As marcas de calçado estão a recorrer cada vez mais a materiais inovadores e amigos do ambiente para reduzir a pegada ambiental do setor.

Cânhamo para uso industrial
O cânhamo dito industrial é uma variante da cannabis (Cannabis Sativa), cultivado pelas suas hastes e pelas sementes. Dada a sua proximidade com a cannabis indica (marijuana) a regulamentação desta cultura é muito restrita. Com efeito, estas 2 variedades variam unicamente nos seus teores de THC (TetraHidroCannabiol), o principal composto psicoativo da planta: 0,2% nas variedades autorizadas; e mais de 10% para as variedades utilizadas como droga. Assim, o cânhamo usado para fins industriais tem baixo teor de THC e as suas fibras usam-se para fabricar cordas, produtos têxteis, suportes para escrita e isolantes térmicos. É ainda usado para fabrico de suplementos nutricionais, como os óleos de CBD, e biodiesel.

Depois de desenvolver sapatos que promovem um estilo de vida sustentável, com a incorporação de materiais reciclados na sua composição como garrafas de plástico ou roupa reciclada, desta vez a Verney, uma marca de calçado portuguesa ecofriendly com apenas dois anos de produção, decidiu desenvolver sandálias e sneakers (ou sapatilhas) em dois materiais “eco”, cânhamo e maçã para a coleção de verão.

Mais do que desenvolver sapatos vegan, ou seja, livres de materiais de origem animal, a marca indica que o seu objetivo consiste em promover a economia circular ao incorporar matérias-primas que sejam resíduos de outras indústrias.

Reduzir pegada ambiental

“Ao integrar materiais inovadores como o cânhamo, maçãs, garrafas de plástico, roupa velha, etc., queremos demonstrar que existem soluções para reduzir a nossa pegada ambiental e transformar lixo em produtos novos”, diz o cofundador desta empresa Cristóvão Soares.

Conceito de “slow fashion”

Esta forma de consumo mais consciente de artigos de moda, conhecida como “slow fashion”, tem encontrado cada vez mais adeptos e abre espaço para marcas que promovem um estilo de vida mais sustentável e apostam na qualidade dos materiais e do fabrico.

Embora seja um conceito criado há mais de 10 anos, o “slow fashion” vem contrapor-se ao termo “fast fashion”. A ideia surgiu inspirada no movimento da “slow food”, tendo sido sugerido por Kate Fletcher, investigadora da universidade das Artes em Londres, consultora e ativista de design, considerando que a moda é uma das principais indústrias responsáveis pela produção de resíduos não recicláveis ou biodegradáveis e que afetam a sustentabilidade do planeta e todos os seus ecossistemas. Kate Fletcher é autora do livro “Moda & sustentabilidade : Design para mudança”, com uma tradução em português do Brasil da Editora Senac São Paulo.

“Pouco a pouco, conseguimos demonstrar às pessoas que a moda sustentável não tem de apresentar um look esotérico e que podemos consumir artigos de moda de forma diferente, mais consciente sem, no entanto, dar nas vistas”, aponta Cristóvão Soares.

Os produtos estão disponíveis na loja online da marca ou ainda na The Feeting Room de Lisboa e do Porto.

A marca, com sede na Póvoa de Lanhoso, informa que já tem planos para desenvolver novos modelos, apostando sempre em materiais inovadores que “estão neste momento em fase de teste” e tendo agora como objetivo a exportação.

O projeto da marca Verney começou a ser trabalhado em 2012, tendo a produção arrancado em 2018.

A marca produz os seus modelos em Portugal, em fábricas situadas em Guimarães, Felgueiras e São João da Madeira.

Cruelty-free: animais protegidos

Esta jovem marca de calçado assume-se como cruelty-free, o que significa que não utiliza materiais de origem animal na composição dos seus artigos.

Os seus responsáveis referem que a gama de produtos Verney é composta por modelos de inspiração nórdica. “O nosso objetivo é evitar o consumismo excessivo, que muitas vezes se traduz num atentado ao meio ambiente e à cultura eco-friendly”, afirmam.

“Queremos assegurar alternativas mais conscientes aos consumidores, sem comprometer todas as características procuradas na hora da escolha do calçado, como são a qualidade, o conforto, a durabilidade e o estilo”, declara Cristóvão Soares que sublinha que os seus modelos de calçado cumprem normas de ecologia e sustentabilidade e são “desenvolvidos por mão de obra qualificada e orgulhosamente portuguesa, reconhecida mundialmente no setor do calçado”.

A origem do nome Verney

A marca “Verney” inspirou-se no nome do filósofo português do século XVIII, Luís António Verney, o qual pertencia à corrente iluminista. “Para o seu tempo, Verney tinha um pensamento revolucionário e foi nesta época, devido a impulsionadores como ele, que os nossos antepassados evoluíram de uma época de escuridão, ignorância e desigualdade, para um regime em que prevalecia o uso da razão e os princípios da liberdade, igualdade e fraternidade”, explicam os responsáveis de uma marca que “nasceu da vontade de querer fazer renascer uma nova época da luz, em que todos nós somos sensibilizados para questões de caráter ambiental e social”.

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