A secção de Lisboa da MUBi – Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta considera que a Câmara Municipal de Lisboa (CML) deverá equacionar a implementação de infraestruturas temporárias de emergência (a que chama de “corredores sanitários”) por forma a garantir maior segurança a quem opte pelos modos ativos de deslocação nestes tempos de pandemia de coronavírus SARS-CoV-2.

Os utilizadores de bicicletas recordam que o uso dos modos ativos de deslocação durante a pandemia COVID-19 é seguro e não aumenta o risco de contágio de utilizadores nem de outras pessoas no espaço público, desde que asseguradas as recomendações da Direcção-Geral da Saúde.

“Como podemos aproveitar esta crise para tomar decisões transformativas e começar a fazer aquilo que a saúde pública e a sustentabilidade dos Lisboetas e do planeta exigem de nós?” questiona a MUBi para a qual “esta crise é o momento de colocarmos questões com uma profundidade que a mesma merece”.

Os utilizadores de bicicletas e meios de deslocação suave congratulam “a Câmara Municipal de Lisboa/EMEL por ter decidido manter o sistema de bicicletas partilhadas GIRA em funcionamento”, bem como pelo facto do sistema ser agora gratuito para os profissionais de saúde.

Todavia, lembram que a cidade depende “também das muitas pessoas que continuam a trabalhar para colocar o pão nas nossas mesas, limpando as nossas ruas, trabalhando nas cadeias de abastecimento de produtos essenciais e de primeira necessidade, entre outros, pessoas que garantem que neste período de crise e de estado de emergência a nossa sociedade não colapsa”.

A MUBi apela, assim, para que o sistema GIRA seja gratuito para todos os que cumprem as regras de comportamento estipuladas no Decreto Governamental que regulamenta a aplicação do estado de emergência. “Se queremos mudar de comportamentos esta é a altura para o fazermos”, apelam os utilizadores de bicicletas.

Exposição à poluição atmosférica joga a favor da contaminação de coronavírus

“Dados da literatura científica apontam para a poluição atmosférica, que em meios urbanos tem origem sobretudo no uso de meios de transporte motorizado, constituir-se um fator de risco importante para o aumento da morbilidade e mortalidade da infeção pelo coronavírus SARS-CoV-2. Pesquisas recentes sugerem, ainda, a hipótese de que as partículas de poluição podem servir de vetor ao vírus e ser uma das formas deste alcançar maiores distâncias, pairar mais tempo no ar e contaminar mais pessoas”, refere a MUBi.

Os utilizadores de meios suaves de deslocação citam um recente estudo que veio indicar que um pequeno incremento na exposição prolongada a partículas sólidas finas, PM​2.5​, origina um grande aumento da taxa de mortalidade por COVID-19, sendo a magnitude desse aumento 20 vezes superior à observada para as PM​2.5 e todas as causas de mortalidade. Os autores deste estudo, afirmam que os resultados realçam a importância da contenção da poluição atmosférica para proteger a saúde humana, durante e após a crise da COVID-19.

Os utentes de bicicletas referem que a CML deverá equacionar a implementação de “corredores sanitários”​ que garantam uma maior segurança a quem opte pelos modos ativos de deslocação, como criação de ciclovias, alargamento de passeios, encerramento de ruas ou vias de circulação ao tráfego automóvel, seguindo os exemplos do que muitas cidades do mundo tem vindo a fazer neste período de crise e as recomendações de centenas de especialistas nas áreas de saúde pública e mobilidade”.

Para a MUBi, “não só estaremos a garantir o distanciamento de segurança a quem se desloca a pé ou em bicicleta, pelo aumento de espaço de circulação disponível, como estaremos também a promover a redução do risco rodoviário para estes e todos os utilizadores do espaço público”.

Automobilistas estão a circular ainda mais depressa agora, dizem ciclistas

Segundo a avaliação dos utilizadores se velocidades excessivas já eram demasiado frequentes na cidade, com a redução do número de veículos as velocidades aumentaram ainda mais. A MUBi alerta ainda para o facto do estacionamento sobre o passeio ser um problema mais premente agora quando os peões precisam de mais espaço para caminhar.

“Igualmente, se a criação de ciclovias sobre o passeio, ou à sua cota, sempre foram um erro técnico e estratégico, agora e no futuro é ainda mais uma solução inaceitável e a corrigir com urgência”, apela a MUBi para a qual a CML deverá começar a equacionar nos seus projetos passeios e ciclovias “devidamente separados e com maior dimensão – a proliferação de novos veículos de micromobilidade, bicicletas de carga e a necessidade de distanciamento físico assim o exigem”.

A MUBi recomenda, por isso, que a CML lance uma campanha de comunicação apelando aos cidadãos que se abstenham de comportamentos de risco na condução de veículos motorizados e aumente e diligencie junto das autoridades competentes a fiscalização na redução de comportamentos de risco.

Em concreto, a MUBi sugere que a CML:

►Proceda, nos eixos viários em meio urbano com mais que uma via de trânsito em cada sentido, à ​redução temporária, ou permanente, do número de vias​, por forma a promover a acalmia do tráfego motorizado e consequente redução do risco rodoviário para todos. Entre esses eixos destacam-se a Avenida de Roma, Avenida Almirante Reis, Avenida 24 de Julho, Avenida da Índia, Avenida de Berna, Avenida Lusíada, Avenida Egas Moniz e Avenida Gago Coutinho);
►Disponibilize as vias libertadas nesses eixos para a utilização dos modos ativos como ​corredores sanitários, de forma a garantir um maior distanciamento físico aos cidadãos que circulam a pé ou de bicicleta;
►Colmate as partes ainda em falta do plano de ​expansão da rede ciclável de Lisboa com ciclovias temporárias de emergência;
►Desloque para o espaço rodoviário os troços de ciclovias “colocados erradamente no passeio”, no âmbito das medidas de emergência;
►Apele aos cidadãos que, nos casos de deslocações essenciais e necessárias, o façam, sempre que possam, em bicicleta ou a pé;
►Reduza o limite máximo de velocidade na cidade para 30 km/h , com exceção de vias de nível 1;
►Torne as GIRA temporariamente gratuitas para todos os utilizadores;
►Tente acordos com os operadores privados de micromobilidade de forma a que haja condições mais vantajosas de utilização dos seus serviços e aumentar o número de alternativas ao uso do automóvel particular;
►Monitorize o efeito das medidas temporárias que a MUBi sugere e utilize estes dados para sustentar medidas mais perenes de transformação do espaço público do concelho de Lisboa em favor dos modos ativos, dos cidadãos e da qualidade do ar.

 

Sabia que…
… o Governo veio considerar essenciais os serviços de reparação e manutenção de bicicletas, para responder às necessidades dos cidadãos que optem por este modo para as suas deslocações durante o estado de emergência?

A MUBi “espera que estas propostas para Lisboa possam complementar a continuação do bom trabalho e ajudar a salvaguardar a saúde de todos a curto e longo prazo”. A associação diz estar “à inteira disposição para ajudar e reunir para detalhar e operacionalizar estas propostas”.

Os ciclistas querem medidas que apoiem os modos ativos de mobilidade no combate à pandemia.

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