Num ano atípico marcado pela pandemia da COVID-19, a associação Zero identificou do ponto de vista ambiental os cinco factos mais positivos, bem como os cinco factos mais negativos de 2020.

➊ Publicação, após décadas de atraso, da Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental, “colmatando lacunas de quase 30 anos no conhecimento do estado de conservação das plantas vasculares que ocorrem em Portugal”, referem os ecologistas.

➋ “Demonstração que os cidadãos estão disponíveis para a transição para a sustentabilidade investindo na melhoria da eficiência energética, tal como ficou expresso na sua adesão ao Programa de Apoio a Edifícios Mais Sustentáveis do Fundo Ambiental”, destaca a Zero.

➌ Outro aspeto a salientar pela Zero diz respeito ao aumento muito significativo da procura de bicicletas no seguimento da disponibilização de incentivos a soluções de mobilidade suave por parte de algumas autarquias.

➍ Em ano de confinamento devido à pandemia, os ecologistas lembram a “experiência resultante da paragem da economia mundial que permitiu vivenciar uma qualidade ambiental como há décadas não era possível”.

➎ A Zero entende ainda como positivo a persistência evidenciada pela União Europeia na sua visão assente na sustentabilidade, “não obstante todas as pressões para atrasar a transição para um modelo de desenvolvimento circular e centrado na promoção do bem-estar de todos”.

➊ Para a Zero, os Planos de Gestão das Zonas Especiais de Conservação, fundamentais à preservação de espécies e habitats, estiveram em consulta pública, “apresentando graves insuficiências que decorrem da ausência de conhecimento dos valores naturais protegidos”.

➋ Os ambientalistas colocam também entre os factos negativos do ano a intenção de mineração em Portugal “sob um quadro legal pouco transparente e sem diálogo com os cidadãos e instituições e sem uma Avaliação Ambiental Estratégica nacional, que é fundamental para uma exploração sustentável”.

➌ A Zero aponta, igual modo, o dedo ao Governo pela “cedência à pressão das grandes marcas e dos retalhistas para deixar nas suas mãos a definição da reutilização de embalagens em Portugal”.

➍ A decisão de avançar com o novo aeroporto de Lisboa e o reiterar da intenção de manter a sua construção, mesmo após os efeitos brutais da economia no setor da aviação e do turismo, que é a principal fonte de utilização contam também da avaliação negativa de 2020, na perspetiva da Zero.

➎ Os ambientalistas colocam igualmente a pandemia e o agravar das desigualdades sociais entre países e dentro de cada país como um incontornável facto negativo do ano que está prestes a terminar.

A associação ambientalista identifica ainda cinco desafios para 2021 “que se espera venha a ser um ano de algum retorno a uma nova normalidade assente nos princípios da sustentabilidade”, refere a Zero.

➊ Potencial da Presidência Portuguesa da União Europeia para a concretização ambiciosa do Pacto Ecológico Europeu nas suas diferentes valências (energia/clima; zero poluição; biodiversidade; mobilidade, agricultura e indústria sustentáveis, entre outras).

➋ A adoção por parte do Parlamento Português de uma Lei do Clima que permita inscrever os principais objetivos do Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050 na agenda política, “garantindo estabilidade e consistência nas políticas a serem implementadas no futuro próximo, independentemente do quadro governativo e das conjunturas do calendário eleitoral”.

➌ Apresentação e implementação da Estratégia Nacional para a Pobreza Energética “com o intuito de finalmente começar a concretizar medidas para combater de forma eficaz este flagelo de atingir uma faixa significativa da população portuguesa”.

➍ A apresentação de um Plano Estratégico para a Política Agrícola Comum para o período 2021-2027 “que se distancie do atual modelo de Intensificação agrícola assente em monoculturas, no regadio e no agro-negócio orientado exclusivamente para a exportação”.

➎ Fazer da Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas prevista para novembro de 2021 em Glasgow (COP26) um sucesso pós-pandemia, “com novas metas por parte dos diferentes países e a perspetiva dos EUA voltarem ao Acordo de Paris já em janeiro de 2021”.

Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Notify of