A Zero recorreu aos dados recentemente disponibilizados pelo registo de emissões associado ao Comércio Europeu de Licenças de Emissão (CELE) para efetuar um “ranking” das instalações/empresas mais poluentes de Portugal em 2020 no que respeita às emissões de dióxido de carbono (CO2), principal gás de efeito de estufa causador das alterações climáticas.

Explica a Zero que o Comércio Europeu de Licenças de Emissão integra as principais unidades de setores fortemente emissores de emissões de carbono, nomeadamente centrais térmicas, refinação, cimento, pasta de papel, vidro, entre outras.

“Em Portugal há 225 unidades que estão integradas no CELE. No caso das centrais térmicas utilizando combustíveis fósseis, todas as licenças de emissão têm de ser adquiridas, enquanto noutros setores, parte das licenças é oferecida gratuitamente e parte tem de ser adquirida. O custo da tonelada de dióxido de carbono atingiu um recente máximo absoluto de 44,14 euros no passado dia 6 de abril de 2021”, apontam os ecologistas.

Mudanças na classificação e razões

De acordo com a análise da associação Zero, entre 2019 e 2020, o “ranking” entre os maiores emissores sofreu uma das maiores mudanças de sempre por dois motivos: o fim do uso do carvão na produção de eletricidade em 2021, com uma redução já muito significativa em 2020 e a redução da atividade económica em 2020 associada ao impacte da pandemia.

A Central Térmica de Sines, que encerrou a 15 de janeiro de 2021 e recorria à queima de carvão para produção de eletricidade, foi sempre a instalação que ocupou o primeiro lugar até 2019 inclusive, tendo em 2020 sido substituída pela refinaria de Sines.

Em 2020, o top 10 deste ranking é assim dominado pelo setor da refinação, produção de eletricidade a partir da queima de gás natural, ainda a produção de eletricidade em Sines recorrendo a carvão, e o setor cimenteiro.

Nas dez maiores unidades estão agora presentes três cimenteiras (CIMPOR – Alhandra, CIMPOR – Souselas e SECIL – Outão), o que mostra a relevância deste setor em termos de emissões.

Fonte: associação Zero

Um outro aspeto importante, é o facto do total das dez unidades com maiores emissões poluentes ter decrescido 28% entre 2019 e 2020 (de 14,6 milhões de toneladas para 10,6 milhões e toneladas).

A maior subida no ranking entre 2019 e 2020 foi da Central Térmica de ciclo combinado do Pego (a gás natural), numa subida de cinco posições, sendo que em 2019 nem estava no Top10.

As maiores descidas no ranking

As maiores descidas foram da Central Térmica a carvão do Pego e da TAP (apenas contabilizadas emissões de voos intraeuropeus), respetivamente caindo oito e nove lugares, e saindo das dez mais poluidoras em 2020.

“As reduções de emissões foram nestes dois casos de 68% e 76%, respetivamente, relevando-se assim a TAP como a maior descida das empresas no Top10 de emissões em 2019”, refere a Zero.

Se considerarmos o total das empresas nos dez primeiros lugares em 2020, verifica-se um decréscimo de 24% das suas emissões em relação ao ano anterior, o que é uma consequência direta do efeito da pandemia. Várias unidades industriais sobem no ranking mas têm menores emissões em 2020 comparando com 2019.

“Num futuro próximo, tudo indica que serão as centrais de ciclo combinado a gás natural, a refinaria de Sines, o setor cimenteiro e eventualmente o setor petroquímico que dominarão a seriação das unidades empresariais maiores emissoras de dióxido de carbono”, antevê a Zero.

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