Veículos autónomos já eram usados na fábrica da Seat em Martorell, dentro das oficinas, mas a marca trouxe-os agora para o exterior com o propósito de transportarem materiais, demonstrando, mais uma vez, a sua utilidade, em meio industrial.

Os AGV – Automated Guided Vehicles (veículos guiados automatizados) existentes em Martorell são, ao todo, oito que percorrem as ruas da fábrica da marca espanhola.

Cada comboio de veículos pode transportar até 10 toneladas e, juntos estes oito robots, transportam até 2.000 peças por dia. Tudo sem orientação magnética ou fios.

Os robots fazem 240 km por dia, partilhando as ruas com peões, camiões, bicicletas e carros, obedecem aos semáforos e respondem às situações do ambiente envolvente. Tudo sem que ninguém os conduza.

Sistema consegue reduzir 1,5 toneladas de CO2 por ano e melhora a eficiência da entrega

As mais recentes tecnologias de reconhecimento de navegação SLAM (localização e mapeamento simultâneo), de ligação 4G e de carregamento de baterias elétricas por indução estão por detrás deste projeto.

“Nos últimos anos a Seat tem vindo a incorporar inovações pioneiras na área da logística e este é mais um exemplo do nosso compromisso em nos tornarmos uma referência da Indústria 4.0. A incorporação de AGVs permite-nos otimizar os processos de produção e logística de forma eficiente, sustentável e conectada”, conclui o vice-presidente de produção e logística da Seat, Christian Vollmer.

Como funcionam?

“Os AGV estão programados para ler o seu ambiente. Para descobrir qual o caminho que precisam seguir, primeiro fazem-no guiado e, usando uma câmara integrada, memorizam-no. Depois, repetem: saem da base, veem um edifício de dois andares à sua esquerda, depois uma junção, viram à direita… uma referência após a outra até chegarem ao seu destino”, explica a Seat.

Victor Palacios, engenheiro logístico da Seat e responsável do projeto acrescenta que “se a dada altura perdesse essa referência, porque algo se cruzava no seu caminho que cobrisse o mapa que memorizou, o robot parava até encontrar a referência outra vez”.

Além de verem e interpretarem tudo o que têm à sua volta, são capazes de comunicar com o seu ambiente graças à tecnologia 4G. Também podem “falar” uns com os outros.

Mudam a cor do semáforo

“São 8 e não estão sempre em movimento. Quando um sai da área de carga, alerta o próximo, que está numa área de espera, para tomar o seu lugar. Se dois se cruzam, também comunicam para reduzir a velocidade”, diz Victor Palacios. Até regulam o tráfego no seu caminho. Eles têm o direito de passagem, por isso, quando chegam a um cruzamento, mudam os semáforos para âmbar para poderem continuar o seu caminho.

Os sensores localizados na parte superior do robot e ao nível do solo fazem com que pare se detetar algum objeto no seu caminho. “Os robots viajam a uma velocidade de 1 metro por segundo, para que possam parar completamente em frente a qualquer objeto ou pessoa num raio de um metro e meio”, salienta Victor Palacios.

Fornecimento mais eficiente

Este sistema permite um fornecimento mais eficiente do ponto de vista ambiental.

Os robots são veículos elétricos e são carregados por indução, sem necessidade de cabos. Em 15 minutos têm a bateria completa enquanto fazem uma paragem para fornecer as peças. Energia limpa que permite reduzir 1,5 toneladas de CO2 por ano.

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