A Aliança Europeia para a Saúde Pública (European Public Health Alliance – EPHA) lançou um novo relatório intitulado “Custos de Saúde da Poluição do Ar nas Cidades Europeias e a ligação com os transportes”.

Este estudo, dado a conhecer pela associação Zero, confirma que a poluição do ar afeta a nossa saúde, mas também sobrecarrega toda a sociedade com enormes custos.

O estudo da EPHA investigou os custos sociais relacionados com a poluição do ar em 432 cidades europeias em 30 países (UE27, Reino Unido, Noruega e Suíça), nomeadamente analisando os custos sociais, como a redução da esperança de vida, medida pela vontade de evitar consequências negativas.

O estudo também encontra evidências de que as políticas de transporte influenciam de modo decisivo os níveis de poluição do ar nas cidades, mostrando como um maior número de veículos nas estradas e o aumento do congestionamento significam níveis mais elevados de poluição do ar e, portanto, aumentam os custos para a sociedade.

A análise refere que em 2018, os custos sociais totais para todas as 432 cidades analisadas foram superiores a 166 milhares de milhões de euros – em média, os custos totais dos problemas causados ​​pela poluição do ar numa cidade são iguais a 3,9% do PIB. “Isso significa que cada cidadão perde mais de 1000 euros em bem-estar por ano devido à má qualidade do ar”, afirma a associação Zero.

A hora dos municípios atuarem

Mediante estas conclusões, a Zero e a Health and Environment Alliance (HEAL) – uma organização Europeia sem fins lucrativos, com mais de 90 membros (incluindo fora da UE), que trabalha na relação do binómio saúde / ambiente – destacam “a importância dos municípios aproveitarem a oportunidade de melhorar a saúde dos seus cidadãos de forma dramática e rápida, implementando:

  • Centros urbanos sem carros com espaços verdes e áreas pedonais.
  • Expansão de ciclovias seguras dentro e ao redor dos centros das cidades.
  • Alternativas de transporte público para todos, confiáveis, acessíveis, económicas e sem recorrer ao uso de combustíveis fósseis.
  • Expansão de áreas verdes como parques, jardins comunitários ou plantação de fachadas (paredes verdes)”.

Em 2018, os custos sociais totais para todas as 432 cidades analisadas foram superiores a 166 milhares de milhões de euros

Olhando para os resultados da cidade de Lisboa, que tem os custos sociais mais elevados em Portugal com um total de aproximadamente 636 milhões de euros por ano (1159 euros por pessoa por ano), Francisco Ferreira da Zero afirma que “as políticas e medidas para reduzir a poluição atmosférica em Lisboa são urgentes e têm que ser implementadas muito mais rapidamente para que possamos reduzir os enormes custos com saúde, mas também como melhor resposta de uma cidade que, em 2020, é a Capital Verde Europeia”.

 

→ Para aceder ao estudo, clique aqui.

No Porto, os custos sociais da poluição do ascendem a 226 milhões de euros por ano, 950 euros por pessoa por ano. “Na cidade do Porto é importante continuar a investir nas ciclovias e transformar as zonas centrais da cidade em zonas pedonais, de forma a melhorar a qualidade do ar da cidade e reduzir os custos sociais associados à má qualidade do ar”, afirma Susana Paixão, da Sociedade Portuguesa de Saúde Ambiental.

O estudo mostra que a redução do número de deslocações diárias e a posse de carro próprio teriam resultados positivos diretos na qualidade do ar e nos custos sociais da má qualidade do ar nas cidades.

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