A Volkswagen aproveitou o ENVE 2020 (Encontro Nacional de Veículos Elétricos), em Belém, Lisboa, para mostrar, pela primeira vez, ao grande público o seu elétrico ID.3 e entregar aos primeiros clientes nacionais os primeiros exemplares do modelo.

O evento, que se tem vindo a afirmar como o maior do género realizado em Portugal dedicado à mobilidade elétrica, decorre este fim-de-semana (sábado 19 de setembro e domingo 20 de setembro), mas aproveitando o “Media Day” para a comunicação social que decorreu esta sexta-feira, o Watts On sentou-se ao volante do compacto elétrico da VW.

3 versões
Esta edição ID.3 First, limitada a 80 veículos em Portugal e com características exclusivas, estará disponível com três versões: ID.3 First (equipamento base); ID.3 First Plus (equipamento orientado para o design); ID.3 First Max (equipamento orientado para a tecnologia). Assim, o ID.3 1st Max (nível de equipamento que experimentámos) é o modelo mais equipado da gama ID.3 1st. Este modelo tem o mesmo motor com uma potência de 204 cv (bateria de 58 KWh) e uma autonomia de 420 km (ciclo WLTP), mas conta com um equipamento mais enriquecido com um preço a partir de 49.480€.

ID.3 First
Versão Preço
1st 38.016€
1st Plus 43.746€
1st Max 49.478€

 

Equipamento específico de cada versão

ID.3 First – Jantes de 18 polegadas “East Derry”; luz ambiente 10 cores; consola central com compartimento de arrumação; painéis das portas com acabamento em tecido.

ID.3 First Plus – Jantes de 19 polegadas “Andoya”; luz ambiente 30 cores; consola central com compartimento de arrumação iluminado e cobertura deslizante; painéis das portas com acabamento em pele sintética; câmara traseira; LED Matrix; faixa de LED iluminada entre faróis; iluminação de puxadores das portas.

ID.3 First Max – Jantes de 20 polegadas “Sanya”; head-up display (realidade aumentada); teto panorâmico; compartimento mala de viagens bagageira; interface para carregamento de telemóvel por indução; ajuste lombar pneumático com função de massagem; Travel Assist + Lane Assist + Lane Keeping System + Emergency Assist.

O objetivo foi fazer um primeiro ensaio dinâmico do modelo na sua variante First Edition, mais equipada (por se tratar da uma edição de lançamento) e até mais desportiva dado que esta First Edition ganhou um upgrade na aceleração, como à frente explicaremos.

O ID.3 está para a VW na era elétrica como o Golf esteve para a marca alemã na era dos motores de combustão interna, surgindo com uma bateria de 58 kWh e a promessa de 420 km de autonomia, um registo que permite que este modelo entre no clube dos EV que já não criam ansiedade da autonomia nos seus proprietários.

O velho e-Golf? Esqueça: o ID.3 é muito melhor e mais barato

De resto, agora que o e-Golf saiu de cena com a oitava geração Golf, este ID.3 pelo seu posicionamento no mercado pode ser encarado como o novo “Golf elétrico”, mas… ainda melhor: mais autonomia (o e-Golf tinha 35,8 kWh e um alcance de 231 km), mais potência (o e-Golf oferecia 100 kW/136 cv) e mais barato ainda por cima (o e-Golf custava 42.816 euros).

Claramente, há um antes de um depois em termos de veículos elétricos na Volkswagen, a partir deste ID.3.

Ao entrarmos neste novo elétrico, o habitáculo evidencia um equilíbrio entre tradição e modernidade.

O campo de visão é bom, graças a grandes superfícies vidradas, e a luminosidade do veículo sai a ganhar com o teto panorâmico que a unidade que tivemos nas mãos possuía e que é mesmo o maior de toda a gama de modelos da Volkswagen.

A qualidade percebida dos materiais é globalmente boa, ainda que díspar: bastante agradável ao toque na parte superior do tablier, contudo de aspeto pobre na parte mais inferior, onde o olhar alcança menos, com plásticos rijos.

Boa habitabilidade

A plataforma MEB (Modular E-Drive Kit), na qual assenta o ID.3, dá ao modelo uma boa habitabilidade, com os ocupantes a beneficiarem de espaço generoso para os seus 4.261 mm de comprimento (um Golf mede 4.284 mm). O ID.3 é, aliás, o primeiro Volkswagen baseado na nova plataforma modular elétrica (MEB).

A sensação de se viajar à vontade é especialmente sentida nos lugares traseiros não apenas ao nível dos joelhos, como ao nível dos ombros até porque este ID.3 (com 1.809 mm de largura) é ligeiramente mais largo do que um Golf (1.789 mm de largura).

A maior habitabilidade também sai a ganhar já que os componentes elétricos sob o capot ocupam bastante menos espaço por comparação com um bloco a combustão interna.

Assim, de um modo direto e prático: sim, tem mais espaço do que um Golf, além de que os cinco ocupantes podem beneficiar da inexistência de um túnel central. Na verdade, o espaço interior está mais nivelado com um Passat do que um Golf.

Este ID.3 tem uma distância entre eixos de 2765 mm, ao passo que o Golf tem 2636 mm. Um Passat tem 2786 mm.

