“Não há mobilidade sustentável se não pensarmos na segurança das pessoas. Mobilidade sustentável é a que protege as pessoas e salva vidas”, declarou Ana Tomaz, vice-presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) na 3ª edição do MobLab Congress que o Watts On acompanhou.

Lembrando que “no mundo, uma pessoa morre a cada 23 segundos num acidente de viação” por via de um sistema que foi construído hurante décadas “que nos está a matar”, a responsável da ANSR sublinha que é chegado o momento de “mudar de paradigma”.

Aproveitando as exigências climáticas e as potencialidades tecnológicas “esta é a oportunidade para termos uma mobilidade segura e inclusiva”.

Ana Tomaz, que desempenhou anteriormente funções como diretora do departamento de segurança rodoferroviária da Infraestrutura de Portugal, enfatizou que a mobilidade tem de ser vista como um sistema completo que abrange veículo-condutor-via “em que se algum falha, o outro tem de compensar” esse deslize: “A segurança rodoviária é uma responsabilidade partilhada e a via tem de ser autoexplicativa e tolerante – essas duas ideias são a base da ‘Visão Zero’ que a Suécia foi pioneira já em 1997”, declara a especialista.

“Zero é o único número de mortos aceitável”, diz Ana Tomaz

“Uma via autoexplicativa é uma via que induz certos comportamentos e não causa surpresa aos utentes. Quando o condutor falhar, ela tem de estar planeada para minimizar as consequências”, indica a responsável da ANSR.

Num “sistema rodoviário seguro sabe-se que o ser humano é frágil e comete erros, por isso o veículo e a infraestrutura devem protegê-lo”, diz.

“Enquanto não se intervir em todo o sistema não chegamos ao objetivo dessa ‘Visão Zero’. Tem de haver reinvenção do espaço rodoviário, pois as estradas que temos foram construídas em função dos automóveis e numa altura em que não havia estas novas tendências de mobilidade. Nas cidades temos de criar vias para os automóveis não andarem tão depressa e os peões poderem circular e atravessar em segurança. Tem de haver essa transformação”, sublinha Ana Tomaz.

Olhar para o caso de Oslo

A vice-presidente da ANSR considera que “há formas de lá chegar” e dá o exemplo de Oslo, uma cidade de cerca de 600 mil habitantes que conseguiu no ano 2019 um marco: zero mortos de utentes vulneráveis nas suas estradas e ruas.

Recorde-se que, no caso da capital da Noruega, este marco de zero fatalidades entre peões e ciclistas foi corolário de um conjunto de medidas tomadas, sobretudo a partir de 2015, designadamente promoção de utilização de bicicletas, encerramento de ruas a automóveis, transformação de estacionamentos para automóveis para bicicletas, redução de limites de velocidade e aumento das tarifas de estacionamento.

Para Ana Tomaz, zero mortos é, por isso, “possível. E Oslo deve servir de inspiração”.

Oslo, Noruega

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