Tendo iniciado a sua comercialização em Portugal no mês de setembro, o Mazda MX-30 é o primeiro elétrico do construtor nipónico. A Mazda celebra este ano o seu centenário e o novo modelo abre um novo capítulo diferente na sua história.

Andámos alguns dias com um exemplar e encontrámos vários pontos positivos no MX-30.

1. É um pouco diferente, mas familiar

A Mazda não tentou fazer o MX-30 demasiado estranho. É suficientemente distinto, tanto na dianteira como de perfil, com uma volumetria de SUV Crossover urbano tão em voga. Dependendo da cor escolhida, passa despercebido ou dá nas vistas.

O nosso exemplar, numa combinação Crystal Soul Red de três tons e tejadilho cinza, chamava bastante a atenção.

2. É um utilitário urbano com alguns caprichos

Há um claro privilégio para os ocupantes dos lugares da frente. Bancos confortáveis e muito espaço. Faz sentido, porque são os que têm maior taxa de ocupação.

Outro detalhe que revela esse facto nos ocupantes adultos está patente nas portas “Freestyle”, com duas pequenas portas a abrir ao contrário, facilitando o acesso aos bancos traseiros. Não são inéditas e apareceram primeiro noutro modelo (se respondeu “Mazda RX-8”, acertou), mas permitem que as portas da frente não sejam tão grandes e pesadas.

3. Apenas dois níveis de equipamento

Simplificar deve ser o caminho dos construtores. O Mazda MX-30 vem em duas configurações base: First Edition e Excellence. Ainda não estamos na fase em que basicamente escolhemos a cor e pouco mais, mas houve um esforço de simplificação da gama. Ambos os pontos de partida são interessantes.

Há depois um conjunto interessante de cinco packs. Os dois principais, Modern Confidence e Vintage Leatherette, têm custo idêntico, mas elementos visuais distintos.

O Plus Pack tem, entre outros bónus, os bancos e volante aquecidos. Surpreendentemente agradável por estes dias. O Pack Premium tem câmara de 360ºe sistema Bose, existindo ainda um Pack final para o teto de abrir.

4. Alcance adequado para um citadino

Muitas vezes se chama este ou aquele veículo elétrico de “citadino”, como uma crítica. Na verdade, a maior parte das pessoas precisa mesmo é de um citadino. A Mazda apresentou este modelo com bastante humildade nesse sentido. O seu alcance de até 265 quilómetros em cidade (e 200 km no ciclo WLTP) é perfeitamente adequado para circuitos urbanos. A maior parte dos automobilistas europeus não chega a fazer 48 quilómetros por dia.

Dito isto, no teste de algumas centenas de quilómetros que realizámos, com alguns horários para cumprir e mais de 50% da distância em auto-estrada, não foi fácil descer dos 18 kWh/100 km. Com uma bateria cuja capacidade real é de 30 kWh, ficamos com uma autonomia real de 170 quilómetros. Chega e sobra para o mais atribulado dos dias em ambiente urbano e sub-urbano.

5. Uma condução leve, mas precisa

Como automóvel elétrico, o MX-30 já tem incluídas todas as qualidades de suavidade e baixo ruído de funcionamento. Mas o Mazda apresenta uma qualidade dinâmica acima da média, com uma precisão do eixo dianteiro que, sem beliscar o conforto, torna a condução mais envolvente. Quase se diria que tem um feedback de automóvel desportivo.

Esta sensação é majorada pelo excelente volante, bem posicionado e com muito boa pega. Nota-se que foi pensado por pessoas que gostam de conduzir.

6. Cortiça portuguesa no habitáculo

A cortiça fornecida pela Amorim Cork Composites foi usada para revestir a consola do Mazda MX-30. Sendo um elemento sustentável e natural, é uma excelente escolha para dar um apontamento nacional ao MX-30.

As características deste material, em termos de isolamento acústico e térmico, sendo ao mesmo tempo leve e de produção sustentável, tornam-o bastante interessante para a indústria automóvel. Mas, desta vez, está em destaque.

Nota muito positiva também para os painéis de informação e controlo. Os painéis touchscreen têm um interface com design legível e moderno. A resposta ao toque é rápida.

Os tecidos utilizados no interior foram produzidos com preocupações ambientais. Destaca-se o couro artificial e alguns materiais reciclados.

7. Gamificação da condução com as patilhas no volante

O Mazda MX-30 tem cinco níveis de estado de rolamento, por assim dizer. A posição standard é a intermédia, tendo duas que facilitam o rolamento em detrimento da recuperação de energia e duas que aumentam a capacidade de recuperar energia, com mais atrito.

