Sérgio Leandro é investigador doutorado do MARE (Centro de Ciências do Mar e do Ambiente), do polo do Instituto Politécnico de Leiria e coordenador científico do Smart Ocean, um projeto nascido em 2019 que visa “apoiar o desenvolvimento sustentável da economia azul com base no conhecimento e na inovação, numa lógica de colaboração e cooperação entre diferentes atores nacionais e internacionais e de total respeito pelo oceano”.

Em declarações ao Watts On, este cientista sublinha a necessidade de se “estimular o surgimento de ideias de negócio que possam dar origem a projetos empreendedores no âmbito da economia azul”.

O Coordenador Científico do Smart Ocean não tem dúvidas: “A exploração futura dos oceanos deverá ser cada vez mais baseada no conhecimento e na inovação, por forma a não colocar em risco o bom funcionamento dos ecossistemas marinhos”.

É importante a criação de ecossistemas de inovação onde possam colaborar a comunidade científica, a indústria, as entidades oficiais e a sociedade, diz o cientista Sérgio Leandro.

Com este enquadramento – aponta ainda Sérgio Leandro – “será importante a existência de plataformas de interface que permitam a criação de ecossistemas de inovação onde possam coexistir e trabalhar de modo colaborativo a comunidade científica, a indústria, as entidades oficiais e a sociedade” no sentido de se encontrarem “soluções originais e disruptivas que permitam a exploração dos recursos e o restauro dos ecossistemas marinhos”.

Confluência de interesses

De resto, o próprio nascimento, há um ano, do Smart Ocean como associação gestora do futuro parque de ciência e tecnologia do mar de Peniche resulta da confluência de interesses de diferentes entidades públicas e privadas, com valências e competências complementares, nomeadamente a Câmara Municipal de Peniche, a Docapesca, o Politécnico de Leiria e o BIOCANT.

“O projeto Smart Ocean surge como resposta à necessidade de cada vez mais trabalharmos colaborativamente para um futuro em que possamos beneficiar cada vez mais dos oceanos, ao mesmo tempo em que contribuímos para a sua sustentabilidade”, explica Sérgio Leandro.

Este investigador do Instituto Politécnico de Leiria destaca que o propósito é que o Smart Ocean seja uma espécie de exemplo, assumindo-se “como um agente catalisador de uma economia azul baseada na exploração sustentável dos recursos marinhos, fortemente empreendedora e inovadora, e que valoriza a investigação aplicada numa lógica colaborativa entre diferentes atores”.

Polo de crescimento empresarial

Sérgio Leandro frisa que este novo projeto nacional Smart Ocean pretende ainda “vir a criar um pólo de atração empresarial e de apoio ao crescimento de startups na área da economia azul na região Oeste. Com enfoque no apoio ao crescimento de projetos empresariais, Smart Ocean assumirá as funções de aceleração, de incubação e de ‘solutions provider’, tirando partido das competências e das capacidades instaladas na região em termos do saber tradicional, da indústria e dos serviços”.

Em virtude da sua vocação de interação com a sociedade e da sua ligação ao mar, o Politécnico de Leiria é um dos sócios-fundadores da Associação gestora do Smart Ocean, “tendo um papel determinante na concetualização do ecossistema de inovação e na disponibilização das suas competências ao serviço do desenvolvimento da economia azul”.

O cientista Sérgio Leandro dá, aliás, o exemplo do Politécnico de Leiria, ao qual pertence e que, através da sua unidade de investigação MARE-Politécnico de Leiria sediada no edifício CETEMARES e associada à Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar de Peniche, tem vindo a implementar já uma estratégia colaborativa com o tecido económico regional e nacional, a qual tem permitido a criação de novos produtos e serviços no âmbito da economia azul.

Sérgio Leandro, investigador doutorado do MARE (Centro de Ciências do Mar e do Ambiente), polo do Instituto Politécnico de Leiria e Coordenador Científico do SmartOcean

Biotecnologia marinha

“No contexto Smart Ocean, o MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, através do seu polo no Instituto do Politécnico de Leiria, assegurará um apoio determinante ao nível da prestação de serviços de I&D+i na área da biotecnologia marinha, aquacultura, restauro e conservação dos ecossistemas marinhos e inovação alimentar aplicada aos recursos marinhos. Contribuirá de modo efetivo para o sucesso do Smart Ocean, afirmando cada vez mais o seu desígnio “Do Mar para a Sociedade””, assume este cientista.

Este ano 2020 marca, por isso, o início de uma nova fase de desenvolvimento do projeto Smart Ocean. A Associação gestora do Smart Ocean pretende estabelecer um conjunto de parcerias com entidades nacionais e internacionais, de modo a criar condições para atingir os seus grandes objetivos estratégicos e dar resposta às metas definidas no âmbito do ODS14 (Proteger a Vida Marinha).

A estratégia visa identificar empresas nacionais e internacionais que se encaixem nas suas áreas de atuação, e potenciem a implantação de um ecossistema de inovação em torno dos recursos marinhos.

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