A BP alegou, através de um prognóstico divulgado recentemente, que o petróleo pode ter atingido o seu limite devido à pandemia.  A empresa também acredita que as energias renováveis vão “roubar protagonismo” aos combustíveis fósseis.

O estudo da BP: “2020 Energy Outlook”

A BP publicou recentemente o “2020 Energy Outlook”, um estudo com conclusões notoriamente diferentes das apresentadas em 2019. Nomeadamente quando, neste último relatório, o grupo defende que o consumo de combustíveis pode vir a crescer durante a próxima década, atingindo o seu pico em 2030.

O “2020 Energy Outlook” inclui a referência àquilo que pode vir a ser a exploração da transição energética até 2050. Em cima da mesa foram colocados três cenários hipotéticos. Comecemos por falar do cenário “Rapid Transition”. Neste a BP prevê que as emissões de carbono provenientes de fontes energéticas caiam em cerca de 70% até 2050. Temos também de falar do cenário “Net Zero”. Onde a multinacional antevê que a queda das emissões de carbono provenientes de fontes energéticas, em 2050, ultrapasse os 95%. O último dos três cenários foi apelidado de “Business-as-usual”. O prognóstico da BP é então que as emissões, em 2050, estejam apenas 10% abaixo dos níveis registados em 2018.

“Os cenários ajudam a ilustrar a amplitude dos resultados que podem vir a ser atingidos nos próximos 30 anos”. Contudo, “a incerteza é substancial e os cenários não oferecem uma descrição exaustiva de todos os eventuais acontecimentos futuros”. Tal como a BP fez questão de realçar.

Pontos comuns aos três cenários

“Algumas medidas políticas e mudanças associadas às preferências da sociedade levaram a que se registasse um declínio na partilha de hidrocarbonetos como carvão, petróleo e gás natural no sistema global de energia”. A marca vai mais longe acrescentando que esse mesmo declínio “está interligado com o atual crescimento do papel das energias renováveis à medida que o mundo se vai eletrificando”. Factos evidenciados e debatidos nos três cenários que a BP defende como possível futuro da indústria petrolífera.

No entanto, apesar das semelhanças entre as várias previsões feitas, existem algumas especificidades que importam esclarecer. O declínio associado aos hidrocarbonetos, apesar de presente em todos, tem intensidades notoriamente distintas naquilo que são os três cenários. O mesmo se passa com as energias renováveis e a previsão do seu crescimento, divergente entre cenários. “Nos primeiros dois cenários apresentados pela BP, o COVID 19 veio intensificar o abrandamento do consumo de petróleo”. O que originou “o pico verificado no ano passado”. Já no cenário que marca apelidou de Business-as-usual, “a procura de petróleo vai disparar até 2030”.

O economista Spencer Dale, chefe da BP, diz entender a transição energética como “um acontecimento sem precedentes”. Isto porque “nunca, na história moderna, verificamos que a procura por qualquer combustível negociado tenha diminuído em termos absolutos”, defende. Além de que, é importante frisar, “as energias renováveis têm protagonizado um crescimento mais rápido do que qualquer outro combustível alguma vez registou na história”, afirma.

O investimento de mil milhões de dólares

Já nos temos vindo a aperceber que, em algum momento da história, os combustíveis fósseis vão “perder” para as chamadas energias verdes. De entre as quais: a energia eólica, solar e hidrelétrica. Isso é resultado do facto do petróleo ter chegado ao seu limite por influência de uma pandemia como a que estamos a viver.

Consciente disso, a BP decidiu investir mil milhões de dólares (cerca de 854 milhões de euros) em offshores de energia eólica, nos Estados Unidos da América. Esse mesmo investimento foi divulgado recentemente pelo site notícias Electrek que acusou a BP de ter “bom senso face ao meio ambiente e ao negócio”. Nas palavras deste meio de comunicação dedicado ao transporte elétrico e energia sustentável, “a BP sabe para onde o mercado está a ir”. Além disso, “a multinacional sedeada no Reino Unido está consciente que as mudanças climáticas também têm impacto na economia”. Daí considerar que “a economia global vai abrandar nos próximos 20 anos”, acrescenta.

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