Estão abertas as candidaturas à terceira edição do Blue Bio Value, um programa de aceleração de empresas na área da bioeconomia marinha – ou “azul” – promovido conjuntamente pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Fundação Oceano Azul.

O programa é dirigido a startups nacionais e internacionais que desenvolvem produtos ou serviços que recorrem à biotecnologia azul e aos recursos marinhos para responder a problemas sociais ou ambientais, contribuindo para o crescimento económico sustentável.

As candidaturas decorrem
até 30 de junho.

“Ao participar no programa, as startups validam a tecnologia que têm vindo a desenvolver, adquirem ferramentas de gestão que lhes permitem criar negócios sustentáveis, economicamente viáveis e que as torne competitivas num mercado global, e acedem a uma rede única de mentores portugueses e estrangeiros, parceiros especialistas de várias indústrias e potenciais clientes e investidores”, explica a Gulbenkian.

“O oceano em Portugal, com a alavanca da tecnologia, pode ajudar a comunidade empresarial a liderar o combate pós-COVID”, diz Filipa Saldanha (Gulbenkian).

No final do programa, as três startups mais inovadoras recebem um total de 45 mil euros para apoio ao desenvolvimento dos seus projetos.

Ao promover este programa, as duas Fundações têm como objetivo criar condições favoráveis a que estes negócios se fixem e cresçam em Portugal, uma vez que o país tem acesso a uma biodiversidade única, a par de infraestruturas e conhecimento científico capazes de desenvolver projetos que revolucionem a sustentabilidade do oceano.

Para Filipa Saldanha, subdiretora do Programa Gulbenkian Desenvolvimento Sustentável, a promoção deste programa faz, hoje, mais sentido que nunca: “A crise humanitária causada pela pandemia COVID-19 veio demonstrar, ao nível global, como a nossa relação com a natureza pode constituir uma enorme ameaça à saúde pública. As alterações climáticas e a destruição da biodiversidade têm sido responsáveis pela propagação de graves doenças infeciosas, como a ébola, a gripe das aves, o MERS-CoV ou o COVID-19. Precisamos, mais do que nunca, de alternativas ao modelo económico atual a fim de evitar outras pandemias no futuro”.

Filipa Saldanha acrescenta que a resposta económica do pós-COVID terá de passar pela promoção de soluções empresariais sustentáveis e de baixo carbono, acelerando a transição para um capitalismo responsável, capaz de respeitar as dimensões humana, natural e financeira.

Quais as start-ups apoiadas até agora?

O programa já contou com duas edições até aqui.

Lançada em 2018, a primeira edição do Blue Bio Value permitiu acelerar 13 empresas de seis nacionalidades, tendo sido premiadas uma empresa holandesa e duas portuguesas. A startup holandesa Hoekmine apresentou-se com uma tecnologia inovadora de desenvolvimento de cores com base em bactérias marinhas que podem ser aplicadas em vestuário, cosméticos, automóveis e muitas outras indústrias, substituindo a utilização de químicos. Em Portugal, destacaram-se a Undersee, nascida em Coimbra, que desenvolveu um dispositivo e aplicação para recolha de dados de qualidade da água em tempo real, e a SEAentia, de Cantanhede, que se dedica à produção sustentável em aquacultura de corvina num sistema de recirculação e, seguindo um conceito de economia circular, espera expandir a produção de algas, mexilhões e outras espécies.

Na segunda edição do Blue Bio Value, o programa recebeu mais de 110 candidaturas, das quais foram selecionadas 15 startups provenientes de nove países (Portugal, Espanha, Dinamarca, Suíça, Itália, Canadá, Brasil, Reino Unido e Índia), sendo Portugal o mais representado, com cinco startups.

Neste caso, sagraram-se vencedoras a espanhola Ficosterra, que produz biofertilizantes e bioestimulantes através de algas e micro-organismos complexos, com o objetivo de regenerar o solo, estimular culturas, melhorar a produtividade e aumentar a resistência das plantas ao stress ambiental; a britânica Ufraction8, centrada na sustentabilidade de processos através de uma tecnologia de bioprocessamento escalável, com elevada eficiência, redução de consumo energético, focada em soluções sustentáveis e inovadoras para indústrias de processamento de vários biorrecursos; e a brasileira Biosolvit, que desenvolve produtos sustentáveis destinados à absorção de qualquer derivado de petróleo em terra ou no mar.

O programa conta ainda com a parceria da Fábrica de Startups e a Bluebio Alliance.

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