Mais de uma centena de detergentes para a louça foram cuidadosa e detalhadamente analisados. O objetivo era conseguir avaliar a eficácia dos produtos. Mas a pesquisa serviu sobretudo para se ter uma noção mais clara do impacto ambiental das fórmulas dos detergentes para a louça. Bem como das próprias embalagens em que estes são comercializados.

Fazendo uma caracterização geral dos produtos submetidos ao estudo, podemos dizer que 60 deles eram indicados para a lavagem manual da louça. Os restantes 56 eram detergentes para a máquina da louça. Além disso, faziam parte da amostra produtos líderes de mercado, das marcas tradicionais. Foram igualmente analisados vários detergentes “verdes”, com reputação ou atributos ecológicos como o Rótulo Ecológico Europeu e autodeclarações ambientais.

A iniciativa foi impulsionada pelo projeto europeu CLEAN, através do qual se tenta aumentar a consciência dos consumidores para o impacto ambiental dos detergentes de uso doméstico. Pretende-se assim que os cidadãos tenham cada vez mais facilidade “em reconhecer alegações enganadoras e práticas comerciais menos leais destes produtos”. Outro dos nomes sonantes envolvido neste projeto de investigação foi a DECO PROTESTE, uma organização de defesa do consumidor.

A composição

Através da análise feita a 116 detergentes para a louça foi possível constatar que “alguns destes produtos têm fórmulas simples, com 8 a 15 substâncias diferentes”. Já outros detergentes, sobretudo os indicados para as máquinas de lavar louça, apresentam fórmulas demasiado complexas. Algumas delas compostas por cerca de 35 substâncias diferentes.

O mais curioso, no entanto, é o facto de aproximadamente dois terços dos produtos analisados incluírem, pelo menos, um ingrediente na lista de substâncias preocupantes. Para ser mais específica, estamos a falar de: perfumes, fragâncias e corantes. Ou seja, tudo componentes completamente evitáveis na produção de detergentes, tendo em conta que os mesmos não comprometem a eficácia dos referidos produtos.

Outra das ilações tiradas a partir deste estudo evidenciava que “os ingredientes conservantes mais comuns são, também, substâncias nocivas para o ambiente”. Isto apesar de existirem alternativas com menos impacto para o planeta. 

A embalagem

Relativamente às embalagens em que os detergentes para a louça são comercializados as conclusões são igualmente pouco satisfatórias. Ao estudar-se mais de uma centena destes produtos foi possível constatar que “o ecodesign ainda não é uma prioridade para a maioria das marcas”. Uma afirmação sustentada com o seguinte argumento: “foram frequentemente encontradas, durante a análise, embalagens poucos cheias e sem incorporação de materiais reciclados”.

Neste campo verificou-se também que, “grande parte dos produtos analisados, tinham rótulos dificilmente destacáveis na hora de reciclar”. Além disso, “as embalagens dos detergentes são, de forma recorrente, feitas em cores que comprometem a aceitação do recicado”. 

Marcas exageram na referência a atributos ambientais?

Os produtos tradicionais fazem, normalmente, alegações ambientais com referência aos ingredientes e à embalagem. Enquanto que as afirmações relacionadas com o bem-estar animal e o impacto ambiental geral são associadas, quase que de forma exclusiva, a detergentes descritos como ecológicos. Mas, será que os detergentes da louça são assim tão “amigos do ambiente” quanto as marcas querem levar a querer?

Pelo que foi possível perceber com a realização deste estudo “no caso de alguns dos produtos, a referência a atributos ambientais foi claramente exagerada”. Pegando em dados estatísticos: “dos 56 detergentes para máquinas de lavar louça que foram alvo de estudo, só 35% tinham efetivamente um baixo impacto ambiental”.

No entanto, “dos 60 detergentes para lavagem manual da louça analisados, 56% foram classificados, nos critérios avaliados, como detergentes de bom ou muito bom desempenho ambiental”.

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