A Helexia, operador de soluções de sustentabilidade energética, está presente em sete países europeus e chegou a Portugal em 2016. Agora o nosso país foi escolhido para ensaiar a expansão da atividade da multinacional francesa à mobilidade elétrica. É a oportunidade ideal para conversar com o seu CEO, Luís Pinho.

Como é que se carateriza a atividade da Helexia em Portugal?
Somos um operador de soluções de sustentabilidade energética, produção e gestão de energia (solar) e mobilidade elétrica. Queremos estar presentes em toda a cadeia de valor dos projetos desde o desenvolvimento até à operação e manutenção, e aportamos toda a capacidade técnica, legal, construção e financiamento. Realizando nós o investimento na transição energética, os clientes não perdem a capacidade de investir na atividade core, com o benefício de reduzirem a pegada ecológica, o consumo de energia convencional e os seus custos com energia.
Luís Pinho, CEO da Helexia Portugal
Qual o volume de negócios em 2019 e as expectativas para 2020?
Em 2019 foi de €1.4M. Para 2020 prevemos atingir €3.7M. Todavia, a situação atual pode ter impacto nos objetivos deste ano.
Qual o valor do investimento no fotovoltaico este ano e no próximo?
O nosso objectivo era investir cerca de €20M em 2020 e €30M em 2021. Com a situação atual iremos atualizar o plano em função da evolução da situação nacional e internacional.
Quais os projetos que a Helexia já concluiu? E em curso?
Temos projetos em vários sectores de atividade, desde o retalho, industria, reciclagem, e produção/transformação de carne. Temos como clientes, entre outros, as empresas Leroy Merlin, Auchan, Porcelanas Costa Verde, Primus Vitoria Cerâmicas, Raporal, Grupo Montalva, Ambigroup, Invepe, Neutroplast… Temos em curso vários projetos de produção de energia em lojas Leroy Merlin (Aveiro, Leiria, Matosinhos, Setúbal), Gresart, Domino Cerâmicas, Pingo Doce (Albergaria-a-Velha e outras lojas brevemente). Quanto aos projetos de eficiência energética.(certificações, auditorias, implementação de ISO9001) destaco a Tratolixo, Auchan, Dominó Cerâmicas. E temos em curso a instalação de postos de carregamento em nove hipermercados Auchan.
Em termos de tecnologia e custos, houve alterações significativas?
Sim em termos de custos, o preço do principal componente, o painel fotovoltaico, tem visto o seu custo reduzir. Nos restantes equipamentos mantém-se equilíbrio nos preços. Na tecnologia, a principal evolução tem sido a potência pico dos painéis fotovoltaicos que tem aumentado. Isso permite produzir mais energia com a mesma área. Este é um fator muito positivo e que responde a constrangimentos de muitos edifícios, que têm elevados consumos, mas pouca área disponível para implementação dos sistemas fotovoltaicos.
A ideia de que cada telhado pode ser uma fonte de energia faz sentido? Ou só para as empresas de maior consumo? Produzir mais energia é sempre a melhor solução?
Cada telhado é uma fonte de energia, resta que a consigamos aproveitar de forma eficiente, sustentável e também economicamente viável, e equilibrando estes três fatores. Produzir mais energia junto ao local de consumo e de fonte renovável é parte da solução, que deve ser equilibrada com outras fontes que assegurem a continuidade de fornecimento sempre que a fonte renovável não está presente, por exemplo a falta de sol, de vento, de chuva, é importante pois, um sistema energético integrado que garanta a estabilidade e segurança do fornecimento.
Para os vossos clientes, a questão da sustentabilidade ambiental é realmente importante? Ou o motivo principal para avançar é sobretudo económico?
O fator ambiental pesa cada vez mais na decisão por este tipo de projetos, cada vez mais empresas sentem esta responsabilidade perante os seus clientes e fornecedores. Naturalmente o fator económico é importante e eu entendo que não deve estar dissociado deste tipo de projetos, que devem ser simultaneamente económica e ambientalmente sustentáveis. No nosso ADN existe esse equilíbrio entre economia e ecologia como fator para uma sociedade que traz ganhos às empresas e ao planeta.
Qual vai ser o modelo de negócio da Helexia em Portugal para a mobilidade elétrica?
A Helexia estuda, dimensiona, desenvolve, financia, implementa e opera os postos de carregamento, e partilha com o parceiro (hospedeiro do posto de carregamento) uma parte das receitas geradas.

