Numa interessante iniciativa de comunicação, a Renault Portugal convidou alguns jornalistas a colocar questões, por vídeo-conferência, a Gilles Normand.

Após de ter exercido diversos cargos executivos dentro da aliança Renault-Nissan, Normand assumiu, em 2017, o departamento dos veículos elétricos do construtor francês.

Numa breve introdução, revelou alguns números relativos aos veículos elétricos no mundo e o seu crescente peso na indústria. De cerca de 1% do total de veículos produzidos há um par de anos, os elétricos de bateria irão representar, em 2021, cerca de 4% do total.

Renault produz elétricos há uma década

Normand explicou que a Renault foi o primeiro construtor europeu a apostar, de forma realista, no setor. O Zoe continua a sua evolução, sobretudo em termos de capacidade da bateria e consequente autonomia.

Questionado pelo Watts On sobre os efeitos da pandemia na cadeia de fornecimentos, referiu que a produção automóvel nas fábricas parou por determinação das autoridades e não por qualquer quebra de fornecimento.

Acrescentou que, nos últimos anos, a Renault tem feito um esforço para aproximar da Europa a produção de componentes essenciais para os elétricos. O caso mais premente é o da produção de baterias, produzidas pela LG Chem. Anteriormente vinham da Coreia do Sul, mas agora são produzidas na Polónia.

Esta alteração foi essencial para aumentar a produção do Zoe de 20.000 para 100.000 unidades/ano, que é o objetivo para 2020. Mesmo com os efeitos da pandemia.

 

Novos modelos

Questionado sobre a oferta de elétricos da Renault, que tem assentado praticamente sobre o Zoe no que diz respeito a volume, Gilles Normand revelou um fenómeno interessante.

Diz que a Renault tem investido muito no aumento da autonomia do Zoe, porque essa parecia ser a principal preocupação dos utilizadores. No entanto, agora que a autonomia do novo Zoe já está perto dos 400 quilómetros por carga, surgem novos clientes para os quais o mais importante é o preço. O que interessa é que os elétricos sejam mais baratos, mesmo que não tenham tanta autonomia.

Por esse motivo, a Renault aposta no Twingo elétrico, um citadino que será também um dos elétricos mais baratos do mercado.

Surgirá também em breve um outro modelo, posicionado acima do Zoe, já prefigurado no concept Morphoz. Em breve serão conhecidos mais pormenores sobre este modelo.

Quanto ao Twizzy, é agora produzido na Coreia do Sul, onde está a ter uma segunda carreira comercial interessante. Normand sublinha que continua a ser um modelo de nicho, da micromobilidade, um segmento que continuará ganhar importância.

A transição para os elétricos

Gilles Normand revela que a experiência de uma década com elétricos confirma alguns comportamentos dos clientes. Um dos mais significativos é o que aponta para um não-retorno aos motores de combustão. Quem muda para um elétrico não quer voltar para um automóvel com motor de combustão. O silêncio de funcionamento, o prazer de utilização graças à entrega de binário instantâneo e a ausência de emissões são as principais vantagens apontadas.

Neste momento, um terço dos europeus está a considerar a aquisição de um elétrico como próximo automóvel. Não é ainda uma intenção e compra, mas é uma evolução significativa e… bastante rápida. Normand considera que esta é uma tendência reveladora de como o mercado vai evoluir nos próximos anos.

Como a Renault olha para a Tesla

Questionado sobre o construtor americano e o seu constante crescimento nas vendas, Normand não poupa elogios.

“A Tesla é um fenómeno de marketing e comunicação. Fizeram um excelente trabalho, que beneficiou a transição para a mobilidade elétrica.”

“Para a Renault, a Tesla tem sido uma importante ajuda para abrir o mercado. Além disso, têm um bom produto. No horizonte, ainda existem algumas questões relativas à rentabilidade e ao financiamento da Tesla, mas no geral, têm tido muito sucesso.”

“Na Renault, consideramos que estamos de mãos dadas com a Tesla na promoção da mobilidade elétrica.”

 

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