A Renault está apostada em alargar a sua oferta de modelos de ligar à corrente, tendo anunciado, recentemente, que irá disponibilizar na berlina Megane uma opção híbrida Plug-in. Embora essa motorização na berlina só chegará ao mercado em junho de 2021, os consumidores podem já encontrar nos stands uma versão PHEV na gama Megane se optarem pela carrinha (a Sport Tourer).

O reforço da gama Megane com esta proposta é, pois, recente, coincidindo com um “facelift” que foi introduzido ao familiar médio da Renault.

Fomos, por isso, conhecer mais de perto as capacidades e virtudes da Megane Sport Tourer com a tecnologia E-Tech Híbrida Plug-in.

Para efetuarmos este contacto, o representante da marca em Portugal colocou-nos à disposição uma viatura com o nível de equipamento R.S. Line.

O essencial do restyling
O restyling efetuado na carrinha Megane, que vai na quarta geração, é de pormenor, traduzindo-se no exterior por novos faróis LED (estreia de tecnologia LED Pure Vision nos faróis dianteiros, de nevoeiro e nas luzes traseiras, que recebem indicadores dinâmicos de mudança de direção), um novo desenho dos para-choques da frente e da traseira, uma grelha redesenhada, novos conjuntos de jantes em liga leve e puxadores das portas iluminados.

É sob o capot que reside a grande e apetecível novidade: uma opção híbrida recarregável (Plug-in).

O condutor conta com um propulsor de quatro cilindros 1,6 litros a gasolina com 91 cv (67 kW) que se combina a um motor elétrico de 49 kW (67 cv). Total: 160 cv disponíveis.

Contudo, deve dizer-se que, em bom rigor, são dois os motores elétricos presentes, já que existe ainda um acionador de alta voltagem do tipo HSG (High-Voltage Starter Generator), um gerador de eixo híbrido com 25 kW (34 cv) com funções de motor de arranque/gerador. Aliás, este segundo motor elétrico é realmente importante, pois é ele que permite que o arranque se faça, sistematicamente, em modo elétrico.

Devido à colocação das baterias, a bagageira da Megane fica com 447 litros (a berlina Megane PHEV ficará com 389 litros). As versões da Sport Tourer exclusivamente com motores de combustão interna têm 521 litros. Uma diferença de 74 litros.

Com uma bateria fabricada pela Hitachi com 9,8 kWh (400V), o Megane E-Tech PHEV anuncia poder percorrer até 50 km em ciclo misto (WLTP) e até 65 km em ciclo urbano (WLTP City) em modo 100% elétrico e até à velocidade de 135 km/h.

Em ciclo misto, o modelo declara um consumo de 1,3 l/100km, com emissões de 28 gramas de CO2/km (valores WLTP).

[clique nas imagens em baixo para ampliar]

Foi, pois, com estes pressupostos que fomos para a estrada analisar a carrinha Megane PHEV.

Em modo 100% elétrico e com as baterias carregadas, conseguimos percorrer 37 km, com uma condução normal, sem preocupações de consumos comedidos, pelo que entendemos que foi um “score” que pode ser melhorado e que dá a um utilizador médio a capacidade de não gastar gasolina (ou gastar muito pouco se tiver de percorrer uma maior distância diária), de 2ª a 6ª feira, nos trajetos casa-trabalho-casa.

O propulsor a gasolina oferece depois pulmão para o condutor levar a carrinha de fim de semana ou em longas viagens de férias. A resposta ao acelerador é boa.

Suavidade no desempenho

A parte motora elétrica proporciona sensações de condução idênticas às de um BEV. Todo o sistema atua de forma “smooth”, contribuindo também para isso a transmissão que bebe a sua inspiração na Fórmula 1, consistindo numa caixa de velocidades inteligente multimodo (com 15 modos de condução), ou seja, uma caixa de velocidades sem embraiagem, de “carretos direitos” e sem sincronizadores.

A caixa permite um arranque 100% elétrico e reduz a quebra entre passagens de mudanças (pela inexistência de embraiagem), algo que melhora o conforto de condução e a performance na aceleração.

Arranque sempre em modo elétrico

O facto desta variante Plug-in arrancar sempre em modo elétrico (devido ao referido anteriormente segundo motor/gerador elétrico) torna, aliás, as manobras e a deslocação suaves, para além de trazer óbvios benefícios para o consumo. Não é marketing: é realmente assim, como comprovamos.

Com o nível de equipamento R.S. Line, o interior ganha vida com os vários apontamentos desportivos existentes

Para se perceber, no nosso ensaio, chegámos ao final a marcar 4,3 l/100 km, tendo o registo da primeira centena de quilómetros (onde fizemos uso pleno da autonomia de que dispúnhamos em modo elétrico) sido de 3,8 l/100 km. A Megane PHEV pareceu-nos, portanto, bastante eficiente e regrada.

