A Eaton, empresa especializada em gestão de energia, está a alertar para aquilo que se pode designar do “calcanhar de Aquiles” das smart cities: a fragilidade dos sistemas operacionais dos edifícios e casas (como os sistemas de aquecimento, ar condicionado e ventilação, iluminação e sistemas inteligentes de segurança de edifícios, entre outros elementos funcionais de gestão de edifícios) com controlos lógicos programáveis (“Power Line Communication” – PLC), hoje muito expostos a ciberataques.

“À medida que os dias passam, há mais dispositivos interligados e mais redes operacionais que, embora seja uma coisa positiva para o desenvolvimento industrial, tem também certos aspetos negativos, tais como a existência crescente de pontos potencialmente vulneráveis aos ciberataques”, refere a Eaton.

De acordo com as previsões da MarketsandMarkets, o Industrial Internet of Things (IIoT) terá um crescimento médio anual de 7,4% entre 2020 e 2025, o que elevará o volume de negócios para 110.600 milhões de dólares até 2025.

“A cibersegurança faz parte da estratégia de qualquer negócio hoje em dia. No entanto, a maior parte do orçamento e dos recursos são atribuídos à cibersegurança informática que, apesar de ser crítica, não cobre todas as infraestruturas que a indústria tem atualmente”, diz José Antonio Afonso, responsável do segmento Commercial Building da Eaton Iberia.

“Os sistemas tecnológicos operacionais, ou seja, os pontos de contacto ligados ao controlo do mundo físico, são também cruciais para o desempenho da atividade, e com o aumento do IIoT representam um importante vetor de entrada de ameaças se não forem devidamente protegidos”, acrescenta este especialista.

Ambiente IIoT a crescer

Com as smart cities e à medida que as capacidades de computação e de ligação em rede se tornam mais rápidas e mais baratas, estamos a assistir a um número crescente de produtos que são concebidos para um ambiente IIoT.

Por exemplo, os sistemas de iluminação de emergência ligados podem oferecer grandes benefícios, tais como serem ativados quando certas áreas do edifício estão a ser utilizadas, reportar com precisão quando ocorrem falhas, ou serem operados remotamente.

Contudo, tal como acontece com servidores, ferramentas de cloud ou outras aplicações empresariais, estes sistemas acrescentam novos pontos de acesso potenciais para atacantes, e se não forem concebidos tendo em mente a cibersegurança, podem levar a consequências graves, adverte a Eaton.

Ponto de acesso para ciberataque

Esta empresa lembra, inclusive, que não seria a primeira vez que isto acontecia.

A Eaton recorda que, em 2014, os sistemas de aquecimento, ventilação e ar condicionado foram utilizados como ponto de acesso num ciberataque que levou a que 110 milhões de clientes da empresa americana Target ficassem com os seus dados potencialmente comprometidos.

“O surgimento do IIoT sublinha o facto de que a segurança informática OT é uma questão que as equipas de TI – em grande parte porque têm os recursos para proteger dispositivos e ligações – precisam reconhecer”, sublinha a Eaton.

Para José Antonio Afonso, “estamos habituados a esperar que o software e hardware de TI estejam em conformidade com normas rigorosas para manter os dados vitais seguros em áreas como comunicações encriptadas ou palavras-passe”.

O responsável da Eaton Iberia defende que “à medida que a infraestrutura industrial se torna muito mais interligada entre si, precisamos de assegurar que as normas e as melhores práticas estejam em vigor para manter também a tecnologia operacional segura”.

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