Um total de 94 organizações e personalidades da sociedade portuguesa subscreveram o “Manifesto por uma Recuperação Económica Justa e Sustentável em Portugal”, uma tomada de posição sobre a necessidade de se promover uma recuperação económica que coloca no centro das preocupações uma sociedade mais justa, mais eficiente no consumo de recursos e mais resiliente.

Segundo este manifesto, as medidas económicas a tomar neste período que se avizinha devem ser justas e sustentáveis e baseadas no Pacto Ecológico Europeu (PEE), no Acordo de Paris, nos objetivos de proteção da biodiversidade e nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), com vista a uma sociedade e economia mais resilientes e inclusivas no futuro.

A sociedade portuguesa, e não apenas o setor da conservação da natureza e ambiente, junta-se nesta resposta coletiva sobre a recuperação económica que quer para Portugal

Quem são os os signatários?

Os signatários acreditam que o compromisso com uma recuperação económica justa e sustentável deve ser assumido por todos os setores da sociedade portuguesa, tendo, por isso, subscrito o documento 27 associações não-governamentais de ambiente, sociais, agrícolas, florestais, de desenvolvimento, e cooperativas, entre as quais a ANP|WWF, o FAPAS, o GEOTA, a LPN, a SPEA, a Zero, a Amnistia Internacional, a Agrobio, a Coopérnico, a ANSUB, a Ocean Alive e a ADPM; 18 empresas, como a GoParity, o Impact Hub Lisboa, a NeptunPearl e a marca GreenFest; duas associações empresariais, a BCSD e a BlueBio Alliance; um Centro de Investigação, o CEABN; 46 figuras de destaque na sociedade portuguesa. Juntos, dão a voz e a cara por um modelo de recuperação baseado em princípios sociais e de sustentabilidade, que assegurem uma economia climaticamente neutra, que protege e restaura a natureza, a saúde e o bem-estar das pessoas, sem deixar ninguém para trás.

Para os subscritores “não se trata de criar uma nova economia do zero”. Trata-se de “afirmar inequivocamente que uma economia justa e sustentável é o único caminho para a recuperação da economia portuguesa, onde o investimento público deve estar claramente balizado, e não deverá ser aplicado de forma indiscriminada a todos os setores: nem todos os setores de atividade estão aptos a recuperar deste choque, nem todos os setores são atividades económicas de futuro, e nem todos respondem a necessidades societais presentes e futuras”.

Crescimento superior

Em contraste – prossegue o documento – “o setor dos bens e serviços ambientais, crítico para uma recuperação justa e sustentável, registava em Portugal em 2017 taxas de crescimento superiores às da economia nacional no emprego (3,7%, que compara com 3,4%) e nas exportações (20,0%, face ao aumento de 11,6% do total das exportações)”.

Ainda segundo o manifesto, “em toda a Europa, entre 2000 e 2015, a taxa de crescimento dos empregos verdes foi sete vezes maior do que a verificada nos outros sectores da economia”.

Articulação entre ministérios essencial

Ângela Morgado, diretora Executiva da ANP|WWF, organização que promoveu este manifesto, declara que o “momento de crise económica e social que se avizinha não pode servir de pretexto para se ignorar os caminhos que já estavam traçados, sendo agora, mais do que nunca, essencial a articulação entre os vários ministérios para assegurar que as medidas definidas estão em linha com os objetivos do Pacto Ecológico Europeu e em linha com uma sociedade e uma economia que respeita a Natureza”.

Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Notify of