No âmbito do programa da Semana Europeia da Mobilidade, a Câmara Municipal da Amadora organizou em parceria com a EcoMood Portugal a conferência “On Mobility” Amadora 2020 a propósito das soluções na mobilidade urbana.

Miguel Gaspar, vereador da Mobilidade da Câmara Municipal de Lisboa, afirmou que na inevitável mudança de paradigma que as áreas metropolitanas terão de assumir para responder às exigências de mobilidade e sustentabilidade “é necessário, nos próximos dez anos, criar cidades com mais espaço e mais humanizadas”.

“Se houve algo que a crise da pandemia nos mostrou foi que é insustentável este modelo de sociedade que erguemos  ao longo de décadas e que é fonte de poluição, falta de espaço e congestionamentos”, refere Miguel Gaspar.

O autarca defende que a revolução nos transportes tem, por isso, de ser acelerada: “Se tivermos em consideração os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável que ficámos de cumprir até 2030 para entregarmos uma cidade melhor aos nossos filhos e netos, só temos dez anos. Temos de fazer muito mais e mais depressa pelos transportes públicos do que fizemos até aqui. Em dez anos, temos de trazer para a Área Metropolitana de Lisboa investimentos pesadíssimos e absolutamente estruturantes como nunca fizemos até hoje”.

Na conferência realizada no emblemático espaço dos Recreios da Amadora, Miguel Gaspar sublinhou a necessidade de concretização no espaço de sete a dez anos da rede estruturante de transporte público na Área Metropolitana de Lisboa, com linhas de Metro ligeiro entre Lisboa e Oeiras, Lisboa e Loures, Amadora, Metro Sul do Tejo e reforço do transporte fluvial.

O autarca frisou que não são necessários mais planos, mas o que se impõe é concretizar aquilo que está previsto desde 2003.

Miguel Gaspar referiu que “a mobilidade proporcionada pelos transportes coletivos pela sua densidade de transporte tem de ser a espinha dorsal das cidades. Se queremos cidades com mais espaço, temos de ter transportes com maior capacidade”.

Cidades terão de dar resposta com carregadores

Em matéria de eletrificação, o autarca considera que “a indústria automóvel está sob grande pressão para cumprir com os objetivos ambientais da Comissão Europeia, nomeadamente para a eletrificação das frotas”, o que fez alavancar investimentos avultados na mobilidade elétrica e na mobilidade como um serviço (Mobility-as-a-Service (MaaS).

O responsável da autarquia lisboeta afirma que as cidades terão de dar resposta também com investimento em postos de carregamento até porque a Comissão Europeia tem como objetivo que metade dos carros nas cidades sejam elétricos em 2030.

Segundo o vereador, “no caso de Lisboa, em que 60% dos prédios não têm garagem, a introdução de uma rede de carregamento é altamente complexa”.

Outro desafio – salienta Miguel Gaspar – é o espaço: “É por isso que temos de reduzir o número de carros. O que está em causa é inverter um paradigma que existiu nos anos 90 em que as cidades foram desenhadas para os veículos – temos de desenhar as cidades para os utilizadores vulneráveis”, afirma.

Em resposta aos críticos, o vereador da Mobilidade da capital diz que “não somos contra os carros. Mas as cidades têm de ser acessíveis não apenas a automóveis, mas a outros meios de mobilidade, incluindo quem anda de transporte público, a pé ou bicicleta”.

E apesar de “termos de eletrificar as frotas nas cidades, não nos podemos esquecer que 100 mil carros com motores de combustão ocupam o mesmo espaço que 100 mil viaturas elétricas. Por isso, é fundamental acelerar toda uma transformação de um modelo de sociedade e mobilidade que foi o modelo que vigorou durante muitos anos. Temos de redesenhar as cidades”, voltou a insistrir o vereador.

Miguel Gaspar cimentou a sua intervenção, referindo que “temos de ter ambição e de agir depressa”.

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