Ministério da Educação “deseduca” ao optar por soluções descartáveis de máscaras e take away, acusa Zero

Ministério da Educação está a agir como um “deseducador”, desconsiderando a situação de emergência climática em que nos encontramos, consideram os ambiebtalistas.

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A associação Zero considera que as orientações que o Ministério da Educação emitiu para a organização e funcionamento dos estabelecimentos de ensino no próximo ano escolar, são “uma aberração do ponto de vista da sustentabilidade” já que colocam a hipótese de as refeições escolares serem disponibilizadas em regime de take away.

As recomendações foram assinadas, em conjunto, pela DGEstE (Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares), pela DGE (Direção-Geral da Educação) e pela DGS (Direção Geral de Saúde).

A Zero considera ainda que a simples ponderação de refeições em regime take away de forma “uma demonstração da incapacidade que largos setores da sociedade portuguesa ainda têm para compreender que a crise pandémica está longe de ser a única crise que temos que enfrentar e não é, sequer, a mais grave”.

É fundamental evitar agravar a crise climática

Os ambientalistas declaram que, neste contexto, “as respostas à pandemia devem ter em consideração que é fundamental evitar agravar a crise climática, a do uso desregrado de recursos naturais, bem como a da perda de biodiversidade”.

“Consideramos fundamental que o Ministério da Educação dê o exemplo: de que vale falar de sustentabilidade aos alunos, quando perante qualquer desafio a resposta é ‘mais descartável’?”, questiona a Zero.

“De que vale falar de sustentabilidade aos alunos, quando perante qualquer desafio a resposta é ‘mais descartável’?”, pergunta a Zero.

Os ecologistas acrescentam que este não é caso único. “Já no início de junho, a Zero tinha dirigido uma carta ao Ministério da Educação apelando a que no ano letivo 2020/2021 deixassem de ser disponibilizadas máscaras descartáveis nas escolas, sendo privilegiadas as máscaras reutilizáveis. Até ao momento, não recebemos qualquer resposta, nem vemos qualquer indicação nesse sentido nas recomendações mais recentes”.

Possíveis soluções

A Zero entende que, “para além do desfasamento de horários, a opção por turmas com aulas apenas no período da manhã ou no período da tarde, pelo alargamento do espaço para toma das refeições (por exemplo usando outras salas) ou mesmo um apelo às famílias para, dentro do possível, evitarem que os seus educandos almocem na escola levando comida de casa, são várias as opções possíveis”.

Outra proposta avançada pela Zero passa por “soluções de reutilização de recipientes e talheres no take away, nas escolas onde pelo menos uma parte das refeições não possa ser servida normalmente devido ao número de alunos, devendo estes ser higienizados posteriormente na própria escola, ou pelas empresas que confecionam as refeições. Este modelo de reutilização é perfeitamente seguro e permite poupar muitas toneladas de recursos naturais transformados em resíduos”.

Do ponto de vista da Zero, a abertura para a utilização de embalagens, recipientes e utensílios descartáveis “é incompreensível e as diretrizes devem ser claras e inequívocas no sentido de assegurar a sustentabilidade”.

Perante este contexto, a Zero já solicitou uma reunião com caráter de urgência ao Ministério da Educação, no sentido de debater propostas que promovam a sustentabilidade nas escolas e não a insustentabilidade.

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