Este sistema é comandado com duas patilhas no volante, a da direita facilita o rolamento, a da esquerda, aumenta a recuperação de energia, abrandando o MX-30.

Funciona bem e é rápido. O objetivo é potenciar a recuperação de energia, sobretudo a descer ou quando precisamos de reduzir a velocidade. Mas também, quando precisamos de acelerar mais, ao baixarmos o atrito, gastamos menos energia. 

Os ganhos são certamente pequenos, mas é um desafio interessante para tentar esticar o alcance com uma carga de bateria. Pessoalmente, gostaria que o nível de travagem regenerativa mais forte permitisse dispensar o pedal do travão, o que não é possível.

8. É o primeiro elétrico de uma marca centenária

A Mazda foi fundada a 30 de Janeiro de 1920 e está, por isso, a dias de entrar no clube dos construtores centenários. Bem sabemos que hoje tudo se passa a uma velocidade alucinante, mas não pode ser indiferente um percurso de 100 anos a produzir veículos de qualidade.

Nos anos 80 e 90 era comum ouvir que os Mazda eram os “Mercedes japoneses”. Os 626 e 929 tinham fama de serem indestrutíveis, enquanto o RX-7, com motor Wankel, eram o sonho dos miúdos com sonhos alternativos.

O Roadster MX-5 veio revolucionar a imagem da marca e o seu apelo ao prazer de condução contagiou todas as gamas da Mazda.

O MX-30 não desmerece nesta companhia e a história dá sempre um bom tema de conversa.

9. Segurança distinguida pelo Euro NCAP

De todos os modelos testados em 2020 pelo Euro NCAP, o MX-30 foi o que teve melhor resultado na proteção de passageiros adultos e o segundo melhor resultado na proteção das crianças. Foi um dos quatro modelos que recebeu cinco estrelas neste exigente conjunto de testes.

Para além das características específicas da carroçaria e das suas áreas de absorção de energia em caso de impacto, o MX-30 apresenta um conjunto avançado de tecnologias de segurança i-Activsense do MX-30, adicionadas ao sistema Smart Brake Support (SBS), com o objetivo de ajudar a evitar colisões em cruzamentos, e a tecnologia Emergency Lane Keeping, concebida para ajudar a manter os condutores na trajectória correcta em estradas com bermas ou bordas perceptíveis.

10. Preço competitivo para particulares e empresas

O Mazda MX-30 tem um preço de venda ao público que arranca nos €34.500 para as versões First Edition. O cliente escolhe, sem custos, qual o pack de acabamento (Vintage Leatherette ou Modern Cofidence).

Mas mais atrativo ainda é o preço de partida da versão Excellence, que arranca nos €35.250, com um nível de equipamento bastante superior.

O Excellence com todos os packs (Plus, Premium e teto de abrir custa €39.760.

Para as empresas, os preços começam nos €28.049 mais IVA, estando o MX-30 isento de IUC e não sendo objeto de tributação autónoma.

O MX-30 é elegível para o apoio do Fundo Ambiental para a aquisição de veículos elétricos, tanto por parte dos particulares como das empresas. Esta vantagem é acumulada a outras campanhas que a Mazda apresente no momento. Atualmente, o valor de desconto para os clientes empresariais é de €1.000.

Ficha técnica

Mazda MX-30 – 2021

Motor: elétrico AC síncrono, 107 kW (145 cv); 270,9 Nm de binário instantâneo;

Baterias: Pack de baterias de polímeros de Lítio-Ion, com 35,5 kWh de capacidade (30 kWh utilizáveis);

Carregador embarcado: AC, de até 6,6 kW de potência;

Carregador Rápido: até 37 kW;

Transmissão: rodas dianteiras. Tipo automático, uma velocidade.

Chassis: carroçaria monobloco, de 5 portas e 5 lugares

Dimensões: comprimento: 4395mm; altura: 1555mm; largura: 1795; distância entre eixos: 2655mm; Peso: 1645 kg

Velocidade Máxima: 140 km/h (limitada)

Aceleração: 0-100 km/h: 9,7 s.

Eficiência energética: 19 kWh/100 km (combinado) ou 14,5 kWh/100 km (cidade)

Alcance com uma carga: 200 km (WLTP); até 265 km em percurso citadino

Tempos de carga:
20-80% a 6,6 kW: 3h
20-80% a 37 kW (DC): 36m

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