mais premium e ecológico, com as empresas a focarem-se em ‘spots’ de mercado que podem trazer mais valor”.

as empresas portuguesas podem ser mais competitivaspoupar na energia é um fator determinante

Nuno Brito Jorge, Diretor Regional para Lisboa da ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários, diz não ter dúvidas de que a recuperação económica que se começa a assistir “será verde” e feita com base em energias limpas: “Não sei se será tão verde quanto nós gostávamos, mas vai ser mais verde do que qualquer outro contexto económico que tivemos antes”.

O responsável da ANJE afirma que “é possível ser competitivo e usar energias renováveis ao mesmo tempo”, defendendo que “precisamos de uma economia que recompense este tipo de comportamentos”.

Várias ferramentas de apoio

Considerando que “o foco na ANJE é o da aceleração para a transição sustentável”, Nuno Brito Jorge lembra que os empresários dispõem no mercado de várias ferramentas de apoio para efetuarem esse caminho, desde assessoria a financiamento.

O nº1 da Helexia dá o exemplo da sua empresa, afirmando que “há mecanismos e há tecnologia mais do que testada” para as empresas conseguirem ter energia limpa e eficiente, conseguindo, desse modo, “aliar economia e sustentabilidade” para se poderem afirmar no mercado, simultaneamente, em termos de sustentabilidade económica e ambiental.

“Empresas, como a Helexia, que se encontram disponíveis para ajudar as empresas neste caminho de eficiência e de sustentabilidade, potenciam os seus clientes para ganharem ímpeto para alavancar as exportações”, diz Luís Pinho.

Manuel Casquiço, Head of Programs and Initiatives Department na ADENE – Agência para a Energia, corrobora a ideia, dando, igualmente, o exemplo das ferramentas existentes na ADENE visando a eficiência de recursos nas empresas, desde processos de certificação a planos de racionalização, passando por simuladores, tanto ao nível do consumo de energia, como de água, como também das frotas ou da certificação dos edifícios.

“a sustentabilidade financeira não se pode dissociar da sustentabilidade ambiental” – Manuel Casquiço (ADENE)

“Hoje em dia a sustentabilidade financeira não se pode dissociar da sustentabilidade ambiental para as empresas conseguirem novos clientes – e hoje em dia os consumidores estão alerta para este tipo de questões. Basta ver os danos reputacionais que podem ocorrer quando há questões negativas associadas a questões ambientais – as empresas vão perder os seus clientes”, afirma Manuel Casquiço.

“Hoje em dia uma empresa que dá atenção às questões ambientais, é uma empresa que é valorizada”, enfatiza o responsável da ADENE.

“Para quem é empresário de uma PME, a maior parte do dia é vivida a apagar fogos. O tempo que fica para pensar e planear é ínfimo. A sensação que temos pelo contacto com os empresários é a mesma: os projetos são bons, a energia solar já toda a gente sabe que vale a pena, mas mesmo assim não surge como uma prioridade. Do lado dos empresários, a prioridade é antes o negócio continuar a crescer”, relata, por sua vez, o responsável da ANJE num debate em que ficou claro que, com este pensamento, os empresários esquecem-se da influência dos custos da energia no negócio, podendo fazer com que mais facilmente cresça ou estagne.

“Aqui acho que é onde as organizações que trabalham neste setor e que têm à sua disposição modelos de negócio, de financiamento e capacidade técnica, podem servir de alavancagem para esta transição energética rumo a uma eficiência energética”, aponta Nuno Brito Jorge que dá a Helexia como um “bom exemplo de uma empresa que sabe trazer as soluções para as empresas adotarem, à medida de cada empresa, de maneira a que esta matéria não se torne uma prioridade para o empresário”.

Para o dirigente da ANJE, a proposta da Helexia, de “chave na mão”, é uma “boa ideia”, uma vez que consiste num “pacote que traz financiamento, traz painéis, traz energia; basta assinar os papéis”.

Foto: Federico Beccari/Unsplash

“O que é mais barato é a energia que não gastamos” – Nuno Brito Jorge (ANJE)

“Ao trabalharmos neste setor, uma frustação que há muito tempo verificamos é que quando propomos a uma empresa ou a uma organização a instalação de painéis solares é responderem que preferem aguarda pela chegada de uns fundos de apoio. A questão é que se passam, por vezes, três, quatro ou 5 anos e os painéis nunca são instalados. Estamos à espera, por vezes, até cinco anos por painéis solares que já podiam estar instalados há muito tempo e a permitir poupar eletricidade, a reduzir emissões e os custos fixos das empresas”, afirma Nuno Brito Jorge.

