As principais associações de construtores de automóveis e de componentes em Espanha e Portugal aproveitaram a oportunidade da realização da 31ª Cimeira Ibérica, que irá decorrer na Guarda (Portugal) a 10 de outubro, para solicitar “um maior compromisso, por parte dos governos de ambos os países, para definir uma estratégia que garanta a viabilidade sustentável da indústria automóvel na sua transformação para uma mobilidade sustentável, livre de emissões”.

A declaração tem como protagonistas do lado espanhol a ANFAC (Asociación Española de Fabricantes de Automóviles y Camiones) e a SERNAUTO (Asociación Española de Proveedores de Automoción).


Do lado português, o comunicado é subscrito por ACAP (Associação Automóvel de Portugal) e AFIA (Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel) .


Numa declaração conjunta, assinada pelos presidentes de cada uma das associações automóveis luso-espanholas destaca-se o momento crucial que o setor está a passar, com o processo de reindustrialização, para fazer face aos desafios da descarbonização e digitalização que surgem para fazer face à nova indústria da mobilidade.
Tudo isto, no contexto do forte impacto económico e industrial da crise provocada pela COVID-19.

As associações destacam o facto de que o setor automóvel estar “imerso num processo de transformação para uma nova mobilidade que deve ser mais eficiente, sustentável e acessível”.

Plano de Incentivos ao Abate

Por conseguinte, prossegue a declaração, “é necessário estabelecer as bases para a construção de uma estratégia e de um plano de ação que responda à transição para a mobilidade de emissões zero através de incentivos financeiros e não financeiros, renovação do parque circulante com a criação de um Plano de Incentivos ao Abate, desenvolvimento de uma poderosa infraestrutura de recarga, apoio ao desenvolvimento e implementação de condução autónoma e conectada, um roteiro coerente para o desenvolvimento de futuras normas de emissões de CO2 e um quadro regulamentar homogéneo para o transporte de bens entre os dois países”.

Isto em consonância “com os objetivos de transformação ambiental e digital da União Europeia, permitindo que a indústria automóvel em Espanha e Portugal se mantenha na vanguarda desta transformação”, apelam ANFAC, SERNAUTO, ACAP e AFIA.

“É preciso um plano de ação que responda à transição para a mobilidade de emissões zero através de incentivos financeiros e não financeiros”

José Ramos, Presidente da ACAP, afirmou que “é de importância crucial, para o nosso setor, que o governo português implemente um plano de incentivo ao abate de veículos antigos. O nosso parque circulante é um dos mais velhos da Europa, e este plano é muito importante para se alcançar a redução das emissões de CO2, contribuindo assim para a descarbonização da economia”.

Sabia que…
… a indústria automóvel é um importante setor estratégico para a economia e o emprego na região ibérica, sendo responsável por 11% do PIB espanhol e 6% do PIB português? Representa ainda 9% de emprego em relação à população ativa em Espanha e 12% em Portugal.

José Couto, Presidente da AFIA, refere, por seu lado, que “a indústria automóvel tem uma relevância importante tanto para as economias de Portugal como para Espanha, devido à sua capacidade de exportação, à criação de empregos qualificados, ao valor acrescentado e ao efeito catalisador noutros setores, nomeadamente enquanto motor da capacidade competitiva do ecossistema científico. Por isso, é fundamental estabelecer um quadro que garanta uma transformação cuidadosamente gerida para alcançar com sucesso a descarbonização e a digitalização da economia”.

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