No caso de estabelecimentos comerciais, queremos ter um papel ativo de negócio e trabalhar com o nosso parceiro para trazer tráfego para o seu espaço, nesse sentido será desenvolvido marketing conjunto.

Quando estarão em funcionamento os primeiros postos de carregamento de veículos elétricos da Helexia?
Na primeira metade de Maio entram em operação os primeiros quatro PCN e dois PCR, neste momento em fase de certificação e obtenção de licença de exploração.
Qual o valor previsto de investimento na mobilidade?
Prevemos investir nesta atividade €6M até 2022.
O CEO da Helexia já aderiu à mobilidade elétrica? Como vê o futuro do setor?
Substituí recentemente a minha viatura por um híbrido plug-in. E, na empresa, todas as novas viaturas são full electric. Temos 30% de viaturas full electric, 14% PHEV e 56% térmicas, mas até meio de 2021 iremos estar apenas a conduzir viaturas elétricas.
Como é que a Helexia navegou este período do estado de emergência e do lockdown?
No dia 11 de março já estávamos em teletrabalho. Decidimos não fazer lay-off, porque achei que era necessário manter a coesão e espírito de equipa. Apesar das contingências, conseguimos garantir que todos estavam a contribuir para a atividade da empresa. O horário também mudou um pouco. Deixou de ser das 9 às 5 e parece que estamos sempre online. Quanto aos clientes, encontrámos as preocupações normais do que pode acontecer a seguir. Após a crise sanitária, sabemos que vem a crise económica. Para já, conseguimos garantir que os nossos projetos estavam a operar e a ser mantidos, de acordo com as necessidades, cumprindo todas as regras de segurança.

Em alguns casos, até tivemos resultados inesperados. O facto de haver uma redução de atividade permitiu avançar mais depressa e conseguimos manter uma timeline positiva dos nossos projetos. Relativamente aos fornecedores, não notámos ainda grandes constrangimentos. Prevemos que possam existir algumas dificuldades no futuro, mas temos o tempo suficiente para ajustar e vivermos com isso.

A situação de pandemia pode acelerar uma mudança de comportamento da sociedade? Ou quando passar, vamos voltar aos velhos hábitos?
Temos assistido a uma preocupação cada vez maior da sociedade com os temas da sustentabilidade. Acredito que isso será também um catalisador para as empresas apostarem convictamente na Transição Energética.
Naturalmente esta situação de pandemia está a colocar muita pressão económica e financeira nas empresas, e muitas poderão olhar para este tema de forma oportunista, para serem mais competitivas e reduzirem os seus custos com energia. Acredito que os comportamentos estão a mudar de forma consistente e não circunstancial e isso é um sinal positivo, e inspirador que estamos no caminho certo e a tomar as decisões certas para o nosso ambiente, e para o futuro, o nosso e o dos nossos filhos.
A pandemia pode fazer-nos olhar para a China de outra forma, enquanto fornecedor
Utilizarmos a China porque não há alternativa. O que assistimos nos últimos anos, com o crescimento das energias renováveis na Europa, foi uma desmobilização da capacidade produtiva da Europa para a China e os países asiáticos.
Em projetos com exigências especiais ainda se consegue produzir equipamento a preço competitivo. Quando as necessidades são estandardizadas, a Europa não consegue competir. No sector de energias renováveis e e de toda a indústria no geral, temos que tentar perceber como a Europa se pode industrializar de uma forma eficiente e competitiva. 

Vimos que, nesta situação, todos os países têm as mesmas dores para terem ventiladores e outro equipamento. Ou vêm da China ou tem componentes que são produzidos lá. Acho que é um bom momento para a Europa olhar para um mega plano de industrialização. Esse deveria ser um objetivo do qual a Europa não se devia desviar. Para voltarmos a ter parte do futuro nas nossas mãos.

Painéis fotovoltaicos da Helexia na cobertura da loja da Leroy Merlin, em Loulé

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