José António Afonso
José António Afonso
Responsável da área de Commercial Building, Eaton Iberia.

No momento, a descarbonização da produção de energia parece imparável: as energias renováveis ​​estão a atingir rapidamente um ponto em que oferecem um retorno sobre o investimento melhor do que as opções tradicionais, e o apoio do governo na redução de emissões continua a crescer. Para garantir que isso realmente aconteça, a eletrificação do setor de energia deve começar agora.

Descarbonização da produção de energia é imparável

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Um relatório recente da BloombergNEF, em colaboração com a Eaton e Statkraft, investigou o potencial de eletrificação no setor nos próximos trinta anos e constatou que, num país típico do norte da Europa, a eletrificação poderia reduzir as emissões no país, nos setores de transporte, edifícios comerciais, indústria e setores de energia, em 68%.

As consequências de tal mudança vão muito além dessa estatística impressionante. Integrar uma procura económica, significativamente mais alta, por eletricidade, significa que teremos que aumentar a produção de energia livre de emissões em detrimento do uso de combustíveis fósseis. A análise da BloombergNEF sugere que, se procurarmos a eletrificação profunda do setor, a procura total aumentará 65% até 2050, duplicando a infraestrutura eólica e solar de que, de outra forma, precisaríamos.

Resiliência flexível

O novo perfil de procura também mudará, drasticamente, quando e onde a energia é necessária. Por exemplo, no futuro, quando a maioria dos veículos forem elétricos, movidos a bateria, milhões de pessoas voltarão para casa e conectarão os seus automóveis à rede, gerando um aumento na procura, os quais a própria rede poderá ter dificuldades para cobrir. Da mesma forma, se tecnologias como bombas de calor elétricas forem adotadas de maneira desigual, os operadores podem ter dificuldade em prever, com bastante antecedência, onde é necessário o fortalecimento ou reforço da infraestrutura, para lidar com as mudanças.

Esses padrões variáveis ​​de procura de energia, acompanharão uma dinâmica de oferta, radicalmente diferente, de um ecossistema liderado por recursos renováveis, como energia solar e eólica. Sendo de natureza variável, essas fontes exigiriam um sistema mais flexível, mesmo sem eletrificação. Transformar a oferta e a procura ao mesmo tempo, exige que introduzamos novos tipos de flexibilidade na rede elétrica, usando sistemas de armazenamento de energia e no-breaks ativos que podem ajudar a estabilizá-la. Nesse ambiente, os veículos elétricos não apenas carregariam sobre a rede, mas também poderiam enviar a sua energia excedente em momentos de pico de procura. Os preços dinâmicos serão usados ​​para gerir todos esses vários recursos, a fim de manter a procura alinhada com a oferta disponível. Obviamente, iniciativas como essa só serão bem-sucedidas se forem acompanhadas por políticas alinhadas.

Legislação decisiva para a transição energética

Para maximizar os benefícios da eletrificação e manter a confiança e o custo esperados, é vital que os legisladores planeiem, com antecedência, a transição energética.

Governos e empresas devem olhar para o futuro e considerar medidas inteligentes, como taxas flexíveis, que podem nivelar picos de procura, investimentos para tornar a rede mais robusta em pontos onde se espera que fluxos de energia mais altos sejam experimentados, e expandir a sua compreensão da energia gás, para permitir que o hidrogênio tenha o seu próprio lugar no ecossistema energético. Sem esse pensamento, a promessa mais do que possível de uma redução de 68% nas emissões de carbono, pode não se realizar.

 

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