José Carlos Ferreira
José Carlos Ferreira
Investigador do MARE - Centro de Ciências do Mar e do Ambiente e Professor do Departamento de Ciências e Engenharia do Ambiente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa

As Infraestrutura Verdes contribuem para a atenuação da degradação ambiental e manutenção da biodiversidade, para a proteção e valorização dos ecossistemas, dos territórios naturais, rurais e urbanos, para a mitigação e adaptação às alterações climáticas, e para a redução dos impactes face a determinados riscos com incidência territorial, promovendo, desta forma, uma comunidade mais resiliente

Infraestruturas verdes: trabalhar COM a natureza e não CONTRA a natureza

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O processo de planeamento ambiental, ordenamento e gestão do território a diferentes escalas, da nacional à local, tem por base a proteção e integração dos elementos biofísicos, culturais, recreativos e paisagísticos. Deve orientar as intervenções antrópicas no sentido de reconhecer, conservar e valorizar os elementos naturais e culturais que, por terem características únicas, deverão ser sujeitos a um ordenamento e planeamento ambientalmente sustentáveis, contribuindo desta forma para a qualidade de vida dos seus habitantes. Acresce ainda a necessidade de proceder a estratégias e processos de adaptação para aumentar a resiliência das comunidades costeiras aos impactos das alterações climáticas. 

As infraestruturas verdes e a gestão de base ecológica tem vindo a assumir-se como uma estratégia inteligente e eficiente na adaptação às alterações climáticas dos território e das comunidades costeiras.

Tornar comunidades mais resilientes

A definição e integração do conceito de “Infraestrutura Verde” no processo de planeamento e gestão de territórios sensíveis e complexos, como p.e. a zona costeira, apresenta um conjunto de benefícios, que tornam na sua generalidade, as comunidades mais resilientes e contribuem para o estabelecimento de um quadro favorável à implementação de ações e políticas territoriais mais sustentáveis e de base ecológica

De acordo com a Comissão Europeia, a Infraestrutura verde pode ser definida como uma rede interconectada de áreas naturais, seminaturais e artificiais estrategicamente planeadas, capazes de conservar o capital natural do território e fornecer uma gama de diferentes serviços de ecossistemas à população e à vida selvagem. (Comissão europeia, 2013). 

Mitigação das alterações climáticas

A estratégia eficiente e inteligente de adaptação e mitigação às alterações climáticas, passa por trabalhar com a natureza e não contra ela. A definição e integração de Infraestruturas verdes que suportem modelos de ordenamento de base ecológica e que implementam infraestruturas que privilegiam soluções de base natural (nature-based solutions) assentes nos serviços dos ecossistemas, tem vindo a afirmar-se como uma solução sustentável devido a um custo-benefício muito favorável. 

A infraestrutura verde, quer como ferramenta de planeamento (figura 1), quer como infraestrutura propiamente dita (figura 2 e Figura 3 ), tem a capacidade de fornecer benefícios ecológicos, económicos e sociais através de soluções naturais, assente na salvaguarda do capital natural das áreas de maior sensibilidade, no valor ecológico e na biodiversidade, adaptada à perigosidade, vulnerabilidade e riscos. 

Assim, as Infraestrutura Verdes contribuem para a atenuação da degradação ambiental e manutenção da biodiversidade, para a proteção e valorização dos ecossistemas, dos territórios naturais, rurais e urbanos, para a mitigação e adaptação às alterações climáticas, e para a redução dos impactes face a determinados riscos com incidência territorial, promovendo, desta forma, uma comunidade mais resiliente.

 “O mundo deve adotar uma regra simples: se grandes projetos de infraestrutura não são verdes, eles não deveriam receber luz verde. Ao contrário, ficaremos presos a más escolhas nas próximas décadas. Investir em desenvolvimento “amigo” do clima é dinheiro aplicado de forma inteligente ” Secretario Geral da Nações Unidas, António Guterres, (UN Climate Conference – COP23- Bona, Alemanha)

 

Referências

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