A Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos (UVE) considera que a crise de saúde pública e de emergência sanitária que o novo coronavírus, SARS-CoV2 (COVID-19), mergulhou o mundo é uma “oportunidade histórica para avançarmos decisivamente para a eletrificação de todo o tipo de transportes”.

Os utilizadores de viaturas elétricas recordam que “este brusco e nunca visto abrandamento das atividades humanas, teve como consequência uma redução imediata das emissões de gases tóxicos, especialmente visível nas grandes cidades e áreas metropolitanas, com a paragem ou redução dos transportes rodoviários movidos a combustíveis fósseis, transportes públicos e veículos particulares, mas também a aviação comercial, com uma redução do tráfego aéreo de cerca de 90% a 95%, bem como a paragem da esmagadora maioria dos navios de cruzeiro”.

Emissão de dióxido de nitrogénio na Península Ibérica (março 2019 vs. março 2020) Fonte: ESA (Agência Espacial Europeia)

As consequências da gigantesca paragem da atividade humana sobre os territórios possibilitaram às diversas agências internacionais, como a NASA e a ESA, monitorizar quebras muito significativas dos níveis de CO2 e de gases tóxicos de nitrogénio (NOx).

Emissões de dióxido de nitrogénio na China em três momentos: dezembro 2019, fevereiro 2020 e março 2020
Fonte: ESA (Agência Espacial Europeia)

As imagens comparativas obtidas entre o antes e o depois destas restrições “têm permitido confirmar, na prática, que sim, é possível tornar as cidades ambientalmente mais sustentáveis, com níveis de qualidade do ar compatíveis com as necessidades dos humanos, assim como níveis de ruído aceitáveis para os ouvidos humanos”, enfatiza a UVE.

Os utilizadores de EV referem que há também vários estudos que mostram que “a severidade da COVID-19 – incluindo a letalidade – está intimamente ligada aos níveis de poluição atmosférica a que os afetados estiveram sujeitos no passado, com um aumento marcado da letalidade, mesmo em locais com níveis de poluição atmosférica moderados”.

A UVE salienta que se constatou que:
• cerca de dois meses após a quarentena em Wuhan, a qualidade do ar melhorou 21,5%
• na China, a redução de CO2 atingiu cerca de 25%
• a poluição do ar em Barcelona e Madrid reduziu cerca de 50%
• segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o número de mortes relacionadas com a poluição atmosférica atinge os 7 milhões de pessoas por ano

“Que reflexão podemos então fazer, destas consequências, destes efeitos colaterais do abrandamento da atividade humana, e da enorme redução do tráfego rodoviário, aéreo e marítimo, através da utilização de veículos com motores de explosão movidos a combustíveis fósseis?”, interroga a UVE.

Para a UVE, impõe-se:

• acelerar a eletrificação dos transportes públicos nas grandes cidades;
avançar decisivamente para a eletrificação das frotas empresariais;
• promover o transporte ferroviário eletrificado como alternativa ao transporte aéreo;
• apoiar e incentivar a eletrificação do transporte particular, individual ou coletivo.

“Urgente”, sublinha UVE

“Nunca se fez tão urgente promover a eletrificação de todos os veículos e formas de mobilidade”, destacam os utilizadores de EV.

A UVE considera que qualquer moratória que venha a ser aplicada na aplicação das regras de emissões do CAFE – Clean Air For Europe (que os grandes fabricantes europeus poderão vir a solicitar a Bruxelas) ou ajuda financeira por parte, quer dos respetivos governos nacionais, quer da própria União Europeia, “deverá ser sempre acompanhada de exigências aos fabricantes que vendam no espaço europeu, de acelerarem os planos de eletrificação dos seus veículos, com prazos bem definidos e mais curtos do que os previstos antes da atual crise que atravessamos.

De acordo com a visão da UVE, esta é uma oportunidade para avanços significativos, quer no cumprimento dos acordos internacionais assinados pelo governo português, como o Acordo de Paris, quer para acelerarmos políticas nacionais, como seja o Roteiro para a Neutralidade Carbónica RNC2050.

“Não queremos voltar à chamada ‘normalidade’ anterior à atual crise, pois foi essa mesma ‘normalidade’ que nos trouxe até aqui”, salienta a UVE.

“É nestes períodos de grande instabilidade e de crise em que já percebemos que nada irá ficar igual ao que estava, que devemos ter a capacidade de inovação para avançarmos com as políticas públicas necessárias à implementação das decisões de mobilidade e de transportes, urgentes e essenciais à construção de sociedades mais justas, mais sustentáveis, mais humanas, e que nos permitam a todos, como comunidade, vivermos melhor. Claro que é possível, só depende de nós, de nós todos. Reduza ou elimine a utilização de combustíveis fósseis. Utilize transportes coletivos ou individuais, de preferência eletrificados”, apelam os utilizadores de veículos elétricos.

Apelo da UVE a municípios e governo

A UVE apela a que os governos das cidades tenham a capacidade e visão de “transformar os sacrifícios e restrições que atravessamos atualmente em avanços claros e decisivos na construção de cidades mais amigas do ambiente, dos seus habitantes e visitantes”. Também exorta o governo nacional para que “intervenha, através da adoção de políticas públicas, no sentido de promover a produção e a comercialização de veículos elétricos em Portugal, quer através de políticas fiscais ou de incentivos à aquisição dos mesmos, assim como do incentivo à criação de fábricas de baterias e de legislação simplificada que permita a conversão de veículos com motor de explosão em veículos elétricos.

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