A Quercus produziu um documento de análise à COVID-19 que faz uma abordagem mais integrada e abrangente à pandemia, partindo do pressuposto de que “o problema não é um novo vírus – é mais um – mas o que nos conduziu a ele”, como explicou ao Watts On a coordenadora do estudo, Alexandra Azevedo.

“De que nos serve a nossa preocupação em relação à economia e aos nossos hábitos de consumo se nos esquecermos de reabilitar a base da vida, a própria natureza? Sem natureza não há economia nem direitos humanos”, afirma o documento que insiste muito na ideia de “recuperar a reconexão à natureza e o sentido de comunidade” e de “resgatar a essência perdida do ser humano ao grande organismo que é o planeta Terra”.

“Não há falta de documentos e de estratégias, quer do lado das autoridades competentes quer do lado da sociedade, a grande questão é uma visão e ação coerentes e a nossa capacidade de procurar compromissos, conciliar agendas e encontrar foco evitando a dispersão da nossa atenção, conhecimento e meios”, afirma Alexandra Azevedo.

Da análise efetuada pela Quercus no documento “COVID-19: Pistas para Análise da Pandemia e Estratégias para o Futuro” destacam-se três eixos de ação prioritários: agricultura, alimentação e renaturalização/regeneração do território:

Na vertente da agricultura defende-se a necessidade de “alterar práticas agrícolas que respeitem a biodiversidade, a água e o solo”, mudanças que a Quercus entende serem “essenciais e igualmente resposta aos desafios das alterações climáticas”.

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O documento tem 78 páginas e pode ser consultado na íntegra aqui.

 

Em termos de alimentação, os ambientalistas pretendem “alimentos livres de pesticidas e redução do consumo de carne, e outros produtos de origem animal”, ao mesmo tempo que sublinham que “a bolota, algas e alimentos e bebidas fermentadas merecem referência pelas particulares qualidades medicinais ou funcionais”. Um programa de educação alimentar alargado é a medida estruturante, considera a Quercus.

“À emergência sanitária sucedeu uma crise económica e uma emergência social e humanitária, pelo que dinamizar a economia é importante, mas aos conceitos de economia verde e de economia circular há que ter em consideração o conceito prévio que é o da suficiência, a suficiência energética e a suficiência material”, enfatiza a Quercus.

 

Para esta associação é, igualmente, essencial a “renaturalização/regeneração do território“. Os ecologistas assumem, nesse contexto, ser fundamental “reconhecer a importância da nossa vegetação natural” também como forma de “mitigar as alterações climáticas”.

A Quercus é apologista da “transição da cultura dominante de ‘medo da natureza’, arboricida e do fogo para uma cultura de reaproximação à natureza, uma conceção mais natural do território e um modelo de gestão de baixa manutenção, sem herbicidas (e outros pesticidas) e com isso gerar valor no território”.

Quercus quer ação concertada para “reabilitar a base da vida, a própria natureza”

O impacto das radiações eletromagnéticas e a tecnologia 5G e o conceito One Health (“Uma só saúde”) são ainda pontos essenciais deste documento.

Muitos são os desafios e os fenómenos planetários que a Humanidade enfrenta, e que a pandemia pela COVID-19 veio expor de forma mais visível. A maioria dos diagnósticos já está, estava feito, pelo que o grande desafio agora é materializar… passar das palavras e das intenções à ação”, concluem os ecologistas.

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