A Toyota apresentou em conferência de imprensa online – à qual o Watts On assistiu – a nova geração do Mirai, modelo movido a hidrogénio.

A primeira geração Mirai chegou ao mercado em 2014 e agora surge a segunda geração. A largura do novo Mirai passa a 1885 mm (era de 1815 mm) e o uso de jantes de 19” (pneus 235/55 R19) e 20” (245/45 R20) adicionam uma atitude mais dinâmica ao veículo.

E com esta segunda geração – seis anos depois da primeira geração Mirai -, os engenheiros da Toyota conseguiram um produto mais forte, sendo, de facto, notórias as evoluções deste Veículo Elétrico a Pilha de Combustível de emissões zero (Fuel Cell Electric Vehicle – FCEV).

Plataforma GA-L

Com base na plataforma GA-L, o novo Mirai tem agora a sua pilha de combustível no compartimento da frente (na zona equivalente à baía do motor) e já não por baixo do piso do habitáculo, algo que possibilita um interior mais generoso para cinco ocupantes, designadamente com mais espaço para as pernas dos passageiros do banco traseiro.

A bateria de alta tensão (agora mais compacta) e o motor elétrico estão ambos posicionados acima do eixo traseiro.

Todo este rearranjo colocou o novo Mirai com uma distribuição de peso de 50:50 entre os eixos dianteiro e posterior.

Outra novidade de monta: o Mirai passa a ser tração traseira.

Nova bateria: mais pequena, mas mais densa
O novo Mirai está equipado com uma bateria de alta tensão de iões de lítio em vez da unidade de níquel-hidreto metálico. Embora menor em tamanho, é mais densa em energia. Contendo 84 células, a bateria tem uma tensão nominal de 310,8 (comparada com 244,8) e uma capacidade de 6,5 Ah (por oposição a 4,0 Ah).

Outro avanço importante está no facto de todos os elementos estarem juntos na estrutura da pilha (incluindo as bombas de água, intercooler, ar condicionado e compressores de ar e a bomba de recirculação de hidrogénio) com cada um desses elementos a ser mais pequeno e mais leve, para além do desempenho ter sido incrementado.

Grosso modo ao nível dos componentes, somados os diferentes ganhos, temos uma redução de peso de 50% e um aumento na potência de 12%.

Pilha de combustível tem melhor densidade de potência específica
Explica a Toyota que o invólucro da pilha foi reduzido (usando Friction Stir Welding, isto é, solda por fricção e mistura mecânica), algo que diminuiu em um terço o espaço entre a própria célula de combustível e o revestimento. A pilha de células de combustível usa um polímero sólido, como no Mirai atual, mas é, porém, de menor dimensão, tendo ainda um menor número de células: 330 em vez de 370. No entanto, tem uma melhor densidade de potência específica em 5,4 kW/l (excluindo placas finais). A potência máxima tem, assim, um aumento de 114 kW para 128 kW. O desempenho em climas frios foi melhorado com o sistema a poder arrancar com temperaturas de até -30˚.

 

A adoção da plataforma GA-L, que faz uso de soldagens de parafuso a laser, dá também ao novo Mirai uma maior rigidez estrutural.

O novo chassis também acomoda uma nova suspensão multibraços, tanto à frente, como atrás, uma solução que substitui a suspensão dianteira MacPherson e suspensão traseira com barra de torsão. Os engenheiros da Toyota também incorporaram barras estabilizadoras mais grossas.

Onde estão alojados os 3 novos tanques?

A adoção da plataforma GA-L permitiu ainda tornar mais racional o uso do espaço, passando a haver três tanques de hidrogénio de alta pressão (em vez de dois). Esse aumento da capacidade de combustível, faz com que autonomia do carro melhore em 30%, elevando-se para cerca de 650 km, sem outras emissões além de água a sair do tubo de escape.

Autonomia: 650 km

Os tanques são dispostos numa configuração em “T”: o mais longo funciona longitudinalmente e ao centro por baixo do piso do veículo, com os dois tanques de menores dimensões colocados lateralmente sob a parte traseira dos bancos e da bagageira.

Juntos os tanques podem conter 5,6 kg de hidrogénio, em comparação com os 4,6 kg dos dois tanques do Mirai atual. Este reposicionamento contribui igualmente para um rebaixar do centro de gravidade do veículo e evita comprometer o espaço reservado para a carga.

 

Os depósitos de hidrogénio têm uma construção multicamadas mais forte e são mais eficientes em termos de peso: o hidrogénio armazenado é responsável por 6% do peso combinado do combustível e dos tanques.

 

O Mirai leva a tecnologia fuel cell a um nível mais alto, oferecendo ainda mais apelo emocional ao cliente em termos de dinâmica.

Limpar o ar enquanto o veículo circula

Uma das características que o fabricante salienta é que as vantagens ambientais do Mirai vão além das emissões zero. A Toyota refere mesmo que o Mirai é responsável por “emissões negativas” – isto significa que o carro efetivamente limpa o ar enquanto se move. Isto porque um filtro do tipo catalisador é incorporado na entrada de ar. Como o ar é puxado para o veículo para alimentar a célula de combustível, uma carga elétrica nos elementos não têxteis do filtro captura partículas microscópicas de poluentes, incluindo dióxido de enxofre (SO2), óxidos nitrosos (NOx) e partículas de PM 2,5. De acordo com a Toyota, o sistema é eficaz a remover 90 a 100% das partículas entre 0 e 2,5 mícrons de diâmetro do ar quando ele passa para o sistema de células de combustível. O condutor dispõe de um mostrador que o informa da quantidade de ar que já foi purificado. E quanto mais quilómetros forem percorridos, mais ar será limpo.

Este é o mostrador que informa o condutor sobre a quantidade de ar que foi purificado. Neste caso exemplificado pela imagem, temos um total de 342 kL, o que representa o ar que respiram 20 pessoas num ano.

Produção, vendas e abastecimento

Produção mais eficiente
Nesta nova geração Mirai, a Toyota também melhorou os seus processos produtivos. Até aqui, a Toyota levava 15 minutos para produzir uma célula de combustível. Agora, consegue fazer isso em poucos segundos, de acordo com a marca.

10 vezes mais vendas
A comercialização de um ligeiro de passageiros a hidrogénio esbarra sempre na questão da infraestrutura de abastecimento que é residual a nível mundial. A Europa (e mais ainda Portugal) não fogem a esta regra. A Toyota tem consciência disso, mas apesar desta forte limitação, o construtor nipónico afirma que, com esta nova geração Mirai, pode aumentar em dez vezes as suas vendas globais. Para ajudar a alcançar esse objetivo, a marca refere que o novo Mirai irá ter um PVP reduzido em cerca de 20%. Na Alemanha, o modelo irá ter um valor de venda de cerca de 63 mil euros. O atual Mirai custa a partir de 76.600 euros na Alemanha.

Quanto custa o hidrogénio?
Segundo a Toyota, 1 kg de hidrogénio na Europa custa, em média, cerca de 10 euros. Na conferência de imprensa que foi dada, os responsáveis do fabricante japonês afirmaram que a expectativa é que a tendência seja para que esse preço desça e passe para 5 a 7 euros por quilo.

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