Apesar do discurso oficial ser o de que a mobilidade é trabalhada – e cada vez mais – do ponto de vista dos utilizadores, essa evidência ainda não encontra expressão total. A convicção é de Sandra Lima, gestora de projeto da Federação Europeia de Passageiros, uma associação de organizações de passageiros e demais organizações que promovem a mobilidade sustentável e estão empenhadas na melhoria dos standards do transporte público e dos serviços ferroviários internacionais de longa distância na Europa.

Sandra Lima interveio numa mesa redonda online organizada pelo MobLab Congress sobre cultura da mobilidade, referindo que “as necessidades dos passageiros ainda não estão a ser atendidas” no planeamento dos transportes.

Transportes têm de ser inclusivos e adequados a todos

Na perspetiva dos utentes, os serviços de transportes têm “de ser inclusivos e adequados a tudo e todos”, designadamente pessoas com deficiência e idosos: “Os serviços ainda são criados para um standard de pessoas e nem todas as pessoas cabem nestas categorias. Não nos podemos esquecer de quem está do outro lado”, aponta Sandra Lima.

Para esta responsável da Federação Europeia de Passageiros, “as pessoas têm de estar na base das decisões de planeamento de transportes. Temos de envolver os cidadãos desde o início dos processos de decisão e não apenas no final quando tudo está já decidido”.

Ghent, um bom exemplo

A viver na Bélgica, esta portuguesa que integra a Federação Europeia de Passageiros cita a cidade onde mora, Ghent, como um dos locais na Europa em que a mobilidade mais amiga dos utilizadores vulneráveis está mais enraizada, fruto da enorme legião de utilizadores de bicicletas e das facilidades aí existentes para quem usa velocípedes.

“Aqui existem ruas para bicicletas. Outro ponto interessante é que a pessoa chega mais depressa se se deslocar de bicicleta do que se for de automóvel. Os automóveis abrandam e seguem atrás das bicicletas, facto que leva a que muitas pessoas optem por recorrer à bicicleta em vez do carro”, testemunha Sandra Lima que dá ainda como um bom exemplo o trabalho de transformação que tem sido efetuado pela cidade de Bruxelas, pelo enfoque que tem vindo a dar ao uso de bicicletas.

De acordo com Sandra Lima, “nos Países Baixos, consegue-se ver uma boa cultura de harmonização entre os automóveis e bicicletas”.

Foto: Visit Gent

“Para fazer a mudança e incentivar as pessoas a andarem mais de bicicleta é preciso ouvir os passageiros e alterar o traçado das vias”, afirmou Sandra Lima no âmbito da 3ª edição do MobLab Congress, dando o exemplo das ciclovias: “Os cidadãos para usarem a ciclovia têm de se sentir seguros e para isso acontecer é fundamental que se alterem as infraestruturas”. Uma das formas, sugere esta ativista, é separar as vias dos automóveis das dos ciclistas.

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