Alexandra Azevedo
Alexandra Azevedo
Coordenadora da campanha Autarquias sem Glifosato/Herbicida da Quercus- Associação Nacional de Conservação da Natureza

Há claramente um limite a partir do qual tecnologia e proteção da natureza tomam caminhos opostos. Sem ecossistemas, sem serviços ecológicos não haverá economia, nem direitos humanos!

Num mundo na “corda bamba” por onde começar a regeneração?

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Com a COVID-19, a ideia de que o mundo está na “corda bamba” deixou de ser abstrata. De facto, os problemas que nos conduziram a esta pandemia não são novos …

A forma como estamos a gerir toda esta situação evidência, também, a desorientação da nossa sociedade. Cada vez mais pessoas, quiçá a maioria, já perceberam que temos de mudar, que temos de cuidar do planeta… mas deste discurso e perceção às ações concretas, vai contudo uma grande distância! E as confusões começam logo na  tentativa de resposta à questão: que ações concretas? E mesmo que haja consensos, a incoerência ameaça corroer o processo …

Os motivos da mudança

Podemos mudar por dois motivos: por consciência ou por fatores que não controlamos. Esta pandemia está a forçar-nos para a segunda hipótese. Com mais ou menos medidas para conter a pandemia e para a recuperação pós-pandemia, teremos sempre pelo caminho fatores que não controlamos que nos irão moldando a trajetória… não necessariamente no melhor sentido…

Na verdade, há forças contraditórias em jogo para aproveitar a “janela de oportunidade” que esta situação nos trouxe. Um exemplo muito concreto: O Ministro do Ambiente em entrevista ao Jornal Económico no passado mês de maio resumiu como “…desígnios de transformação social dos países: uma maior digitalização e uma maior descarbonização.” Tendo afirmado antes que: “E não há digitalização sem lítio. 

Ora, não serão antes os desígnios de transformação social a mobilização e a regeneração? Não será esta pandemia um sinal, mais um, do planeta nos dizer que temos de fazer “reset”, ou seja começar pela base que sustenta toda a vida na terra: o solo e as plantas? E perante os grandes desafios que enfrentamos não teremos mesmo de fazer “o favor de nos entendermos”, envolver toda a sociedade nas mudanças necessárias? Ou seremos forçados a isso….

A Natureza é a base de tudo

Há claramente um limite a partir do qual tecnologia e proteção da natureza tomam caminhos opostos. Sem ecossistemas, sem serviços ecológicos não haverá economia, nem direitos humanos!

Concretizar o que devemos fazer relativamente à regeneração do território terá de ficar para outra oportunidade, mas termino com a seguinte reflexão e um desafio à nossa capacidade de reação.

É chegado o momento de um reforço do trabalho em rede para uma regeneração efetiva. É chegado o momento de interiorizar as nossas escolhas para melhores decisões sobre onde investir a nossa energia vital!

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