Mesmo quando a capacidade da bateria de 9.8 kWh (400V) se esgota, o sistema (que possui o tal motor de arranque/gerador com uma potência de 25 kW e 50 Nm de binário) consegue ir regenerando energia (sobretudo em descidas e especialmente quando o modo “B” está selecionado) para possibilitar que o automobilista possa rolar com zero emissões no pára-arranca, por exemplo.

Modo “B”: Para recuperar ainda mais energia, o seletor da caixa de velocidades pode ser colocado no modo “Brake” (B), que resulta num abrandamento ainda mais pronunciado, até uma velocidade de aproximadamente 7 km/h.

Outro dado: no modo “Sport”, se se carregar a fundo o acelerador, os três motores trabalham em conjunto para entregar a potência máxima (desde que a bateria tenha carga suficiente).

A arquitetura da caixa de velocidades – com várias patentes – permite ao computador de bordo escolher, em tempo real, qual a melhor relação a utilizar para melhorar o rendimento.

A velocidade máxima de carregamento é de 3,7 kWh.

Algo bastante interessante é o modo como é possível recarregar a bateria em aceleração, tal como existe na função “overload” dos F1. Este modo permite a utilização do motor térmico no seu regime ideal, enquanto o suplemento de potência térmica não utilizado recarrega a bateria.

As baterias estão colocadas por debaixo do banco traseiro, enquanto o trem traseiro adota um sistema multibraços em detrimento do eixo semi-rígido. Estas evoluções permitem a este modelo Plug-in Hybrid oferecer qualidades dinâmicas idênticas às das versões térmicas.

Três modos de condução

Através das regulações Multi-Sense (que se podem acionar no ecrã do infotainment), temos ainda três modos de condução:

– Pure: permite uma condução 100% elétrica, desde que a bateria possua um nível de energia suficiente.

O modo “Pure” está acessível não apenas através das regulações no ecrã, mas também de um botão dedicado, localizado no quadro de instrumentos.

O botão de ativação “EV”, colocado por baixo do ecrã multimédia, permite forçar a circulação em modo elétrico – sob reserva do nível de carga da bateria.

– MySense: otimiza o modo híbrido. A função “E-Save” permite manter uma reserva de carga (40% da bateria, no mínimo) para que a passagem à condução 100% elétrica possa ocorrer no momento pretendido (circulação no centro da cidade, por exemplo). Quando se aciona a função “E-Save”, o motor de combustão trabalha num regime acima para fornecer energia às baterias, fazendo-se escutar mais intensamente.

– Sport: permite beneficiar do máximo desempenho resultante da combinação das potências dos três motores (dois elétricos e um térmico).

No habitáculo, a Sport Tourer incorpora um painel de bordo digital de 10,2’’ (em frente ao condutor) e um novo ecrã multimédia/infotainment de 9,3’’ (ao centro do tablier). O sistema multimédia Renault Easy Link permanece fácil de utilizar, com menus específicos desta versão PHEV que permitem ver os fluxos de energia da viatura.

Também existe a possibilidade de parametrizar a iluminação a bordo, através do mesmo ecrã tátil central.

No interior, temos os já conhecidos (e bons) padrões de qualidade da Mégane, com materiais macios na parte superior do tablier e uma boa habitabilidade para o segmento.

O conforto a bordo é outro atributo que a Renault oferece na Megane.

Apesar de para o passageiro da frente o apoio lombar do banco que é garantido pelo “pack” R.S. possa ser algo excessivo (pelo menos para alguns ocupantes que poderão sentir-se demasiado “apertados”, pois os braços acabam por ficar comprimidos pelas laterais do assento), para o condutor esse reforço lombar é garante de estarmos bem encaixados para experimentarmos, ao volante, a carrinha.

Em síntese: esta Megane Sport Tourer é uma proposta muito interessante e válida que, se comprada num contexto empresarial, fruto dos apoios fiscais existentes e da dedução integral do IVA, pode ficar abaixo de 30 mil euros (uma empresa consegue recuperar quase 6800 euros do IVA) no nível de acesso (Zen), cujo PVP para clientes particulares é de 36.350 euros.

O nível R.S. Line que conduzimos custa a partir de 39.750 euros para particulares.

Megane Sport Tourer PHEV (2020) Preço Base ISV IVA PVP
Zen 28.934€ 618,41€ 6797,15€ 36.350€
Intens 30.072€ 618,51€ 7058,94€ 37.750€
R.S. Line 31.698€ 618,41€ 7432,93€ 39.750€
Dimensões da Renault Megane Sport Tourer IV (facelift)

Mais informações sobre todos os automóveis elétricos e híbridos plug in na nossa secção de mercado.

Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Notify of