Além de “smart”, Porto Santo quer ser agora uma ilha mais ecológica e mais consciente sobre o uso de plástico. Está em curso desde o dia 1 de setembro o projeto “Porto Santo Sem Lixo Marinho”, o qual envolve diferentes parceiros que irão trabalhar em conjunto para identificar o fluxo e a descarga de resíduos plásticos, ao mesmo tempo que promovem a otimização da sua gestão e sensibilizam a população local e turistas para a problemática causada pelo lixo plástico nos oceanos.

O projeto “Porto Santo Sem Lixo Marinho” conta com um cofinanciamento atribuído pelo Programa Ambiente dos EEAGrants.

O projeto “Porto Santo Sem Lixo Marinho” é liderado pela Associação Natureza Portugal (ANP), em associação com a WWF (World Wide Fund for Nature), e tem como parceiros a AIDGLOBAL – Ação e Integração para o Desenvolvimento Global, a ARM – Águas e Resíduos da Madeira, a Câmara Municipal de Porto Santo e o polo do MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente na Madeira, acolhido pela Agência Regional para o Desenvolvimento da Investigação, Tecnologia e Inovação (MARE-ARDITI), e conta ainda com o apoio da WWF Noruega e da Secretaria Regional do Ambiente e Alterações Climáticas do Governo Regional da Madeira. Em conjunto, estes parceiros pretendem travar a fuga de plásticos para o oceano e, dessa forma, contribuir para a diferenciação e valorização da ilha do Porto Santo.

“A transição para uma economia circular e sustentável passa pela implementação de projetos como este, com um foco nas comunidades e que promovem a cooperação e troca de conhecimentos entre autoridades, empresas e sociedade civil, pois são elas que fazem a diferença no dia-a-dia. Para nós, ANP|WWF, este é um projeto muito importante, pois é o nosso primeiro fora do território continental, e que vemos como pioneiro no nosso país pela relevância para a comunidade local, para quem visita a ilha, para a vida e saúde humana e para a Natureza” – Ângela Morgado, Diretora Executiva da ANP|WWF.

Ao longo de 18 meses, o projeto será desenvolvido através de três fases. Na primeira, será feita uma avaliação do fluxo e descarga dos resíduos e lixo marinho da ilha, para, numa segunda fase, todos os agentes poderem proceder a uma otimização da gestão desses resíduos. Na terceira e última etapa do projeto, será feita uma campanha de comunicação e sensibilização que tem como objetivo reduzir radicalmente o consumo de descartáveis e, assim, os plásticos que acabam no mar.

As características da ilha do Porto Santo, que foram reconhecidas na categoria de Reserva da Biosfera da UNESCO, são agora reconhecidas como o cenário ideal para outras valorizações desta região. O projeto pretende testar mecanismos inovadores de recolha e valorização dos resíduos de plástico com o envolvimento de todas as partes interessadas. Algumas destas ações vão desde pontuais limpezas de praia, passando por criar um selo de compromisso com entidades locais e colocar em prática um sistema de recolha de garrafas, até uma App que ajude a identificar pontos críticos de poluição por plásticos.

No âmbito deste projeto, já teve lugar na ilha de Porto Santo no dia 19 de setembro – Dia Internacional de Limpeza Costeira, uma campanha de limpeza em zonas costeiras.

A ANP explica que com uma população residente superior a 5000 habitantes, Porto Santo é uma ilha atlântica de eleição para a classe turística que chega a atingir dormidas anuais à volta das 500.000 nas estações mais quentes.

“A quantidade de lixo, essencialmente plástico, acumulado nesta região estima-se alta e é urgente fazer um levantamento concreto e preciso destes dados. Posteriormente estes dados serão trabalhados e usados de forma mais operacional para otimizar a gestão destes resíduos na ilha, através de um Plano de Gestão Comunitário”, refere a ANP.

Em outubro inicia-se a primeira fase do projeto, referente ao levantamento de dados e amostragem com ajuda de equipamento adequado a este tipo de operações. Esta fase do projeto será coordenada pelo MARE-ARDITI e estará integrada numa campanha de amostragem mais alargada naquela ilha.

► Para Susana Damasceno, presidente da Direção da AIDGLOBAL, “fazer parte deste projeto é contribuir para o desenvolvimento local e global. Proteger a vida marinha (ODS 14) é mais um passo no longo caminho de ação e sensibilização que temos percorrido, sendo que este projeto tem um valor especial pois realiza-se na ilha onde desde há dois anos estabelecemos uma delegação”.

► Para João Canning Clode, do MARE-ARDITI, “este projeto dará com certeza um empurrão ao muito necessário conhecimento científico acerca da problemática do lixo marinho, nomeadamente tentar perceber qual é a verdadeira magnitude do problema no Porto Santo”.

► Para Amílcar Gonçalves, presidente do Conselho de Administração da ARM, “esta iniciativa, em colaboração com as diversas entidades envolvidas, será sem dúvida um grande passo para a promoção e melhoria da qualidade ambiental e de vida do Porto Santo, mais concretamente quanto à gestão dos resíduos desta ilha e o seu correto encaminhamento para tratamento e/ou destino final adequados”.

► Para Idalino Vasconcelos, presidente da Câmara Municipal do Porto Santo destaca que um dos objetivos da autarquia por si presidida é a definição de “políticas que promovam o desenvolvimento sustentável, executando medidas concretas que visam a melhoria da qualidade de vida das suas populações, numa estratégia conseguida através do estabelecimento de diversas parcerias que a fortalecem e levam mais longe”.

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