Na sequência das restrições resultantes da pandemia do novo coronavírus, a CP e a RENFE suspenderam os serviços internacionais de passageiros por comboio para Madrid e Hendaye/Paris. Como resultado, Portugal não tem neste momento ligações ferroviárias com capitais do resto da Europa.

A associação ambientalista Zero considera esta situação inadmissível e exige que na próxima Cimeira Ibérica que se realiza hoje, dia 10 de outubro, na Guarda, seja anunciada a reposição destes serviços internacionais.

“Qualquer outro resultado significará um fracasso para uma cimeira que pretende precisamente discutir questões de mobilidade e ambiente entre os dois países”, aponta a Zero que relembra que, em dezembro do ano passado, o serviço para Madrid foi símbolo da mobilidade sustentável entre os dois países na sequência da passagem por Portugal da jovem ativista sueca Greta Thunberg a caminho da Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas em Madrid.

ZERO quer reposição urgente dos serviços internacionais de comboio para passageiros

“Apesar da extensa fronteira, não existem praticamente serviços ferroviários entre Portugal e Espanha, situação única no contexto europeu e incompreensível face aos compromissos assumidos para a redução das emissões de dióxido de carbono, o principal gás responsável pelas alterações climáticas”, alertam os ambientalistas.

“Consideramos inaceitável não existir uma perspetiva de reposição dos serviços internacionais da CP/RENFE, quando, ao mesmo tempo, a ligação aérea para Madrid, no período pré-pandemia, era a que mais passageiros movimentava a partir de Lisboa, representando cerca de 110 mil toneladas de emissões anuais de dióxido de carbono”, declara a associação Zero.

31ª Cimeira
Luso-Espanhola decorre na Guarda

Para além da reposição dos serviços internacionais, a Zero clama que a Cimeira Ibérica seja uma oportunidade para definir o desenvolvimento de novas ligações e serviços ferroviários entre os dois países, incluindo a ligação através de Espanha a França, quer no que respeita a transporte de passageiros, quer de mercadorias.

“As metas de redução de emissões exigem uma transição para formas de mobilidade sustentável, o que é incompatível com uma dependência exclusiva da aviação e transporte rodoviário nas ligações internacionais a partir de Portugal. Deve assim ser definido e apresentado um calendário e um plano de longo-prazo suficientemente explícitos com os objetivos a atingir ao longo dos próximos anos. Neste quadro devem ser definidos os compromissos de cada um dos países em termos de investimento”, conclui a Zero.

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