A conhecida marca chinesa de smartphones Xiaomi anunciou que vai entrar no negócio dos automóveis elétricos.

O anúncio partiu do próprio CEO da Xiaomi, Lei Jun, que comunicou, inclusive, o nome que a divisão automóvel terá: Xiaomi Smart Electric Vehicle.

Lei Jun, que durante a apresentação teve por trás de si uma foto projetada numa tela gigante em que aparecia ao lado de Elon Musk, patrão da Tesla, chamará a si também a condução desta nova área de negócio.

Durante a apresentação, foi exibida uma foto em que Elon Musk estava ao lado do CEO da Xiaomi, numa linha de montagem da Tesla

A revelação constou da parte final da segunda parte de uma sessão de apresentação de novos produtos para 2021 da companhia chinesa, transmitida por You Tube e que pode ver aqui:

Espera-se que haja informações relativas aos possíveis modelos do fabricante oriental nas próximas semanas, sendo que uma das primeiras dúvidas é saber se a Xiaomi atacará o setor automóvel sozinha ou se se associará a outra empresa com mais experiência na área.

Embora esse dado ainda esteja por esclarecer, neste momento, tudo aponta para que a Xiaomi se una a outra sigla com experiência no setor automóvel, havendo rumores que indicam que a chinesa Great Wall Motors possa ser uma das hipóteses mais fortes.

Investimentos previstos

Numa fase inicial, a Xiaomi irá investir 1,3 mil milhões de euros (10 mil milhões Yuan Renminbi, a moeda chinesa) nesta sua nova área de atividade, tendo, igualmente, feito saber que durante os próximos dez anos (até 2030, portanto) a sua previsão de investimento na indústria automóvel é de 8,5 mil milhões de euros.

No evento em que comunicou a decisão de entrar no negócio automóvel, o CEO da Xiaomi mostrou o projeto de uma autocaravana feita em três meses pelos técnicos da marca, dentro da qual foram integrados todos os produtos da Xiaomi Home.

“A Xiaomi espera apresentar veículos elétricos inteligentes para que todas as pessoas no mundo possam usufruir de um modo de vida inteligente, em qualquer momento”, é o mote da empresa.

Um dos traços distintivos dos futuros elétricos da Xiaomi será o da comercialização de elétricos compatíveis com o ecossistema de produtos inteligentes que a empresa chinesa tem no seu portfólio e que é bastante abrangente, indo desde smartphones a pulseiras de fitness, de smartwatches a trotinetes elétricas, de aspiradores a impressoras ou câmaras de vigilância e drones.

O mundo dos produtos da Xiaomi

De resto, no evento de apresentação dos novos produtos da Xiaomi, Lei Jun revelou que algumas das pessoas que o incentivaram a avançar para o mundo das quatro rodas lhe fizeram ver as semelhanças atuais entre os smartphones – onde a Xiaomi tem créditos – e os veículos elétricos.

Ao comunicar a decisão, Lei Jun afirmou que no discernimento que fez para decidir se avançaria para um avultado investimento na área automóvel, o CEO da Xiaomi colocou a si próprio a questão de saber se a empresa ainda teria a mesma energia e dedicação que tinha há dez anos.

A resposta positiva que obteve e o entusiasmo dos milhares de fãs da marca (os “Mi Fans”) foram importantes para uma decisão que, assumiu, tinha milhares de razões a favor e outras tantas contra.

Lei Jun, CEO da Xiaomi, durante a apresentação dos novos planos da empresa: “Temos um grande bolso para [investir, n.d.r.] neste projeto. Estou totalmente ciente dos riscos da indústria automóvel. Também estou ciente de que o projeto levará pelo menos três a cinco anos com dezenas de bilhões de investimentos”.

Seis razões para avançar

Numa carta interna aos funcionários, Lei Jun resumiu em seis as razões pelas quais a Xiaomi apresenta vantagens no fabrico de automóveis no contexto atual:

1 – Os veículos elétricos inteligentes transformaram fundamentalmente o modelo de negócios da indústria automóvel tradicional, e a Xiaomi possui um conhecimento « profundo do modelo de negócios de serviço de Internet baseado em hardware;
2 – A Xiaomi tem uma ampla experiência em integração de software e hardware e um profundo know-how de produção na indústria da Internet;
3 – A Xiaomi possui um ecossistema inteligente que – afirma a empresa – é o maior em termos de escala, o mais diversificado em termos de categoria de produtos e o mais ativo em termos de conexões de utilizadores;
4 – A Xiaomi possui várias tecnologias básicas que podem ser aplicadas ao negócio de veículos elétricos inteligentes;
5 – A Xiaomi tem uma marca poderosa e uma forte base de utilizadores, com a confiança e o suporte dos “Mi Fans” em todo o mundo;
6 – A Xiaomi possui recursos de caixa abundantes que permitem que a Xiaomi invista com confiança neste setor.

“Os veículos elétricos inteligentes representam uma das maiores oportunidades de negócios na próxima década e são um componente indispensável para uma vida inteligente. Entrar neste negócio é uma escolha natural para nós, à medida que expandimos o nosso inteligente ecossistema de AIoT [Artificial Intelligence of Things, n.d.r.] e cumprimos a nossa missão de permitir que todos no mundo tenham uma vida melhor através de tecnologia inovadora”, declarou Lei Jun.

Este namoro com o mundo automóvel vem de trás, já que, em 2019, a Xiaomi tinha feito uma parceria com a marca Bestune, da também chinesa FAW, que passou pela adaptação de um dos seus SUV (o Bestune T77) para vender no mercado chinês sob a sigla Redmi. Este era, no entanto, um modelo existente e com motor de combustão, algo bem diferente do que agora está em causa, onde a ideia é apostar nos elétricos e em veículos nascidos do zero.

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