Com exceção das hastes satélites situadas à esquerda (para regular o alcance doas faróis) e à direita da coluna de direção (para ativar o limpa para-brisas) que são da “velha geração” e destonam do ambiente arejado do modelo, todos os demais comandos são de design moderno, a maioria de acionamento tátil (das “teclas” do ar condicionado na zona central do tablier aos próprios “botões” para abrir as portas (localizados no forro da porta do condutor) ou para ligar as luzes (à frente do lado esquerdo do condutor).

Embora o seu design sugira serem “touch”, os comandos no volante precisam, todavia, de receber uma pressão extra para serem ativados. Na unidade que conduzimos, não conseguimos ativar algumas funções por aparente indisponibilidade do serviço.

Quatro cores exteriores
O ID.3 First é proposto com quatro cores exteriores – Branco Glacier, Cinza Mangan, Verde Makena e Cinza Moonstone – e interiores em preto e cinza Platinum (First), Branco e Laranja Safrano, Branco e Cinza Dusty Dark, e Preto e cinza Dusty Dark (First Plus).

Por se tratar da First Edition, esta unidade inclui detalhes estéticos específicos, como logótipos no exterior e no interior alusivos a esta edição.

Em andamento, o ID.3 tem um pisar sólido, mesmo quando passa por cima de buracos e irregularidades.

Curva com precisão e estabilidade (algo a que não é alheio a localização e o peso das baterias que fazem com este modelo pese 1719 kg) e a direção é precisa.

Para as manobras citadinas apertadas, este jovem elétrico VW destacou-se pela sua agilidade e pelo seu diâmetro de viragem excecional (10,2 metros), ao nível de carros de tamanho mais pequeno.

Do ponto de vista do conforto, os bancos assumem uma consistência firme, garantindo o necessário apoio lateral nas curvas para o condutor.

A Volkswagen oferece uma garantia de oito anos ou 160.000 km para as baterias do ID.3.

O ID.3 que guiamos (na cor Verde Makena, um extra que custa 587,88 euros) tinha jantes de 20’’ e pneus 215/45 R20’’. Apesar desse “calçado” potenciar maiores ruído no rolamento do que uma solução de 19’’, o modelo pareceu sempre bem insonorizado.

A disponibilidade da potência do motor no eixo traseiro (150 kW/204 cv e binário máximo de 310 Nm) e da tração traseira agradou-nos bastante, com o modelo a ter facilmente energia para vencer subidas íngremes ou ultrapassar sem dificuldade, mal se pisa o acelerador, cujo pedal tem a originalidade de ter o símbolo “Play” desenhado (já o pedal do travão tem o símbolo da “Pausa”).

Manípulo giratório por trás do volante

Original é igualmente o comando da caixa de velocidades: trata-se de um manípulo giratório por trás do volante (rodar para a frente engrena-se o “D” ou o “B”; rodar para trás engata-se a marcha-atrás; um botão “P” no topo desse comando destina-se a estacionar o carro). No início, estranha-se, mas depois entranha-se, como diria Fernando Pessoa.

Ainda em termos de “performance”, o ID.3 1ST que conduzimos acelera em 7,3 segundos dos 0 aos 100 km/h, uma prestação que é dois segundos mais rápida do que o ID.3 que será vendido depois desta edição de lançamento. Isso funciona como um bónus para os primeiros clientes do modelo – a First Edition ganhou um upgrade na aceleração, o que faz com que o ID.3 1ST acelere quase como um Golf GTI.

A travagem regenerativa é maior em “B” do que em “D” como seria de supor, mas o grau de regeneração não é ajustável.

O ID.3 First Edition tem uma bateria de 58 kWh. Mais à frente, o ID.3 terá a opção de uma bateria mais pequena, com uma capacidade de 45 kWh e uma autonomia máxima de 330 km, bem como uma bateria maior, com uma capacidade de 77 kWh e uma autonomia máxima de 550 km.

Neste contacto, não colocámos o ID.3 First Edition à carga, mas a marca informa que a bateria de 58 kWh pode ser recarregada com uma capacidade de carga máxima de corrente alterna (AC) de 11 kW e DC de 100 kW. Nesse cenário mais favorável, o veículo carrega em 30 minutos cerca de 290 km de autonomia (WLTP).

Por contraponto, refira-se que a bateria base que o modelo terá (45 kWh) pode ser recarregada com uma capacidade de carga máxima de 7,2 kW (AC) e 50 kW (DC). Opcionalmente, o carregamento de 100 kW também está disponível.

Por seu lado, a bateria mais capaz (77 kWh) pode ser carregada numa fonte de energia AC, com uma potência máxima de carregamento de 11 kW, enquanto em corrente contínua (DC) oferece até 125 kW.

Em termos de consumos, procurámos mais no teste aquilitar as capacidades dinâmicas do veículo, algo que levou a que os consumos tenham ficado elevados e quase o triplo do que teria sido uma mais normal utilização.

Assim, o construtor aponta para uma média de 13,8 kWh/100 km. As nossas estimativas numa utilização real vão no sentido de que se atinjam médias de 16,8 kWh/100 km.

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