A Fundação Calouste Gulbenkian renovou este ano o seu apoio ao programa Humanamente @tivos, promovido pela Cáritas Diocesana de Beja para responder às dificuldades e exigências causadas pelo confinamento da COVID-19.

O projeto da Cáritas de Beja é, de resto, uma das 69 iniciativas sociais apoiadas, em tempos de pandemia, pela iniciativa Gulbenkian Cuida, para responder às necessidades de quem, subitamente, se viu fechado em casa, privado de contactos familiares e sociais, sem poder usufruir dos locais de apoio e de convívio habituais, neste caso, nas instalações da Cáritas de Beja.

A renovação do apoio deve-se ao êxito da iniciativa que tem como parceiros locais a Associação Alémemória e a Câmara Municipal de Beja e tem ainda o financiamento do Instituto da Segurança Social.

Áreas onde atua

O programa atua na área das Uniões de Freguesias da cidade de Beja e nas freguesias rurais de Cabeça Gorda, Nossa Senhora das Neves e Santa Clara de Louredo e, na sua renovação para 2021, a intervenção manterá os mesmos moldes.

A iniciativa, no terreno desde maio de 2020, traz a idosos, pela primeira vez, um acompanhamento personalizado de uma terapeuta, a qual passou a ser também o precioso elo de ligação entre os familiares e a equipa de profissionais que garante o funcionamento do projeto.

Visitas regulares quebram isolamento

“Além de atender às necessidades básicas, o projeto destacou-se por oferecer, num quadro de incerteza e solidão provocado pela pandemia, a segurança de uma presença regular e calorosa, ajudando os utentes a sentirem-se acompanhados, ativos, valorizados e enraizados no dia-a-dia”, refere a Gulbenkian.

“Admirável mundo novo” tecnológico

Nesse contexto, o programa introduziu-os ao “admirável mundo novo” tecnológico, e o tablet passou a constituir para muitos um recurso indispensável para realizar exercícios e também para efetuar videochamadas para os familiares.

Para além de atividades de lazer, a iniciativa também visa o estímulo cognitivo com o propósito de exercitar a atenção, a memória e o cálculo.

“Para a grande maioria foi um processo muito desafiante, as novas tecnologias constituíam uma novidade absoluta, mas os receios foram-se esbatendo à medida que iam aprendendo a utilizar o tablet e a aceder, de forma autónoma, a diferentes conteúdos e exercícios disponibilizados numa plataforma”, diz a Gulbenkian.

“Além das competências tecnológicas, foram igualmente trabalhadas competências pessoais como a motivação, o espírito empreendedor e a resiliência à frustração”, dá conta a Fundação Gulbenkian.

O confinamento foi um cenário “propício para o eclodir de manifestações de ansiedade, depressão e agravamento da demência que alguns deles já apresentavam”, refere a Gulbenkian.

Balanço da primeira fase deste projeto
No âmbito da primeira fase deste projeto, de maio a dezembro de 2020, foram realizadas 448 visitas domiciliárias e mais de 225 atividades de terapia ocupacional, motora e sensorial, junto de três dezenas de idosos do concelho, entre os 74 e os 89 anos.
Toda a logística assentou numa equipa multidisciplinar composta por uma investigadora social com funções de direção técnica, uma terapeuta ocupacional, um psicólogo clínico e um coordenador geral com formação em animação sociocultural e em Desenvolvimento Comunitário e Empreendedorismo.
A estes elementos somaram-se cinco técnicos na área dos cuidados geriátricos, que se deslocaram diariamente a casa dos idosos para prestar cuidados básicos de higiene e de alimentação.

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