“Viu um golfinho ou uma baleia? Partilhe os seus avistamentos e contribua para a investigação de cetáceos em Portugal”. Este é o mote para o projeto de ciência-cidadã CETASEE que permite associar a investigação à literacia azul e ao engajamento do grande público em estratégias de conservação.

O projeto CETASEE está a ser desenvolvido pela investigadora Ana Rita Luís, do pólo ISPA do MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, em parceria com a especialista em ciência-cidadã Patrícia Tiago, fundadora da ONG Biodiversity4all e membro do centro de investigação CE3C da Faculdade de Ciências de Lisboa.

CETASEE, um projeto de ciência-cidadã aliado à investigação de cetáceos em Portugal

Mapa das observações. Fonte: Plataforma Biodiversity4all
Investigadora Ana Rita Luís

Ana Rita Luís enfatiza o facto do território marítimo português ser um dos maiores da Europa, ainda que o património natural ainda continue, em grande parte, por descobrir. Um exemplo notório – diz esta cientista – é o relativo (des)conhecimento acerca dos cetáceos que ocorrem na zona continental do país.

A importância dos cetáceos

“Os cetáceos são espécies-chave nos ecossistemas marinhos e indicadores de condição devido ao seu papel nas teias tróficas. Ainda assim, o número de estudos dirigidos a este grupo continua a ser reduzido”, explica a investigadora ao Watts On.

Ana Rita Luís destaca que, “numa era de crescentes preocupações ambientais e enormes constrangimentos financeiros, têm emergido novas estratégias que ajudam a ultrapassar as dispendiosas metodologias aplicadas na investigação de cetáceos”.

A chamada ciência-cidadã, definida como “o envolvimento ativo do público em investigação científica”, é uma dessas estratégias, adiante a investigadora ligada ao projeto do MARE.

Segundo Ana Rita Luís, “para cetáceos, esta abordagem tem-se revelado eficaz na monitorização de tendências populacionais e no estudo de padrões de ocorrência e distribuição em países como o Reino Unido, a Austrália ou o Brasil”.

O projeto CETASEE surgiu no início de 2020 e já conta com 20 espécies identificadas

Assim, em Portugal, o projeto CETASEE surgiu no início de 2020 e já conta com 20 espécies identificadas, incluindo pequenos delfínideos como o golfinho-roaz e o boto, listados na Diretiva Habitats, mas também baleias-de-bico e baleias-de-barbas, para as quais os dados existentes não permitem aferir o seu estatuto de ameaça, avança a investigadora.

Plataforma Biodiversity4all

As observações de cientistas-cidadãos são alojadas na plataforma internacional iNaturalist, através do parceiro nacional Biodiversity4all.

As 20 espécies, para já, identificadas pela equipa de biólogos. Fonte: Plataforma Biodiversity4all

“A ciência-cidadã tem um enorme potencial, sobretudo num contexto de grande expansão dos recursos digitais”, diz a bióloga Ana Rita Luís.

“Esta é uma iniciativa baseada no ‘poder das multidões’ que já tem mais de 400 registos. Todos podem participar na (re)descoberta dos cetáceos do mar português via website em ou diretamente através da app iNaturalist, disponível para sistema Android e iPhone. Fotografar, registar e validar, são os passos que podem transformar um avistamento num contributo para a ciência”, diz Ana Rita Luís como forma de incentivar a colaboração dos cidadãos.

Para a equipa de cientistas que está empenhada neste projeto, “a ciência-cidadã tem um enorme potencial, sobretudo num contexto de grande expansão dos recursos digitais, sendo uma abordagem já utilizada no estudo de outros organismos marinhos, como tubarões e raias (Projeto FindRayShark) ou medusas (Projeto GelAVista)”.

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