Tem impressora 3D? Saiba como pode ajudar na luta contra a COVID-19

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Viseiras já feitas e empilhadas prontas a serem despachadas

Uma plataforma “Made in Portugal” destinada a ajudar no combate ao COVID-19 já reúne meia centena de empresas e 200 particulares – e com tendência para crescer.

A plataforma SOSCOVID.pt está empenhada na produção, de forma gratuita, de material de apoio para os profissionais de saúde desempenharem o seu trabalho na maior segurança possível neste contexto de pandemia.

Nesta fase, a produção tem recaído em viseiras de proteção, mas o consórcio de solidariedade empresarial que se formou pretende, em breve, passar a fabricar outro género de materiais.

2000 viseiras/dia e em breve 8 mil/dia

Depois de uma produção de 800 viseiras/dia, o conjunto das empresas e particulares da plataforma vai conseguir elevar, a partir desta segunda-feira, a produção para duas mil viseiras por dia.

E de acordo com Francisco Tenente, um dos elementos da plataforma e CEO da 3DWays, empresa de prototipagem sedeada em Porto Salvo e uma das entidades que está a dinamizar este projeto, esse volume pode passar para 8 mil/dia.

Considerando as estimativas de Francisco Tenente que apontam para que o país tenha uma carência real de 200 mil viseiras, esta plataforma SOSCOVID.pt conta, em mês e meio, conseguir suprir essas necessidades.

Entre as empresas aderentes conta-se ainda a Paul Stricker (fábrica de brindes promocionais que tem 18 impressoras 3D a imprimir viseiras no movimento e que se situa em Murtede, no concelho de Cantanhede) e Maia & Borges (uma das empresas de moldes de injeção do “consórcio” e que habitualmente faz brinquedos, situando-se em Maia).

A produção de viseiras está a ser feita através de impressoras 3D (no caso da 3DWays, são 20 impressoras 3D a trabalhar 24 horas por dia, que fazem uma viseira a cada meia hora) e, desde o passado fim-de-semana, com recurso também a moldes de injeção de plástico, facto que permitirá uma maior produção em massa.

A diferença será avassaladora: com a capacidade disponível de impressoras 3D, este agrupamento de empresas consegue 800 viseiras por dia. Com cada molde de injeção de plástico conseguir-se-á fazer mais de 2500 viseiras diariamente.

Cada empresa aderente à plataforma está a disponibilizar as suas linhas de montagem para fabricar as viseiras. Tudo pro bono.

O mais inovador é que os próprios particulares podem integrar a rede SOSCOVID.pt para ajudar no combate à pandemia.

Cada impressora 3D faz a diferença

E dada a necessidade de produzir mais viseiras, esta plataforma incentiva mesmo quem tiver impressoras 3D para fazer as suas próprias impressões.

Para tal, deverá juntar-se à plataforma (preenchendo o formulário aqui), a qual disponibiliza aos “makers” o ficheiro 3D que está a utilizar e que pode ser descarregado aqui.

Feita cada viseira de acordo com o standard definido, os interessados apenas precisam de fazer chegar as suas produções à morada do centro operacional que beneficia em termos logísticos do facto de se situar no parque do ISQ – Instituto de Soldadura e Qualidade: 3DWAYS – Av. Prof. Dr. Cavaco Silva, 33 Edifício E (2740-257 Porto Salvo).

A plataforma conseguiu encontrar alguns fornecedores solidários que sensibilizados pela causa, baixaram o preço dos seus componentes (caso de rolos de filamento para impressão 3D) ou de serviços (caso do despacho das encomendas, via CTT).

No caso de não ter uma impressora 3D e querer ajudar, a plataforma refere que está a necessitar de material que permita fabricar os componentes necessários para as máscaras.
“Só com mais material conseguiremos manter a nossa produção”, deixa claro Francisco Tenente que explica em vídeo que dois dos materiais que o projeto está a pedir são acetatos e elásticos:

Elemento decisivo neste projeto multi-empresarial é o software informático que foi criado por uma empresa tecnológica de Carnaxide (Oeiras) que permite centralizar todos os pedidos que chegam à plataforma, criando uma base de dados “on real time” que permite conhecer, a cada instante, o volume de solicitações e quem está a necessitar de material.

Tudo funciona assim (clicar na imagem para ampliar):

 

“Queremos mobilizar mais grupos empresariais para que se juntem a nós, já que se se centralizar todas as necessidades de produção consegue fazer-se chegar os materiais de modo mais eficiente a quem deles precisa”, refere Francisco Tenente.

Centralizar tudo numa plataforma

A lógica é que a concentração numa única plataforma das empresas interessadas em ajudar evita que duas empresas, ao mesmo tempo e por não estarem em comunicação entre si, enviem a mesma quantidade de material pedida por um hospital.

Esta iniciativa começou com um pequeno grupo de amigos que não conseguiu ficar indiferente aos apelos diários de todos aqueles que lutam no terreno contra esta ameaça global.

A descoordenação leva a que essa unidade hospitalar acabe por receber, de repente, mais material do que aquele que precisava. A plataforma permite gerir de modo eficiente os pedidos, a fim de satisfazer todos o mais possível.

Francisco Tenente refere que os próprios médicos individualmente, bombeiros e polícias, por exemplo, podem pedir as viseiras, através da plataforma, submetendo o seu pedido.

O passo seguinte

A equipa do SOSCOVID.pt está a preparar, entretanto, o passo a seguir: usar a rede de aderentes para vir a fabricar peças de acessibilidade para evitar o contacto direto com as mãos e reduzir a taxa de infeção da COVID-19 entre a comunidade. Essas peças de acessibilidade poderão passar por objetos diversos para que as pessoas possam manusear objetos do dia-a-dia (como maçanetas de portas, terminais Multibanco, carrinhos de supermercado ou tocar campainhas de portas) sem, todavia, tocarem diretamente com os seus dedos ou mãos nesses objetos.

Dentro de uma a duas semanas, este consórcio conta poder também contribuir com peças para ventiladores.

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