A marca Peugeot está a fazer acompanhar cada novo lançamento de um modelo seu de uma versão eletrificada e a gama 508 não foge à regra, com a disponibilidade em mercado de uma variante Plug-in quer na berlina, quer na carrinha.

No Watts On, experimentamos a 508 SW Hybrid Plug-in no nível de equipamento de topo, o GT. A carrinha combina o motor a gasolina PureTech de 180 cv (ou 132 kW) a um motor elétrico de 110 cv (ou 80 kW), para garantir uma potência total de 225 cv/165 kW.

O modelo assenta na plataforma multienergias EMP2 (Efficient Modular Platform) do Grupo PSA e promete uma autonomia 100% elétrica de 52 km na versão SW (o alcance na berlina é de 54 km), fruto de uma bateria com 11,8 kWh.

Como se distingue no exterior?

Do ponto de vista da identidade visual, esta variante mais ecológica de ligar à corrente distingue-se das demais versões com motores de combustão interna pelos logótipos Hybrid existentes na traseira e nas laterais (ao nível das cavas das rodas dianteiras) e pelo portão de carregamento elétrico (alojado por cima da cava da roda traseira do lado esquerdo). Em tudo o mais é igual às outras versões com motores térmicos com a silhueta baixa e alongada a tornarem este modelo bastante atraente e atlético.

Não sendo exclusiva desta versão Plug-in, merece, contudo, referência na secção traseira da carrinha a faixa horizontal em preto brilhante enquadrada pelas luzes traseiras Full LED tridimensionais – é um detalhe de design muito bem conseguido.

Interior pensado com cuidado

As portas sem moldura são um toque “premium” inegável, levando-nos a entrar num habitáculo pensado com bastante cuidado.

Estando a referir-nos a um modelo de segmento D, o interior, com o característico i-cockpit da Peugeot, prima pela qualidade percebida de construção e montagem, com bancos confortáveis (a marca destaca o facto de terem certificação AGR – Aktion für Gesunder Rücken, associação alemã de especialistas em ortopedia e ergonomia).

Atrás, o espaço livre é desafogado e, em termos de altura para as cabeças, a SW tem uma cota 4 cm mais alta do que a berlina.

O teto de abrir panorâmico com uma ampla superfície vidrada melhora a luminosidade para o interior.

O volante compacto revestido a couro (perfurado no GT Line e GT) tem uma boa pega e não tira a visibilidade para o painel de instrumentos, algo que se saúda, pois nem em todos os modelos Peugeot isso acontece.

Menús específicos para o PHEV

A carrinha apresenta-se em 3 níveis de equipamento: Allure; GT Line; e GT.

Sendo esta uma variante eletrificada, há menús especificamente dirigidos para informar o condutor sobre os seus gastos energéticos e médias de consumo. Tal como noutros híbridos, também aqui o infotainment exibe em gráfico os fluxos de energia entre motor de combustão, baterias e motor elétrico.

Uma funcionalidade muito válida, sobretudo para quem tenha bi-horário na sua habitação, é a programação do início do carregamento a pensar nos períodos com tarifa de eletricidade mais barata – ao chegar a casa, ao final do dia, programa o veículo, deixando-o já ligado à tomada para que o carregamento só se inicie à hora pretendida. Essa programação é feita no touchscreen central de 10″.

À semelhança de outros PHEV, este 508 inclui a função e-Save em que o motor térmico carrega as baterias do modelo para garantir uma reserva de energia elétrica quando, por exemplo, chega a uma área de emissões reduzidas, com restrições de circulação. O e-Save permite selecionar o número de quilómetros que se pretende ter em modo elétrico: 10 km, 20 km ou a carga total da bateria.

Um detalhe: quando se está a rolar em modo elétrico, acende-se uma pequena luz azul, na parte plástica do espelho retrovisor que fica virada para o para-brisas que permite que a polícia possa atestar que, embora aquele não seja um automóvel 100% EV, está a circular sem emissões poluentes locais.

