A decisão da EDP de antecipar o encerramento das suas centrais a carvão na Península Ibérica vai abrir espaço para a central termoelétrica de Sines se afirmar na produção de hidrogénio verde com possibilidade de exportação por via marítima e enquadrável num projecto de interesse comum europeu (IPCEI).

A EDP analisa já esse projeto em consórcio com outras empresas.

As estimativas iniciais apontavam para que a produção da central de Sines cessasse em setembro de 2023.

No caso da central de Sines (1.180 MW), que não produz energia desde janeiro de 2020, a elétrica entregou à Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) uma “declaração de renúncia” à licença de produção, para encerramento em janeiro de 2021.

Até janeiro de 2021, a central produzirá o estritamente necessário para a queima do carvão armazenado.

Foto: Câmara Municipal de Sines

Os motivos da antecipação

A justificação dada pela EDP para o fecho deve-se à “continuada deterioração das condições de mercado para estas centrais durante o primeiro semestre de 2020”.

Pormenoriza a EDP que a a decisão de fechar Sines foi tomada “num contexto em que a produção de energia depende cada vez mais de fontes renováveis. Além disso, com o crescente aumento dos custos da produção a carvão, aliado a um agravamento da carga fiscal, e com a maior competitividade do gás natural, as perspetivas de viabilidade das centrais a carvão diminuíram drasticamente”.

O antecipar do encerramento da central termoelétrica de Sines representará um custo extraordinário de cerca de 100 milhões de euros (antes de impostos) em 2020, segundo a empresa.

Projetos de reconversão

Em relação às outras unidades de produção de energia, a EDP também possui projetos para a sua reconversão.

Para a central Soto de Ribera 3 (346 MW – megawatts), nas Astúrias (Espanha), que não produz energia “há mais de um ano”, será solicitado o encerramento com prazo previsto em 2021. Para aí, a energética diz estar a desenvolver estudos prévios para a implementação de “um projeto inovador” de armazenamento de energia.

Na central de Aboño (Astúrias), a EDP informa que prossegue o processo de licenciamento de conversão de carvão para gases siderúrgicos, através da modificação do Grupo 1 (342 MW), prevista para 2022, mantendo-se o Grupo 2 (562 MW) como apoio a indisponibilidades, contribuindo assim para uma economia mais circular.

Nos referidos processos de encerramento e reconversão a EDP refere que “respeitará integralmente todas as responsabilidades de índole laboral”.

O ministro do ambiente considera a decisão uma boa notícia. Todavia, Matos Fernandes entende que o ideal seria que o fecho da central de Sines acontecesse já com as barragens do Alto Tâmega em funcionamento e com a construção da linha de 400 quilovolt (kV) que vai ligar Ferreira do Alentejo a Tavira concluída. Ainda assim, o ministro garante que o sistema elétrico nacional “dispõe de redundâncias” para garantir o normal abastecimento de eletricidade ao sul do país.

Câmara de Sines reuniu com administração da EDP Produção

Nesse contexto, o presidente da Câmara Municipal de Sines, Nuno Mascarenhas, reuniu-se já com a EDP Produção para encontrar soluções que minimizem os impactos que o encerramento da central termoelétrica de Sines, anunciada para janeiro de 2021, poderão vir a ter na região.

Nessa reunião estiveram presentes Miguel Mateus, administrador da EDP Produção, João Amaral, diretor da Central de Sines, e Adília Pereira, diretora de Recursos Humanos da empresa.

Durante o encontro, o presidente do município teve ainda a oportunidade de falar com o CEO da EDP Produção, Miguel Setas, que demonstrou total abertura por parte da empresa na procura de soluções.

Medidas de mitigação dos impactos

Nuno Mascarenhas tem estado em contacto com diversas entidades, nomeadamente sindicatos, Instituto de Emprego e Formação Profissional, Instituto de Segurança Social, Secretaria de Estado da Energia, com o objetivo de serem discutidas as medidas de mitigação dos impactos do encerramento da central termoelétrica.

Foi igualmente acordada uma reunião, a realizar com carácter de urgência, entre todas as entidades que possam contribuir para a elaboração de medidas de política pública que minimizem os impactos sociais e económicos desta decisão.

“Os trabalhadores da EDP e os sinienses sabem o empenho que a Câmara Municipal tem colocado na defesa dos seus interesses e da estabilidade económica e social desta comunidade. É necessário salvaguardar o futuro de centenas de trabalhadores, não só dos que operam diretamente na central, mas também de muitos outros, que trabalham nos setores de atividade que lhe estão associados”, referiu o autarca.

Consequência natural do processo de transição energética
“A decisão de antecipar o encerramento de centrais a carvão na Península Ibérica é assim uma consequência natural do processo de transição energética, estando alinhada com as metas europeias de neutralidade carbónica e com a vontade política de antecipar esses prazos”, afirma em comunicado Miguel Stilwell d’Andrade, presidente executivo interino da EDP em substituição de António Mexia, que foi suspenso de funções na empresa como medida de coação decidida pelo juiz Carlos Alexandre no caso EDP, onde foi constituído arguido.

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