Francisco Prata
Francisco Prata
Technology Senior Manager da Accenture

Há vários anos que muitas são as empresas que têm em curso iniciativas de Transformação Digital, reconhecendo a sua importância. Mas a realidade é que no final do dia, mediante recursos finitos, todos estes programas acabavam por perder importância em relação às iniciativas relacionadas com o seu negócio mais tradicional.

O mundo mudou e exige a transformação digital

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Ultimamente, muito se tem falado de “Transformação Digital” — cuja utilização tem sido exacerbada pelo contexto a que todos fomos submetidos nos últimos meses. Antes da pandemia, este termo era pronunciado quase em exclusivo por consultores e profissionais de tecnologias de informação, uma realidade que se alterou. 

Hoje em dia, a expressão está totalmente democratizada e é tema recorrente de inúmeras conversas em que se discutem os impactos que a pandemia teve nas nossas vidas e na nossa forma de trabalhar, de consumir, na nossa mobilidade e na nossa forma de socializar.

Embora a Transformação Digital já estivesse a decorrer, para muitos, o verdadeiro efeito transformacional só foi sentido recentemente. Ao serem obrigados a mudar as suas vidas, beneficiaram de ferramentas já existentes, mas que simplesmente não estavam a ser utilizadas no seu máximo potencial. 

Hoje em dia é comum vermos avós e netos a reunirem-se por teleconferência via zoom… Vemos os benefícios de trabalhar a partir de casa e a flexibilidade extra que trazem às nossas vidas, bem como as poupanças que proporcionam no final do mês. No entanto, nem tudo são rosas. Vemos pessoas de gerações mais velhas a utilizarem — pasme-se por vezes mesmo sem a ajuda dos netos — plataformas de e-commerce, alargando a sua escolha e mudando os seus padrões de consumo. Tudo isto, na sua grande maioria dos casos, era impensável há uns meses. Não por a tecnologia não o permitir, mas porque não tinha havido realmente um catalisador que nos levasse a adotá-las e, com elas, a mudar as nossas vidas.

Pandemia: catalisador de mudança

Nas empresas está a acontecer exatamente o mesmo. A Transformação Digital não é um termo novo. Há vários anos que as empresas têm acesso a estas tecnologias e conhecem o seu potencial. Há vários anos que muitas são as empresas que têm em curso iniciativas de Transformação Digital, reconhecendo a sua importância. Mas a realidade é que no final do dia, mediante recursos finitos, todos estes programas acabavam por perder importância em relação às iniciativas relacionadas com o seu negócio mais tradicional. 

O que observámos é que muitas destas empresas tendiam a embarcar nestes programas, adotando as novas tecnologias sem o necessário enquadramento na estratégia da empresa e sem os necessários ajustes ao seu modelo de negócio de forma a explorarem todo o seu potencial. Isto levou a que muitos destes programas nem sequer avançassem pois não conseguiam justificar internamente os investimentos necessários, e muitos dos que avançaram, sem o necessário enquadramento estratégico, acabaram por ser abandonados.

Com a pandemia atual, eis que surge o catalisador necessário para que as empresas, sem alternativa disponível, tenham de avançar, efetivamente, com estes programas, por forma a reinventar o seu negócio. 

No entanto, se os avós conseguem, elas também o vão conseguir.

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