Renaulution. É esta a designação do novo plano estratégico da Renault que visa impulsionar as vendas e, sobretudo, a rentabilidade do fabricante.

O plano tem uma forte aposta na eletrificação e assenta num novo modelo de negócio para o Grupo Renault, centrado sobre o valor.

Isto significa que a empresa deixará de medir o seu desempenho através das quotas de mercado ou volume de vendas (aspetos em que a marca é habitual e historicamente muito forte, incluindo em Portugal), mas antes em função da rentabilidade, da geração de liquidez e da eficácia dos investimentos.

Nesse contexto, cada uma das marcas do Grupo (onde se inclui além da Renault, a Dacia, a Alpine e, nalguns mercados, a Lada) irá gerir a sua própria rentabilidade.

As quatro áreas de negócio do Grupo serão: Renault; Dacia-Lada; Alpine; e Mobilize, esta última com o enfoque se obter novas fontes de receita e lucro provenientes dos serviços de dados, da mobilidade e da energia e gerar 20% das receitas do Grupo até 2030

O Plano Renaulution visa assegurar uma rentabilidade duradoura para o Grupo, respeitando, ao mesmo tempo, o seu compromisso de neutralidade carbónica, na Europa, até 2050.

Renault EZ-Ultimo concept

Mobilidade, energia e dados

Esta estratégia aposta na melhoria da competitividade do Grupo Renault nos veículos elétricos na Europa, ao mesmo tempo que incentiva o acelerar dos serviços de mobilidade, dos serviços relativos à energia e dos serviços referentes aos dados.

Usar menos plataformas (de 6 para 3 plataformas da Aliança) e menos grupos motopropulsores (de 8 para 4 famílias) são instrumentos para melhorar a performance do Grupo.

“O plano Renaulution consiste em fazer orientar toda a empresa dos volumes para a criação de valor. Mais do que uma recuperação, trata-se de uma transformação profunda do nosso modelo de empresa. Estabelecemos bases sólidas e sãs, racionalizámos as nossas operações, começando na engenharia, ajustámos a dimensão onde era necessário, e reafectámos os recursos para os produtos e as tecnologias com forte potencial. Esta melhoria da eficácia irá alimentar a nossa futura gama de produtos: tecnológicas, eletrificadas e competitivas. E isto irá alimentar a força das nossas marcas, cada uma com o seu território bem claro e diferenciado e responsáveis pela sua rentabilidade e pela satisfação dos seus clientes. Passaremos de uma empresa automóvel que utiliza a tecnologia, a uma empresa tecnológica que utiliza os automóveis, na qual, pelo menos 20% das receitas, até 2030, terão origem nos serviços, dos dados, e do comércio de energia. Iremos conseguir, com passos seguros, tendo por detrás esta grande empresa, as suas competências e a implicação dos seus colaboradores. O Renaulution é um plano estratégico ‘feito dentro de portas’, que iremos desmultiplicar e realizar da mesma forma: coletivamente”, explica Luca de Meo, CEO do Grupo Renault.

Reduzir custos de investimento

O recurso a menos plataformas permitirá ainda criar um portefólio de produtos mais equilibrado e mais rentável, com 14 lançamentos até 2025 – dos quais metade nos segmentos C/D – e sete serão veículos elétricos, entre os quais o Renault 5 elétrico.

Até 2025, a Renault vai lançar 14 novos modelos. Sete serão 100% elétricos e sete pertencerão aos segmentos C e D

A finalidade da estratégia Renaulution traçada é ainda ajudar a reduzir custos de investimento e despesas de I&D de cerca de 10% do volume de negócios, para menos de 8%, em 2025.

Plataforma CMF-EV

Outro compromisso anunciado: melhorar os prazos de desenvolvimento e de colocação no mercado de veículos, de forma a que todos os modelos que serão lançados, utilizando as plataformas existentes, sejam introduzidos para venda em menos de 3 anos.

Refere a empresa que esta nova organização, centrada sobre a criação de valor assente no conceito de mobilidade e a ofensiva de veículos, irá permitir melhorar os preços e o “mix” de produtos.

O Grupo Renault afirma que em termos de custos variáveis, haverá uma melhoria de 600 euros por veículo até 2023.

A ideia é que estes esforços irão reforçar a resiliência do Grupo e reduzirão, em 30%, o seu “ponto morto” até 2023.

Renault, a “Nouvelle Vague”

A marca francesa quer “incarnar a modernidade e a inovação dentro e, para além da indústria automóvel, nos serviços energéticos, tecnológicos e de mobilidade”.

Na sua estratégia, a marca vai alterar o seu “mix” de segmentos, graças a uma ofensiva sobre o segmento C, e reforçará as suas posições na Europa, ao mesmo tempo, que se concentra nos segmentos e nos canais de venda mais rentáveis em mercados chave como a América Latina e a Rússia.

A marca quer ser líder na eletrificação até 2025 e ter o “mix” de produtos mais “verde” da Europa, criando um “Electro Pôle”, potencialmente no norte de França, com a maior capacidade para a fabricação de veículos elétricos do Grupo, em todo o mundo.

“Passaremos de uma empresa automóvel que utiliza a tecnologia, a uma empresa tecnológica que utiliza os automóveis, na qual, pelo menos 20% das receitas, até 2030, terão origem nos serviços, dos dados e do comércio de energia”Luca de Meo, CEO do Grupo Renault

“Metade dos lançamentos na Europa corresponderão a veículos elétricos, que têm uma contribuição mais forte para as margens que os modelos térmicos (em euros)”, refere o construtor.

A Renault anuncia, igualmente, a aposta no hidrogénio, com uma joint-venture a pensar nos veículos de pilha de combustível, especialmente os Comerciais Ligeiros.

3 fases lançadas em paralelo
O plano estratégico da Renault é estruturado em 3 fases, lançadas em paralelo:
►A fase “Ressurreição“, que se estenderá até 2023 e que se concentrará na recuperação da margem e na criação de liquidez,
► A fase “Renovação“, que se seguirá até 2025, trará a renovação e o enriquecimento das gamas que contribuem para a rentabilidade das marcas,
► A fase “Revolução“, que terá início em 2025, fará transformar o modelo económico do Grupo para a tecnologia, a energia e a mobilidade, fazendo do Grupo Renault um precursor na cadeia de valor das novas mobilidades.

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