Vai ser criada a primeira região inteligente de Portugal, no território da Comunidade Intermunicipal do Oeste (CIM Oeste). O projeto surge da parceria entre CIM Oeste, NOVA Information Management School (NOVA IMS) e Universidade Nova de Lisboa.

Da cooperação entre estas três instituições surgiu um ecossistema que permite que a academia de excelência e a administração pública apliquem modelos que facilitam o processo de decisão de políticas públicas. Estes modelos oferecem a possibilidade de investidores e agentes económicos privilegiarem atividades económicas de efetivo valor acrescentado. Tudo isto é desenvolvido com base em informações factuais.

Através da plataforma Smart Region tornar-se-á possível entender as conexões dos cidadãos que vivem, trabalham ou visitam municípios associados ao CIM Oeste. Ou seja, Alenquer, Alcobaça, Arruda dos Vinhos, Torres Vedras, Peniche, Nazaré, Caldas da Rainha, Lourinhã, Sobral de Monte Agraço, Óbidos, Bombarral e Cadaval.

Este mecanismo permite, por exemplo, descobrir o número de pessoas presentes num local ou evento. Também possibilita a distinção entre visitantes recorrentes e novos visitantes. Assim como: definição de horas de ponta, reconhecimento de padrões de deslocação e estabelecimento de pontos de interesse. Para isso, são analisados dados de registo e utilização dos pontos de acesso Wi-Fi, incluindo as dimensões de espaço e tempo.

Novo paradigma de planeamento e gestão do turismo

A iniciativa, através de uma app, também servirá para melhorar a qualidade das visitas dos cidadãos à comunidade intermunicipal. Como é que isso será concretizado? Através do cruzamento de dados originários das redes Wi-Fi, com o objetivo de disponibilizarem informação dinâmica no espaço e tempo. Desta forma estará a ser aplicado o conceito de marketing de contexto. Por outras palavras: é fornecida informação personalizada com base no local em que o cidadão se encontra num determinado momento.

Trata-se, portanto de um projeto colaborativo de cocriação de uma solução inovadora capaz de potenciar a economia da região. Baseando-se para isso no conceito de Smart Cities, direcionado para o turismo inteligente e sustentável. Durante a concretização deste projeto, a equipa conta com o potencial de criação de capacidades analíticas das iniciativas Wi-Fi dos Centros Históricos do Turismo de Portugal e WiFi4EU da Comissão Europeia.

Os autores do projeto pretendem assim desenvolver a primeira plataforma analítica integrada de inteligência territorial. Esta ferramenta, através de uma abordagem de big data e ciência dos dados, permitirá a recolha, armazenamento, processamento e análise de dados conseguidos através dos sistemas operacionais e das redes de sensores municipais integrados.

As informações recolhidas são depois fundidas com os dados gerados pelas redes Wi-Fi públicas dos municípios do CIM Oeste. Esta abordagem acaba por influenciar o paradigma de planeamento e gestão do turismo e hospitalidade à escala intermunicipal. É então aplicado um sistema de Smart & Sustainable Tourism.

Projeto representa investimento de 1 milhão de euros

A NOVA IMS vai assumir um investimento de 1 milhão de euros no desenvolvimento da primeira Plataforma Analítica Integrada de Inteligência Territorial Smart Region. O Fundo Social Europeu é outro dos cofinanciadores deste projeto, assumindo 57% do orçamento. Em termos de retorno económico, é espectável que este venha a rondar, entre 2021 e 2022, os 533 mil euros.

A estimativa de retorno é feita tendo em conta diversos aspetos. Nomeadamente a automatização dos processos, com a informação a ser recolhida de forma manual. Assim como: as poupanças com a deslocação aos municípios para esclarecimento de dúvidas. Outro factor de peso nesta estimativa é a redução das despesas com custos médios de comunicações móveis.

Através desta ferramenta pretende-se incentivar a geração de conhecimento para fomentar a recuperação económica e coesão social. Além disso, visa-se uma melhor administração do território e gestão das infraestruturas, trocando uma lógica de gestão urbana reativa por uma lógica proativa. Uma lógica apoiada na transformação digital e regida pelo conhecimento, disponibilização alargada de dados e atualização constate da informação.

É nas regiões inerentes ao CIM Oeste que este projeto piloto vai começar a ser testado. No entanto, é espectável que daqui a dois anos o mesmo venha a ser expandido a todo o território nacional. Incluindo Açores e Madeira.

O ponto de vista do Subdiretor da Nova IMS

“É essencial dotar o território nacional e órgãos de soberania, locais, regionais e nacionais, de ferramentas que permitam uma tomada de decisão baseada em dados fidedignos e em tempo útil, como a atual pandemia bem evidenciou”, defende Miguel de Castro Neto.

O Subdiretor da NOVA IMS e Coordenador da NOVA Cidade – Urban Analytics Lab afirma também que “as capacidades que a tecnologias oferecem hoje de capturarmos gigantescas quantidades de dados, lança o desafio de serem criadas as capacidades analíticas para promover a sua conversão em informação”. E, dessa forma, “passarem a ter valor para os processos de tomada de decisão, para a criação de novos produtos e serviços e para uma cidadania mais ativa e participada”.

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