A associação ambientalista Zero consultou os dados disponibilizados pelo Fundo Ambiental relativos à aquisição de veículos elétricos, concluindo que, à data de 21 de maio de 2020, “apesar de uma diferença substancial entre segmentos, há necessidade de reforço e/ou transferência imediata dos apoios”.

Explica a Zero que, no que respeita a clientes particulares, e apesar de estarmos apenas com cinco meses de 2020 decorridos, já foram aceites 65% das candidaturas possíveis (700): “No caso de um dos segmentos mais relevantes, o empresarial, e no que respeita a veículos ligeiros de passageiros, já só sobram 9 dos 300 apoios disponíveis. No caso dos veículos ligeiros de mercadorias, das 300 candidaturas previstas, a procura é muito baixa, com apenas 8% das candidaturas aceites”.

Fundo Ambiental é insuficiente no apoio a automóveis elétricos

Posto isto, a Zero apela ao governo português para seguir as seguintes orientações:
De forma excecional, o governo português deveria, pelo menos até ao final do ano, apoiar o abate de veículos em fim-de-vida com mais de 15 anos no caso de serem adquiridos automóveis 100% elétricos por parte de particulares ou empresas, através de um montante superior a quem se limita a adquirir um veículo elétrico novo sem troca do antigo.

O Executivo não deveria limitar a quatro incentivos por pessoa coletiva os apoios do Fundo Ambiental à compra de veículos ligeiros quer de passageiros, quer de mercadorias, por parte das empresas.

O Governo deveria fornecer suporte a indivíduos e empresas para instalarem a infraestrutura de carregamento, com prioridade aos edifícios com vários apartamentos, escritórios e propriedades comerciais.

Em Portugal, a associação Zero é apologista de um “choque elétrico” na indústria automóvel portuguesa: “A CaetanoBus produz autocarros elétricos. A Mitsubishi fabrica camiões ligeiros 100% elétricos no Tramagal. Na fábrica da PSA em Mangualde há a expetativa de produção de modelos híbridos. A Autoeuropa em Palmela não tem programada a fabricação de qualquer modelo elétrico até 2025. No quadro de eventuais contrapartidas à indústria ou de incentivos futuros, o governo deve na opinião da Zero considerar como indispensável que o emprego no nosso país neste setor esteja associado a um forte compromisso em termos de sustentabilidade, o que só pode ser conseguido com uma transição rápida para a construção de veículos 100% elétricos”.

ZERO insta Portugal a apostar muito mais na construção de veículos elétricos

  • “Não desperdicemos a oportunidade de investir
    em transportes zero emissões”

    “Não desperdicemos a oportunidade de usar investimentos públicos para avançar e moldar a futura indústria automóvel na Europa e construir um sistema de transporte com zero emissões, em vez de apoiar o cenário comercial anterior que é um modelo obsoleto e que aposta em ativos que em breve serão considerados perdidos. Não vamos permitir que o coronavírus mate o automóvel elétrico!”, é o repto de Francisco Ferreira, dirigente da Zero.

Bruxelas não deve vacilar, pedem ecologistas

A Zero apela igualmente a que o governo português atue, junto da União Europeia, no sentido de pressionar Bruxelas para que a meta de 95 gCO2/km para 2020-2021 não seja reaberta para discussão ou enfraquecida, “pois o que importa não é a quantidade de carros vendidos, mas o tipo e as emissões por quilómetro”.

Ainda segundo os ambientalistas, a “Comissão Europeia deve rever as normas de CO2 previstas para os automóveis para 2030, conforme planeado em junho de 2021, acelerando a transição para veículos com zero emissões, para que apenas modelos com essas características possam ser vendidos na Europa a partir de 2035, o mais tardar”.

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