A transição para a neutralidade carbónica é uma necessidade urgente e exigente que obriga a investimentos significativos em diversas áreas, incluindo na eficiência energética e nas energias renováveis.

No entanto, o relatório “Transição climática e energética: o potencial inexplorado dos fundos da UE” (“Climate and energy transition: the untapped potential of EU funds”), elaborado no âmbito do Projeto LIFE Unify, mostra como os países da União Europeia (UE) usam pouco os fundos de desenvolvimento regional da UE existentes para esse fim.

Pode consultar o documento, clicando na imagem.

“Com o orçamento da União Europeia em melhor posição para apoiar a recuperação económica, os Estados-Membros devem fazer da ação climática uma prioridade na sua utilização para uma recuperação ambiental e económica dos países, para um futuro muito mais sustentável e equilibrado”, comentam os ambientalistas da associação Zero que são uma das entidades que integram o Projeto Unify, juntamente com mais nove organizações de outros tantos Estados-membros da União Europeia, designadamente República Checa, Croácia, Dinamarca, Estónia, França, Alemanha, Polónia, Eslovénia e Espanha.

 

Fundos europeus devem dar prioridade ao investimento em setores que contribuem para a descarbonização da economia.

De acordo com o relatório, os Estados-Membros têm sido lentos em apoiar os seus compromissos climáticos com os fundos europeus, tendo mobilizado apenas 9,7% dos Fundos de Coesão e Desenvolvimento Regional da UE para o período 2014-2020 para financiar infraestruturas de energia limpa.

Rever investimentos

“Portugal, para alcançar o objetivo de neutralidade carbónica deve redirecionar mais os fundos da UE para a ação climática. Fazer isso é a melhor maneira de impulsionar a recuperação da economia” – Francisco Ferreira, presidente da direção da Zero.

“Torna-se necessário que os países revejam urgentemente a forma como gastam o futuro orçamento da UE para 2021-2027. Para atingirem a neutralidade carbónica os países devem realizar investimentos de longo prazo que possam estimular a recuperação económica sustentável”, sublinha a associação Zero.

O estudo salienta que Portugal foi o utilizador dos fundos da política de coesão com maior percentagem destinada a investimentos em infraestruturas públicas (cerca de 85% dos fundos), como mostra este gráfico extraído do estudo:

No entanto e à semelhança da maioria dos seus parceiros europeus, a sua utilização para apoiar os seus compromissos na ação climática tem sido reduzida, tendo utilizado apenas 7,7% dos fundos no investimento em energias renováveis, eficiência energética e em investigação e inovação.

Os ambientalistas consideram que as áreas da eficiência energética e das energias renováveis são essenciais para garantir uma recuperação económica sustentável da crise atual.

Na leitura da Zero, “o país precisa de direcionar mais fundos para diversas áreas que lhe trarão maior sustentabilidade ambiental, económica e laboral para todo o território, com maiores benefícios para zonas que atualmente não têm tantas oportunidades”.

Esta associação salienta quatro áreas para as quais o investimento deve ser canalizado: energias renováveis; mobilidade elétrica; adaptação às alterações climáticas; e Economia Circular.

O relatório agora divulgado pretende identificar as principais áreas onde os vários países devem investir mais para terem um combate efetivo à crise económica provocada pelo coronavírus COVID-19 e na resposta aos compromissos com a ação climática.

“Uma correta aplicação dos fundos tem capacidade de gerar trabalho mais distribuído, para mais agentes económicos, de maior e menor dimensão, tornando assim a recuperação económica mais justa e com várias linhas de atuação com capacidade de trazer empregos para regiões normalmente mais desfavorecidas a este nível”, reforçam os ambientalistas.

Investimentos dirigidos para a luta contra mudanças climáticas contribuiriam para recuperação europeia

Markus Trilling, coordenador de políticas financeiras e de subsídios da Rede Europeia de Ação Climática (CAN-Europe) considera que os “investimentos direcionados na luta contra as mudanças climáticas contribuiriam para a recuperação europeia”.

Para isso – refere Trilling – “os futuros fundos da UE devem dar prioridade aos investimentos em infraestruturas que catalisam a descarbonização de todos os setores da economia, como a energia eólica e solar, a eficiência energética, e mobilidade e agricultura sustentáveis. Isso trará o estímulo económico sustentável a longo prazo, tornando as nossas sociedades resistentes a sobressaltos futuros”.

Os ecologistas entendem que, ao contribuir para a recuperação económica dos países da UE, o próximo orçamento para 2021-2027 deve aumentar seu foco na ação climática muito mais do que está hoje, dedicando 40% à atuação nesta área.

“Deve garantir-se mais apoio à eficiência energética e aos projetos de energias renováveis, edifícios e mobilidade. Isso é necessário para permitir que a UE, e particularmente as suas regiões menos desenvolvidas, implementem o objetivo de neutralidade carbónica acordado pelos chefes de estado e de governo da UE no ano passado e que o bloco atinja uma nova meta climática para 2030 substancialmente maior”, conclui este relatório “Transição climática e energética”.

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