Bicicleta pode ser uma aliada na saída do confinamento

A MUBi pretende que o governo implemente um programa de estímulo à mobilidade em bicicleta no cenário de saída do confinamento. A ideia é contribuir para o descongestionamento dos transportes públicos, a redução do risco de contágio e a mitigação de uma eventual segunda vaga da epidemia.

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Com a saída do confinamento ditada pelo fim do Estado de Emergência, a 2 de maio, uma parte importante da população readquirirá progressivamente muitas das suas necessidades de deslocações.

Porém, nesta fase, o ainda elevado risco de contágio do coronavírus COVID-19 leva a que seja grande a probabilidade da frequência de transportes coletivos cair.

A MUBi – Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta é uma das entidades a alertar para essa eventualidade, referindo que muitos “muitos dos que utilizavam transportes coletivos [face à situação anterior à crise] hesitarão em continuar a fazê-lo”.

Com a saída do confinamento, ​teme-se um incremento do uso do automóvel individual​, com aumento da poluição. Os ​modos ativos de deslocação podem ajudar a ​descongestionar os transportes públicos​.

Para os utilizadores de bicicletas, uma das medidas necessárias será o aumento da oferta de transporte público, de forma a se conseguir manter a mesma capacidade de transporte com menores taxas de utilização por veículo.

“Contudo, tal não será certamente suficiente. Caso não sejam tomadas medidas em tempo útil, uma parte significativa das deslocações anteriormente feitas em transportes coletivos serão transferidas para o automóvel individual. Com o resultante incremento de congestionamento e poluição das nossas cidades e potencialmente até o colapso das cidades de maior dimensão”, refere a MUBi.

Oportunidade que se criou

A MUBi destaca o facto de que o período de confinamento e estado de emergência ter permitido, “entre todas as dificuldades, assistir a como seriam as nossas cidades quase sem carros e com níveis de qualidade do ar que já quase tínhamos esquecido serem possíveis. Voltar à anterior ‘normalidade’ não é uma opção! Esta é uma oportunidade de definitivamente abraçarmos a mudança de paradigma das políticas de mobilidade , tornando as nossas cidades mais humanas, seguras, saudáveis e ecológicas”, defende esta associação.

Ao preparem a saída do confinamento, governos como os de Espanha e de França anunciaram o estudo de medidas para fomentar a utilização da bicicleta como modo de transporte preferencial. “Milão, a capital da região da Lombardia, fortemente fustigada pela COVID-19, desenhou um plano ambicioso para realocar espaço do automóvel aos modos ativos de deslocação”, lembram os utilizadores de bicicletas.

Mediante isso, a MUBi propõe ao Governo um plano de medidas prioritárias para apoiar e encorajar os modos ativos de deslocação como modo preferencial de transporte durante o período de saída progressiva do confinamento.

Deslocações casa-trabalho

Lançamento de um ​programa de incentivos fiscais e/ou financeiros às deslocações casa-trabalho em bicicleta​, à semelhança do que existe há vários anos em diversos países europeus é uma das ideias.

“Com base em dados desses programas, a MUBi estima que poderiam ser suficientes 2-3 milhões de euros para a operacionalização do programa em Portugal no segundo semestre de 2020. Montante que poderia ser duplicado em 2021”, refere esta entidade.

Os utilizadores de bicicletas pedem, igualmente, um reforço do ​incentivo do Estado à aquisição de bicicletas ​elétricas, de carga e convencionais.

“Fomentar o uso dos modos ativos de deslocação permitirá um regresso mais rápido e seguro à atividade normal. A crise social e económica resultante da crise sanitária durará vários anos, e é, portanto, crucial a aposta e investimento nos transportes públicos e, em particular, na mobilidade activa. É muito provável que a utilização da bicicleta venha a aumentar de importância e assuma um papel indispensável na mobilidade dos cidadãos”, sublinha a MUBi.

Para esta organização, as autoridades sanitárias portuguesas deverão acompanhar a Organização Mundial da Saúde, e ​recomendar que os cidadãos nas deslocações necessárias, sempre que possível, considerem utilizar a bicicleta ou caminhar.

O plano de medidas prioritárias defendido pelos MUBi inclui medidas que vão para lá do universo das bicicletas, como seja o alargamento e desobstrução de passeios, dado que muitos dos passeios não permitem que seja cumprido o distanciamento de segurança quando pessoas se cruzam.

Outra ideia: redução dos tempos de espera nas passagens de peões semaforizadas, por forma a diminuir a aglomeração de pessoas e fecho de ruas ao tráfego automóvel.

Fiscalização a comportamento de risco na condução

“No sentido de reduzir a sinistralidade rodoviária, tornar as ruas mais seguras e encorajar a utilização dos modos ativos, esta será a altura propícia para, finalmente, o Governo implementar a anunciada intenção de redução do ​limite de velocidade dentro das localidades para 30 km/h”, defendem igualmente os utilizadores de bicicletas.

Outra sugestão transmitida ao Governo vai no sentido de que deverá ser promovida, através das forças de segurança, uma fiscalização mais efetiva de ​comportamentos de risco na condução de veículos motorizados​, nomeadamente excessos de velocidade, estacionamento em locais de passagem de peões e incumprimento das regras de ultrapassagem a ciclistas.

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