Portugal é um dos 44 membros fundadores do recém-criado Grupo de Amigos para Combater a Poluição Marinha por Plásticos, apresentado no Dia Mundial dos Oceanos.

O Grupo de Amigos é estabelecido através das missões dos países na ONU em Nova Iorque para trabalhar em conjunto em soluções globais para a crise da poluição por plásticos, uma iniciativa que apela a todos os governos que se juntem ao grupo para estabelecer ações globais coordenadas e efetivas e soluções para combater a poluição por plásticos nos Oceanos.

A intervenção de Portugal pode ser ouvida no vídeo que reproduzimos acima, entre 1:50:56 e 1:53:16, neste lançamento virtual do Grupo

A World Wildlife Fund (WWF) integra o lote das instituições fundadores deste movimento, cuja delegação em Portugal representada pela Associação Natureza Portugal (ANP|WWF).

Para Ângela Morgado, diretora executiva da ANP|WWF, “o facto de Portugal ser um dos membros fundadores deste Grupo é um passo na direção certa: mostra o compromisso dos governantes em trabalhar em estratégias integradas, algo que a ANP|WWF defende desde sempre com a sua campanha “Zero Plásticos na Natureza que chegou a 1,7 milhões pessoas no mundo”.

Reduzir consumo, mas também produção

Ângela Morgado insiste ser “essencial que as ações definidas pelo Grupo garantam o envolvimento e participação de todos os setores e atores-chave da cadeia de valor do plástico, não só para se reduzir o consumo através da sensibilização da população, mas principalmente reduzindo a produção, aumentando a reciclabilidade e a integração de reciclado em novos produtos e gerindo melhor os resíduos em fim de vida. Todos somos essenciais na construção de soluções para o combate à poluição por plásticos” reiterou.

Imagens de tartarugas a ingerir sacos de plástico, baleias com inúmeros quilos de plástico no estômago e golfinhos emaranhados em redes de pesca abandonadas já se tornaram símbolos icónicos do impacto da poluição por plásticos nos oceanos.

Foto: WWF

A ANP|WWF salienta, porém, que a poluição por plásticos também afeta as pescarias, a aquacultura, as atividades recreativas e o turismo: “Está estimado que os benefícios que nós, humanos, retiramos do oceano, sofram um declínio de 1 a 5%, o equivalente a um custo anual de mais de 2.5 mil biliões de dólares”.

Em Portugal, os dados são escassos, como revela o relatório “X-Ray da poluição por Plástico: Repensar o Plástico em Portugal” publicado em 2019 pela ANP|WWF. “Sabemos que Portugal está vulnerável à poluição por plásticos e que estes constituem a maior percentagem de resíduos presentes no ambiente. No entanto, existem ainda muitos dados que não foram quantificados e avaliados, incluindo os efeitos do micro e do nano plástico na saúde humana, que estão ainda sob investigação, mas que se afiguram preocupantes”, aponta Ângela Morgado.

Para a ANP|WWF, esta crise requer uma resposta global coordenada.

Para a ANP|WWF, os países precisam de se unir e estabelecer um novo acordo global para lidar eficazmente com a poluição por plásticos nos oceanos – acordo esse que já conta com o apoio de mais 1.7 milhões de pessoas, através da petição global “Stop Plastic Pollution”.

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