A Associação Natureza Portugal, em associação com a WWF (ANP|WWF), e a WWF Espanha lançaram o relatório “Um Planeta em Chamas” que mostra como, a um nível global, a problemática dos super incêndios está intrinsecamente ligada com as alterações climáticas.

Super incêndios: incêndios com um comportamento explosivo e extremo, que se propagam a grande velocidade.

O relatório evidencia o desequilíbrio existente entre medidas de prevenção e de extinção, e como estas últimas, sistematicamente, se revelam insuficientes para resolver este problema ambiental.

O documento reforça ainda que para combater os super incêndios é essencial apostar na prevenção, na valorização das áreas rurais, tornando as paisagens mais resilientes e na mudança de comportamentos da população em geral.

Ângela Morgado, diretora executiva da ANP|WWF afirma que “é urgente inverter as políticas super fracassadas de combate aos super incêndios e garantir que estas se focam na prevenção em vez de na extinção. O combate às alterações climáticas é a mais eficaz solução para este problema ambiental grave assim como a gestão responsável do território, a promoção de paisagens rentáveis e menos inflamáveis e o combate à desflorestação nos trópicos”.

Os incêndios florestais e as alterações climáticas constituem um círculo vicioso. À medida que aumenta o número de incêndios, também sobem as emissões de gases de efeito estufa, aumentando a temperatura global do planeta e a ocorrência de eventos climáticos extremos.

Tragédia dos incêndios na Península Ibérica

Também a Península Ibérica enfrenta todos os anos a tragédia dos incêndios. Em Espanha, apesar do grande investimento na extinção dos fogos, continua a crescer a proporção de grandes incêndios em relação ao número total de sinistros (eventos em que o bem segurado sofre um acidente ou prejuízo).

“Já Portugal é campeão europeu dos incêndios: todos os anos, o país vê arder mais de 3% da sua superfície florestal. Isto deve-se a um sem fim de fatores, desde o abandono rural, cessação de atividades agrícolas tradicionais, à ausência de políticas sérias de gestão do território e gestão florestal responsável”, destaca esta associação. “As áreas que outrora eram cultivadas e pastadas são agora cobertas por arbustos”, refere o relatório.

Em média, por ano, ocorrem em Portugal cerca de 17.000 sinistros de incêndios, 35% mais do que em Espanha.

Além disso, são queimados cerca de 120.000 hectares em média por ano, 20% mais do que em Espanha, apesar de ter menos 80% de superfície florestal.

“2019 fica marcado na história do planeta como o ano dos incêndios, e se as causas diferem de país para país, as condições perfeitas para este tipo de fenómeno são consequência de uma crise comum: as alterações climáticas. Os últimos 20 anos foram os mais quentes de que há registo, e se esta tendência se mantiver, os incêndios também se manterão”, refere a ANP|WWF.

“As alterações climáticas estão a enfraquecer e a causar stress nas florestas, aumentando a quantidade e a continuidade de vegetação seca e, em consequência, a sua inflamabilidade e combustibilidade”, sublinha o estudo.

Estas e outras acendalhas juntam-se à emergência climática, o ingrediente principal que é ao mesmo tempo causa e consequência desta perda grave de superfície florestal, criando as condições perfeitas para que a Península Ibérica, mas também o mundo, continue a arder.

“A crise de super incêndios representa apenas uma pequena parte de outra crise muito maior, que todos enfrentamos e que trará consequências cada vez mais graves não só para a saúde do planeta, mas para a saúde humana”, afirma ainda Angela Morgado.

A ANP|WWF e a WWF Espanha acreditam que este é o momento certo para repensarmos a relação da humanidade com a natureza e perceber que se o nosso planeta continuar em chamas, a saúde de todos também continuará.

100.000

número de mortes que a Europa se arrisca a ter em 2080, segundo um estudo da Comissão Europeia. Essas mortes estão relacionadas com as alterações climáticas, o dobro do que temos hoje, devido a ondas de calor, inundações, tempestades e incêndios. O pior deste cenário será vivido em países do sul da Europa, Espanha, Portugal, Itália e Grécia, onde o impacto do aquecimento será 20 vezes maior do que em outras áreas.

Parte do relatório referente às medidas possíveis de aplicar, na galeria abaixo:

 

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