No rescaldo do Dia Nacional do Ar, instituído em 2019 e assinalado a 12 de abril, com o objetivo de destacar a importância da qualidade do ar e sensibilizar a população para a necessidade de conhecer e atuar com vista à proteção e melhoria deste recurso indispensável à vida, a associação ambientalista Zero aproveitou um estudo realizado junto dos europeus para alertar para o papel de uma mobilidade sustentável.

Isto porque o setor dos transportes, em particular o transporte rodoviário, é a principal causa de poluição do ar nos centros urbanos portugueses.

inquérito envolveu cerca de 10 mil respostas de cidadãos de 15 grandes cidades europeias em 8 países

“O futuro do transporte individual em automóveis é um tema na ordem do dia, pois a sociedade está num ponto de clivagem no tocante à mobilidade. Graças a uma adopção maciça por parte dos condutores privados e empresas, as vendas de automóveis eléctricos dispararam em 2020 na Europa”, salienta a associação Zero.

Repensar mobilidade

Os ambientalistas recordam que “as políticas europeias na área da energia, clima e ambiente, em que a neutralidade climática até meio do século é central, têm forçado os decisores políticos, desde o nível autárquico ao nacional, a repensar o papel dos veículos movidos a combustíveis fósseis, em particular os movidos a gasóleo, com maiores emissões de óxidos de azoto”.

Como resultado, neste momento há na Europa já dez países com planos para o fim do comércio de ligeiros de passageiros com motor de combustão, e uma série de cidades – incluindo Madrid, Paris, Amsterdão e Londres – que apenas permitirão automóveis sem emissões nos próximos anos.

“Este estudo mostra claramente que os europeus são a favor de uma mobilidade sustentável e estão prontos para a abraçar”, refere a Zero.

Alguns fabricantes de automóveis, em resposta, já se estão a alinhar com estas políticas, tenho anunciado o fim voluntário das suas produções de veículos a combustíveis fósseis.

A Comissão Europeia está a rever até ao Verão os regulamentos relativos à emissão de dióxido de carbono (CO2) dos automóveis, podendo vir a regular sobre o fim do comércio de veículos a combustão.

Neste âmbito, a Federação Europeia de Transportes e Ambiente (T&E), que a Zero integra, organizou um estudo acerca da opinião dos europeus sobre estas políticas.

A opinião dos europeus: ação é preciso

Trata-se de um inquérito representativo que reuniu cerca de 10 mil respostas de cidadãos de quinze grandes cidades europeias (incluindo Madrid, Roma, Berlim, entre outras, embora nenhuma cidade portuguesa) em oito países.

Os resultados permitem afirmar que:
• Quase dois em cada três habitantes (63% em média, com resultados, dependendo, das cidades, que variam entre os 51% e 77%) apoia o fim da comercialização de veículos a combustão até 2030, sendo que após esta data apenas deverão poder ser vendidos na Europa automóveis livres de emissões – ou seja, os cidadãos apoiam esmagadoramente estes objectivos;

• Entre os inquiridos, os que tiveram COVID-19 ou os com pessoas próximas que tiveram apoiam mais fortemente estas medidas (66% de apoiantes) do que os restantes (56%);

• O preço dos automóveis elétricos (55%), a rede de carregamento (51%) e a sua autonomia (45%) são vistos como os fatores determinantes para impulsionar mais a compra de viaturas elétricas;

• Apenas um em cada dez inquiridos considera que as vendas de automóveis elétricos não suplantarão no futuro os de automóveis a gasóleo e gasolina.

Maioria quer apenas veículos sero emissões após 2030

Fonte: T&E

Embora o estudo não inclua cidades portuguesas, a associação Zero está convicta de que os portugueses não são excepção. Por isso, a Zero apela a que os decisores políticos sejam ambiciosos na adoção de políticas que vão ao encontro destes resultados.

Zero preocupada com falta de medidas que contrariem excesso de uso do automóvel no desconfinamento

Esta associação ambientalista avaliou os dados de concentração de dióxido de azoto, um poluente associado ao tráfego automóvel, recolhidos na estação de monitorização da Av. da Liberdade, em Lisboa, dos dias úteis das últimas semanas após 15 de março de 2021. Segundo a Zero, verifica-se que a média dos valores das três primeiras semanas (33 ug/m3) está cerca de 20% abaixo do valor limite anual deste poluente (40 ug/m3), mas na semana passada, entre 5 e 9 de abril, já se atingiu precisamente uma concentração média de 40 ug/m3. Os ecologistas estão, “assim seriamente preocupados com o regresso de ainda mais automóveis aos centros das cidades, em total contradição com os objetivos de salvaguarda da saúde pública, prioridade que se tornou ainda mais relevante no cotexto da pandemia de COVID-19”.

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