Baterias retiram espaço, mas não é significativo

Fruto do pack de baterias, esta versão PHEV tem uma mala de 487 litros, ou seja, menos 43 litros do que uma 508 SW exclusivamente a gasolina ou a gasóleo (que assinala 530 litros). Contudo, é uma perda que não é relevante, dada a boa capacidade de arrumação que esta station continua a oferecer.

As baterias de alta tensão dos híbridos plug-in da Peugeot são de iões de lítio de 300 V e de fabrico pela LG Chem, na Polónia. A bateria do 508 Hybrid consiste em 7 módulos, com 12 células cada, para um total de 84 células. A capacidade total da bateria do 508 Hybrid é de 11,8 kWh (9,4 kWh útil).

O acesso à bagageira é prático, com o portão a dispor de um útil modo mãos livres. De resto, face à berlina, o piso da bagageira (que está a 63,5 cm do solo) é 6 cm mais baixo e 2,4 cm mais largo, o que ajuda à arrumação.

A carrinha conduz-se com grande agilidade e apesar de não ter uma potência estonteante, as suas cifras de performance satisfazem bastante e permitem ter no pé direito a rapidez de que se precisa. As acelerações são progressivas mas vivazes.

A caixa de velocidades automática de 8 relações EAT8 está associada a um comando elétrico por impulsos (e-EAT8), respondendo com rapidez e inteligência.

As suspensões independentes atrás e do tipo McPherson à frente ajudam a tornar a carrinha mais dinâmica, especialmente em curvas.

O condutor dispõe de quatro modos de condução selecionáveis: Electric; Hybrid; Sport; e Comfort. Em modo elétrico, a carrinha rola até 135 km/h.

E os consumos?

Em termos de consumos, a Peugeot fala de uma média de 1,3 l/100 km (ciclo WLTP), quando se usa toda a potencialidade e amplitude da quase meia centena de quilómetros da autonomia elétrica disponível.

No nosso teste, não validámos esta cifra. Numa altura em que os Plug-in têm estado na mira dos ecologistas por serem “falsos elétricos” e alegadamente grande parte dos seus utilizadores se limitarem a aproveitar os benefícios fiscais existentes usando-os antes como simples viaturas de combustão normal, sem o carregamento EV, acabámos por tentar ver qual seria o consumo numa situação em que quase não se faria uso da autonomia elétrica.

É claro que é um tipo de uso que não se recomenda (estamos a desperdiçar o potencial ecológico dos PHEV) e nem sequer corresponde ao processo de homologação a que se sujeitam estes automóveis. Todavia, é sempre interessante perceber qual pode ser o consumo num cenário menos favorável para um Plug-in.

Em termos de carga, o carregador a bordo desta 508 SW é de 3,7 kW, estando disponível em opção, um “onboard charger” de 7,4 kW. Numa tomada doméstica convencional, o carregamento demora cerca de sete horas. Numa tomada reforçada do tipo Gren’up (3,2 kW de 14A), esse tempo reduz-se para 4 horas. Se se dispuser de uma wallbox de 7,4 kW e 32A o tempo exigido para a carga total é já de de 1h45m.

Assim, com apenas 14 km de alcance elétrico ao dispor quando arrancámos para o ensaio, chegámos ao fim da nossa experiência (sem termos voltado a carregar) com uma média geral de 6,6 l/100 km.

No nosso caso foi um uso bastante urbano e dadas a volumetria e peso da 508 SW, entendemos que é uma média simpática, pois as faculdades de regeneração de energia (em descidas e desacelerações) e a hibridização notam-se durante a condução e permitem tornar as viagens sempre mais económicas. Se se explorar mais a solitude dos 180 cv do motor de combustão, as médias sobem, naturalmente.

Mas insistimos, usar um PHEV sem fazer uso pleno da autonomia elétrica e das baterias é um contrasenso, além de que não nos podemos esquecer que ao fazê-lo estamos sempre a transportar um peso desnecessário connosco (o das baterias) que no caso da 508 SW é de 280 kg. E mais peso, representa mais consumos.

Quanto custa?

No configurador da marca, o Peugeot 508 Hybrid GT está disponível a partir de 40.372 euros com IVA. Escolhendo a cor Branco Nacré (usado neste contacto) chegamos a um PVP de 49.845 euros com IVA.

 

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