Pedro Nuno Ferreira
Pedro Nuno Ferreira
Head of Automotive Financial Services (BNP Paribas Personal Finance)

A confiança no elétrico como futuro da indústria também se mede pelo plano de investimentos dos fabricantes de automóveis em veículos híbridos e elétricos, que tem aumentado de ano para ano, prevendo-se que assim continue.

Elétrico: o futuro da indústria automóvel

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Atualmente, assistimos a uma grande discussão em torno do futuro da indústria automóvel. As novas gerações estão cada mais sensibilizadas face aos problemas ambientais e, por isso, o automóvel tradicional – a combustão interna – enfrenta várias críticas e, simultaneamente, vai perdendo admiradores. Por outro lado, aproveitando esta crescente preocupação ambiental, que sem dúvida veio para ficar, o elétrico tem-se assumido como o futuro da indústria automóvel

O ano de 2020 ficou marcado por uma grave crise sanitária e económica, que abalou fortemente a indústria automóvel. Ainda assim, 2020 pode também ter ficado marcado como o ano da afirmação do elétrico: a compra de carros elétricos aumentou 85,4% face a 2019, um resultado que se torna ainda mais assinalável tendo em conta que o veículo de combustão interna registou quebras na ordem dos 22% a nível mundial. 

Os resultados do Observador Cetelem Automóvel permitem corroborar esta ideia com mais números. Em Portugal, vimos que 80% gostariam que o número de automóveis nas cidades reduzisse, 83% dos inquiridos concordam com as críticas ambientais ao setor e 92% desejam a existência de mais espaços para outras formas de mobilidade (como espaços pedonais e ciclovias, por exemplo). Adicionalmente, 4 em 10 já conseguem afirmar que o seu próximo automóvel será híbrido ou elétrico e, por fim, 8 em 10 mostraram-se convictos em relação à ideia de o carro elétrico ser o futuro da indústria automóvel.

Posto isto, parece que o passo mais difícil já foi dado. Parte do sucesso do veículo elétrico estava dependente do nível de sensibilização ambiental das comunidades e, hoje, parece que já não há dúvidas sobre este tema – praticamente todos estão sensibilizados.

Agora, é hora de dar os passos seguintes e colmatar as restantes condicionantes que o elétrico possa ter, em direção a uma plena afirmação do veículo até atingir a sua quota no sector. Nesta nova dinâmica de mobilidade, as redes de carregamento elétrico são fundamentais. Este tema representa uma das maiores críticas – senão a maior – à indústria elétrica, uma vez que esta rede ainda é pouco desenvolvida.

No Observador Cetelem Automóvel, a rede de carregamento foi considerada o calcanhar de Aquiles da indústria, pelo que é urgente o seu desenvolvimento. Os consumidores ambicionam uma rede extensa e de fácil utilização.

A confiança no elétrico como futuro da indústria também se mede pelo plano de investimentos dos fabricantes de automóveis em veículos híbridos e elétricos, que tem aumentado de ano para ano, prevendo-se que assim continue.

A indústria elétrica tem de continuar a crescer, saciando todas as principais necessidades dos consumidores: o veículo deve ser mais económico, ultra tecnológico, sustentável, com maior autonomia e com uma rede de carregamentos cada vez mais completa. É este o caminho a seguir para salvaguardar o futuro da indústria automóvel.

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