Na visão deste responsável associativo que lida de perto com empresários dos mais variados ramos de atividade, “o que é mais barato é a energia que não gastamos e a seguir é a produção local de eletricidade”.

Luís Rodrigues também participou no debate, dando conta do “peso muito grande” que a energia tem na atividade do Grupo Montalva/Izidoro, do qual é CEO.

“O tema da energia é central para ganhar competividade. Nesse sentido, desenvolvemos projetos com a Helexia. Das 7 unidades industriais que temos, 4 têm um total de 14 mil painéis solares”, recorda Luís Rodrigues.

Parceria com Helexia permitiu libertar CAPEX

Em setores, como o agro-alimentar em que as margens são estreitas, “qualquer ganho em termos da estrutura de custos é fundamental”, diz o responsável do Grupo Montalva/Izidoro que valoriza a parceria com a Helexia: “Para nós foi uma questão que nos permitiu libertar CAPEX [despesas de capital ou investimento em bens de capital, n.d.r.]”.

“É obvio que os painéis solares hoje são incontornáveis, mas o tema é mais profundo. Não basta instalar painéis solares. As empresas começam a estar mais despertas para o tema da eficiência energética e olhar para as oportunidades que têm. Nós, por exemplo, temos várias auditorias energéticas a decorrer com a identificação de muitas oportunidades de redução de consumo e racionalização”, salienta Luís Rodrigues.

Seja ao nível do consumo de gás, eletricidade ou água, “o consumo é contraproducente relativamente à estrutura de custos da empresa. Diria que nesta área as oportunidades são imensas e em todas as empresas, sejam elas grandes ou pequenas. Não é um tema para o qual as pessoas estejam muito despertas, mas o tema começa a estar na ordem do dia sobretudo das empresas”.

Foto: Caspar Rae/Unsplash

Principal driver ainda é o económico

De acordo com Luís Pinho, “o driver principal para a mudança, neste momento, continua a ser o económico, mas sentimos que há uma preocupação cada vez maior com sustentabilidade ambiental, que é muitas vezes induzida pelo cliente. Podemos ter o decisor que tem isso na cabeça e quer fazer, mas há aqueles outros gestores que são induzidos pelos seus clientes”.

O CEO da Helexia lembra o caso das empresas que exportam, as quais “têm muitas vezes condicionantes do lado da entidade que adquire os seus produtos que exigem saber como é que produzem a energia e que energia produzem. E este é um fator determinante para encaminhar as empresas para a sustentabilidade ambiental ter cada vez mais peso”.

Exigências impostas nos concursos

Luís Pinho pormenoriza: “Começa cada vez mais a haver maiores exigências a nível nacional, mas principalmente na exportação, de entidades compradoras que estabelecem requisitos em concursos, por exemplo, de valorização das propostas no caso de haver uma maior componente de eficiência energética e se para a produção de um produto houve o contributo de energia renovável”.

“É preciso haver uma ‘evangelização’ das empresas para que percebam que o ‘driver’ não seja apenas económico, mas ambiental também”, defende a Helexia.

“A sustentabilidade é um fator de ganho de competitividade numa empresa” – Luís Rodrigues (Grupo Montalva/Izidoro)

Luís Rodrigues, CEO do Grupo Montalva/Izidoro, refere que “há uma relação forte das nossas marcas com os consumidores. O tema da sustentabilidade é transversal. Temos um grupo pluridisciplinar dentro da empresa que gere estes temas que vai para além da questão da energia. Estamos com iniciativas importantes ao nível das embalagens, por exemplo, estando a implementar um conjunto de embalagens que reduzem em cerca de 70% o plástico”.

“No nosso caso, a embalagem alternativa a que chegámos em si até é um pouco mais dispendiosa, mas é um fator de comunicação e posicionamento da empresa e da marca perante os consumidores. Hoje em dia, é um fator de ganho de competitividade. Hoje, a competitividade não se ganha apenas através de um custo mais reduzido; aliás, quando é baseado num custo mais reduzido é insuficiente”, afirma o responsável do Grupo Montalva/Izidoro.

Luís Rodrigues sintetiza: “Não se pode separar a parte da criação de valor da parte ambiental. A relação com os clientes não pode ser feita se não for baseada em sustentabilidade”.

Para o CEO do Grupo Montalva/Izidoro, a conclusão é uma: “Os consumidores estão mais sofisticados e mais exigentes e as marcas e as empresas têm de evoluir”.

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