A Opel está a assinalar os 50 anos do protótipo elétrico Opel GT, recordando quando, nos dias 17 e 18 de maio de 1971, Georg von Opel entrou em pista, decidido a estabelecer novos recordes de velocidade para automóveis elétricos.

Fê-lo no circuito de Hockenheimring, na Alemanha, ao volante de um modelo desportivo especialmente preparado e modificado: o Opel “Elektro GT”.

Feitas as contas, no final, este GT muito especial viria a bater nada menos de seis recordes mundiais, evoca a marca alemã.

Georg von Opel: nasceu a 8 de maio de 1912 e faleceu em 14 de agosto de 1971.

Lembra o fabricante que Georg von Opel (neto de Adam Opel, fundador da Opel) encetou a tentativa de bater recordes com o “Elektro GT” não apenas para “validação do conceito” dos futuros veículos elétricos a bateria, como também para perpetuar uma tradição familiar.

Isto porque o seu primo “Raketen-Fritz” (Fritz, o “Homem-Foguete”) preenchera as manchetes dos jornais entre 1927 e 1929 fruto das suas demonstrações de veículos propulsionados a foguetes, com especial destaque para a realizada no circuito de Avus, a 23 de maio de 1928, quando o RAK 2 atingiu uma velocidade máxima de 238 km/h.

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Motores e baterias

O Opel “Elektro GT” contava com dois motores elétricos Bosch de corrente contínua (DC) que, em conjunto, debitavam 88 kW (120 cv) de potência contínua e uma potência de pico máxima de 118 kW (160 cv).

A empresa Varta forneceu as quatro baterias de níquel-cádmio instaladas ao lado e atrás do condutor.

Compostas por 280 células, estas baterias adicionaram 590 kg aos 960 kg do GT de produção em série, o que perfazia um total de 1550 kg, mais ou menos o mesmo que um Opel Diplomat B.

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A tentativa de recorde de longa distância para este elétrico exigiu a utilização de 360 células, aumentando ainda o peso das baterias para 740 kg.

Georg von Opel, neto do fundador da Opel, morreu em agosto de 1971, após sofrer um ataque cardíaco enquanto conduzia. Tinha 59 anos.

Acusando 1700 kg na balança, o GT passava a pesar o mesmo que uma camioneta Opel Blitz com distância entre eixos curta. O peso extra exigiu molas mais tensas e a Continental desenvolveu pneus especiais de alta pressão, que minimizaram ao mínimo o atrito de rolamento.

Entre o trabalho aerodinâmico realizado na carroçaria inclui-se a cobertura de todas as entradas e saídas de ar à frente, um capot plano, sem a saliência para o carburador existente no GT de produção, a remoção dos para-choques, espelhos e puxadores das portas, bem como a remoção completa dos conteúdos dos compartimentos do motor e do passageiro.

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Espaço apenas para o condutor

O sistema eletrónico de gestão ocupava toda a bagageira e a traseira apresentava um grande spoiler. As luzes traseiras foram removidas e a respetivas furações foram simplesmente tapadas. O silenciador do sistema de escape foi substituído por um permutador de calor.

A alimentação elétrica do sistema de gestão eletrónica estava a cargo de uma bateria convencional de automóvel, alojada à frente, no compartimento do motor, onde os motores elétricos substituíam o motor a gasolina original.

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Montadas em suportes especiais, as baterias de alimentação dos motores – mais comuns nos aviões a jato – ocupavam todo o espaço disponível ao lado e atrás do habitual lugar do condutor, deixando-lhe apenas espaço suficiente para se sentar num banco normal.

Ao volante do “Elektro GT”, Georg von Opel viria a estabelecer, a 17 de maio de 1971, quatro novos recordes mundiais para carros alimentados a eletricidade:

Distância

Tempo

Velocidade

1,0 km

19,061 seg.

188,86 km/h

1,0 km arranque parado

31,066 seg.

115,88 km/h

0,5 km arranque parado

19,358 seg.

92,98 km/h

0,25 milhas (cerca de 400 m) com arranque parado

16,869 seg.

85,87 km/h

No dia seguinte, eram alcançados dois novos recordes, ambos realizados com arranque parado:

Distância

Tempo

Velocidade

10 km

4 min 43,69 seg.

126,89 km/h

10 milhas (cerca de 16 km)

7 min 35,63 seg.

127,15 km/h

No entanto, a baixa capacidade de energia das baterias de níquel-cádmio impediu que este modelo elétrico batesse um outro recorde mundial, para os 100 km realizados a uma velocidade constante de 100 km/h, tentativa que abortou após apenas 44 km.

Ainda assim, como primeiro VEB da Opel, o “Elektro GT” demonstrou que um veículo elétrico a bateria poderia igualar a velocidade de um modelo desportivo seu contemporâneo.  

Em síntese:

Em 1971, o neto do fundador da Opel, Georg von Opel, pulveriza seis recordes mundiais para veículos elétricos ao volante de um Opel Electro GT capaz de alcançar 188 km/h de velocidade graças a dois motores elétricos emparelhados debitando 120 cv (88 kW). A energia elétrica era fornecida por uma bateria de níquel-cádmio que pesava 590 kg. À velocidade estabilizada de 100 km/h, este GT especial tinha autonomia de 44 km.

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