A Câmara Municipal de Lisboa apresentou um plano de transformação do espaço público.

O plano pretende evitar a escolha do automóvel e do transporte individual, já que, salienta Fernando Medina, presidente da autarquia da capital, “Lisboa corre o risco de parar e o ar ficará irrespirável”.

O plano tem por base dois programas: “A Rua é Sua” e “Lisboa Ciclável”.

“Se os passageiros perdidos pelo transporte público mudarem para o automóvel durante a retoma, Lisboa corre o risco de parar e o ar ficará irrespirável”, diz Fernando Medina (Foto: Câmara Municipal de Lisboa)

Na prática, isto levará o município a avançar com medidas no âmbito da rede ciclável, aumento do espaço nos passeios e redução da velocidade (em vários casos para 30 km/h) em ruas residenciais.

Mais espaço para as pessoas

Para ajudar a manter o distanciamento social recomendado pela Direção-Geral da Saúde, a câmara vai intervir no espaço público, dando prioridade a zonas de espera associadas a atividades básicas: retalho alimentar, restauração, equipamentos de saúde, farmácias, paragens de transportes públicos.

pavimentos mais amplos para permitir o distanciamento social

As soluções passam, ainda, pela mitigação das ilhas de calor, criando espaços de sombra, apoio ao comércio local através do aumento da área para esplanadas, se necessário, através da supressão de lugares de estacionamento e/ou de uma via de trânsito.

Os exemplos do que se faz no estrangeiro poderão ser seguidos, com a criação de zonas de estadia com áreas de sentar, sombra, floreiras e bancadas feitas de estruturas de andaimes, como o que se vê neste bloco de imagens:

Serão mais de 100 ruas a intervencionar pela autarquia.

A Rua Nova do Trindade, na Baixa, é uma dessas que será intervencionada, com a proposta camarária a permitir perceber como ficará esta artéria:

Rede ciclável e mais estacionamento para bicicletas

Por seu lado, a rede ciclável, atualmente com 105 km, deverá crescer mais 26 km até julho, em locais como: Alameda dos Oceanos, Av. de Pádua, Av. Cidade Luanda, Av. Almirante Reis, Av. da Índia, Av. 24 de Julho, Av. da Liberdade, Av. do Uruguai.

Nesta fase, estão já incluídas as pistas já construídas, na Av. Berlim, Av. Cidade Bissau, Rua Castilho, e Av. Marquês da Fronteira.

Até setembro, serão construídos mais 30 km, nas avenidas: Roma, Marechal Gomes da Costa, Ceuta, Lusíada, Berna, Conde Almoster, José Malhoa e Descobertas.

200 km de ciclovias até 2021 em Lisboa

Já em 2021, a cidade terá mais 20 km de ciclovias, na Av. Gago Coutinho, Av. Restelo, Av. Torre de Belém, Av. Álvaro Pais, Av. Carlos Paredes e Av. Helena Vieira da Silva.

Fernando Medina sustenta que “a bicicleta é uma alternativa viável”, numa cidade como a de Lisboa em que a velocidade média dos automóveis à hora de ponta é de 13 km/h.

Para ver a videoconferência de apresentação do plano clique aqui.

Nos parques subterrâneos da EMEL, e concessionados pela CML, o estacionamento fechado para bicicletas vai chegar aos 1050 lugares.

A este aumento, acrescem ainda 1700 lugares junto aos principais interfaces de transporte público, e 5000 para estacionamento em todas as entidades de interesse público que o solicitem, como escolas, clubes desportivos e outras instituições.

Fundo de mobilidade de 3 milhões de euros

O apoio da autarquia na compra de bicicletas também faz parte do plano. Segundo o que foi transmitido pela autarquia, esse apoio será organizado em parceria com as lojas de bicicletas de Lisboa, que aderirem ao projeto.

O financiamento municipal, até ao limite de 50% do valor de aquisição, será de:

  • até 100€ para bicicletas convencionais (estudantes);
  • até 350€ para bicicletas elétricas;
  • até 500€ para bicicletas de carga.

COVID-19 leva a recalendarização de Zona de Emissões Zero (ZER)

A autarquia anunciou, no entanto, que vai propor a recalendarização da Zona de Emissões Zero (ZER) na zona da Baixa Chiado e Avenida da Liberdade. O que estava inicialmente previsto era de que apenas veículos autorizados pudessem circular neste eixo, sendo as viaturas controladas a partir de julho. A situação gerada pela CPOVID-19 é a razão dada por Fernando Medina: “É a solução mais razoável e ponderada [recalendarizar] para todos os comerciantes e habitantes que usam a Baixa de Lisboa. Muitas lojas ainda não abriram, muitos trabalhadores estão em casa, em ‘lay off’, e não queremos ser mais um elemento de perturbação”. Todavia, o projeto mantém-se e é para levar até ao fim, embora com outro calendário, acrescenta a autarquia.

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