A Declaração de Impacto Ambiental (DIA) do Sistema Eletroprodutor do Tâmega estabeleceu a necessidade da realização de um Programa de Compensação de Fauna e Flora para atenuar, do ponto de vista ecológico, os impactos da construção deste projeto.

Árvores, peixes, flores e outros animais estão a ser estudados detalhadamente para se reorganizarem e se manterem em equilíbrio ecológico num ambiente natural ainda mais diversificado.

Na implementação destas medidas está a ser feito um trabalho conjunto com as câmaras municipais abrangidas pelo projeto do Tâmega nomeadamente com Boticas, Cabeceiras de Basto, Vila Pouca de Aguiar, Ribeira de Pena e Chaves. Os objetivos desta colaboração são, por um lado, promover a contratação de empresas e associações locais e, por outro envolver as comunidades nestas ações.

A Iberdrola tem estado a trabalhar em colaboração com o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas na elaboração de ações que fomentem o ecossistema natural dos municípios abrangidos.

Área a reflorestar

No total a área a reflorestar e melhorar, desde o ponto de vista da biodiversidade, é de aproximadamente 1000 ha, com uma previsão de plantação mais de 250 mil árvores e plantas.

As medidas de compensação de fauna e flora “projetarão a conceção de uma floresta mais variada e funcional, com a criação de corredores ecológicos, que irão permitir uma melhoria na conectividade biológica em toda a envolvente dos espaços florestais”, refere a Iberdrola.

“Estes corredores vão possibilitar o deslocamento de animais de áreas isoladas, garantindo maior interação entre as populações das várias espécies e contribuindo para a sua sobrevivência através do aumento da diversidade genética e disponibilidade de alimento”, acrescenta a empresa.

Rearborização de sobreiros

A rearborização de sobreiros foi, paralelamente, um compromisso assumido, com o cultivo desta espécie numa área, aproximadamente, 50% maior do que a do povoamento afetada, totalizando a plantação de 18 mil sobreiros.

As ações compensatórias são uma grande oportunidade nestes municípios para a recuperação das áreas queimadas.

A questão preocupante dos incêndios foi uma grande prioridade no redesenho da flora regional, com a plantação de várias árvores autóctones de reduzida inflamabilidade, em locais estratégicos, com o objetivo de impedir a propagação de fogos florestais.

Estas medidas serão implementadas antes, durante e após as obras do Sistema Eletroprodutor do Tâmega e continuarão durante a exploração do projeto.

“A restauração das galerias ripícolas tem sido, também, um foco importante nestes trabalhos, com o objetivo de serem criadas condições para uma maior sobrevivência de várias espécies. Como exemplo, a toupeira de água, animal que necessita de um habitat propício e requisitos particulares para prosperar, o que o torna um bioindicador, está a ser alvo de extraordinário processo de intervenção”, refere a Iberdrola.

Várias espécies protegidas estão a ser transferidas e produzidas através de técnicas laboratoriais que asseguram a manutenção do ecossistema natural destas localidades e o renascimento melhorado de toda a fauna e flora autóctones.

Três barragens e 1500 milhões de euros de investimento

O Sistema Eletroprodutor do Tâmega é um dos maiores projetos hidroelétricos na Europa, nos últimos 25 anos, contemplando a construção de três barragens (Daivões, Gouvães e Alto Tâmega) e um investimento de 1.500 milhões de euros. O complexo contará com uma potência instalada de 1.158 megawatts (MW), alcançando uma produção anual de 1.760 gigawatts hora (GWh), ou seja, 6% do consumo elétrico do país. Estima-se que as obras fiquem concluídas até 2023.

Segundo a Iberdrola,  este projeto energético evitará a importação de mais de 160 mil toneladas de petróleo por ano.

Construção da barragem de Daivões. Foto: Iberdrola

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